quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Comunicação e missão

por Jaime Carlos Patias última modificação

Comunicação e missão são temas interconectados, e por vezes, interdependentes. A missão da Igreja é evangelizar.

Comunicação e missão são temas interconectados, e por vezes, interdependentes. A missão da Igreja é evangelizar. Lendo o Documento de Aparecida (2007) sob a ótica da comunicação, onde vemos as palavras missão, comunhão, evangelização, testemunho ou discipulado, entendemos a ação de comunicar a Cristo e sua mensagem. De fato, quando evangelizamos estamos comunicando e quando comunicamos estamos evangelizando.

O discípulo missionário tem a tarefa de escutar, comunicar, compreender e sobretudo, participar na ação evangilizadora-comunicacional da Igreja, a serviço da vida. Quando um agente de pastoral ou um ministro ordenado já não pode comunicar Jesus Cristo, seu ministério não tem mais razão de ser, assim, se um batizado não puder comunicar Cristo, seu ser cristão não teria razão de ser.

Como forma de demonstrar a estreita relação entre comunicação e missão poderíamos traçar um paralelo histórico entre os principais documentos da Igreja sobre essas duas dimensões.

Mesmo havendo documentos anteriores, o primeiro grande momento aconteceu no Concílio Vaticano II com os decretos Inter Mirifica e Ad Gentes que, lidos no seu conjunto articulam uma unidade entre comunicação e missão. O Inter Mirifica assegura, pela primeira vez em um documento oficial, a obrigação e o direito de usar os instrumentos de comunicação social. O Ad Gentes por sua vez, considera os meios de comunicação social indispensáveis na Evangelização (cf. AG 36).

O segundo momento se dá na década de 70 do século passado, durante o pontificado de Paulo VI com a publicação da Instrução Pastoral Communio et Progressio (1971) considerando a comunhão e o progresso da convivência humana fins primordiais da comunicação social e dos meios que emprega.

A encíclica Evangelii Nuntiandi (1975) dá novo impulso à missão e considera que, o primeiro anúncio, a catequese ou o aprofundamento ulterior da fé, não podem deixar de se servir dos meios de comunicação. “Postos a serviço do Evangelho, tais meios são suscetíveis de ampliar, quase até ao infinito, o campo para poder ser ouvida a Palavra de Deus e fazem com que a Boa Nova chegue a milhões de pessoas...” (EN 45).

O terceiro momento viria na década de 90 com o papa João Paulo II.
A encíclica Redemptoris Missio (1990), sobre o mandato missionário considera o mundo das comunicações como “o primeiro areópago dos tempos modernos...” (RM 37c). E em 1992, o Pontifício Conselho Para as Comunicações lança a Instrução Pastoral Aetatis Novae que além de destacar os meios a serviço da cultura e da evangelização, apresenta desafios e propõe planos de Pastoral da Comunicação. Com isso, percebemos que comunicação e missão têm tudo a ver.

Quando as publicações ligadas à Igreja destacam matérias sobre CEBs, direitos humanos, cidadania, fé e política, justiça e paz e integridade da criação, fóruns e movimentos sociais, estão em plena sintonia com o espírito missionário da Igreja que anuncia Jesus Cristo: Vida para todos os povos. Reféns do capital e do lucro, muitos meios são utilizados para comunicar no sentido de persuadir, fragmentar, manipular e dominar.

Movidos pelos valores do Evangelho, como missionários e comunicadores, acreditamos na verdadeira comunicação que tem o poder de informar, formar, encorajar, libertar e fomentar ações de transformações.

Jaime Carlos Patias, imc, mestre em comunicação e diretor da revista Missões. Membro do Grupo de Estudos “Comunicação na Sociedade do Espetáculo”.

Fonte: http://www.cebs-sul1.com.br/v01

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