sexta-feira, 20 de março de 2009

O Ano Catequético na história da Catequese Brasileira



10/03/2009

2009 é o Ano Catequético. Neste artigo, vamos olhar um pouco a história catequética brasileira e conhecermos o pano de fundo do primeiro Ano Catequético: ele aconteceu em 1959, mas não foi um evento apenas importante para aquele momento, pois se insere na caminhada catequética brasileira que, no século XX, havia descortinado novos horizontes.

De 1900 a 1959, vivemos no mundo um dinamismo catequético que teve suas influências no Brasil: Pio X publica a encíclica “Acerbo Nimis” prescrevendo orientações para a catequese e implementando mudanças. Depois, com o decreto “Quanta Cura”, concede as crianças de 7 anos o acesso a Primeira Eucaristia. Além disso, com suas orientações, vemos surgir o catecismo de Pio X, tornando-se uma referência em termos de manuais catequéticos. Na Alemanha, por sua vez, o Movimento de Munique traz uma importante contribuição para a Catequese, ao aproveitar as contribuições da Pedagogia e da Psicologia.

Dois outros pontificados dão também novo ânimo à catequese: Pio XI incentiva a Congregação da Doutrina Cristã e impulsiona a Ação Católica, que através das suas formações doutrinárias, lançará nova luz sobre o processo catequético. E no pontificado de Pio XII, a obra continua, por conta do Movimento Bíblico, do Movimento Litúrgico e do Movimento Querigmático na Teologia. Outra contribuição é dada pelo Ativismo: movimento de cunho pedagógico, que propõe uma virada na atividade catequética, ao fazer o catequizando ser olhado como agente do processo catequético.

No Brasil essas mudanças chegam, embora não em larga escala, mas mesmo assim de forma significativa, por obra de pioneiros pesquisadores entre eles a figura impar do Pe. Àlvaro Negromonte. Ele, com as intuições e a clarividência que lhe eram peculiares, “traduz” as mudanças para a nossa realidade catequética. Nesse período, duas iniciativas contribuem para articular e dinamizar a catequese no Brasil: a Revista Catequética e as Maratonas Catequéticas.

E assim chegamos a 1959. Nesse ano, por sugestão do Cardeal D. Jaime Câmara, realizou-se o Primeiro Ano Catequético, cujo ponto alto foi o Congresso Catequético Nacional, realizado em Belo Horizonte, de 23 a 27 de Fevereiro de 1959. Como fruto desse encontro, fundou-se o Centro Catequético Nacional, ficando sob a direção do Pe. Álvaro Negromonte.

Somente isso já seria maravilhoso, mas a forma como o Ano Catequético foi promovido é por demais significativo: ele foi precedido de um tríduo que buscou não apenas movimentar as dioceses e paróquias, mas tornar o Ano Catequético uma obra de muitos. Esse tríduo teve dois momentos (um litúrgico e outro formativo) e promoveu uma iniciativa: realizou-se um registro cuidadoso da catequese nas paróquias, procurando levantar o número de crianças, jovens e adultos presentes na paróquia e aqueles realmente atingidos, atendidos, pela paróquia. Também importante, eu diria, fundamental, foi o destaque que o primeiro Ano Catequético deu a formação integral do catequizando:

“A formação cristã integral tem como base uma esclarecida instrução religiosa e consiste na aquisição de hábitos firmados com convicções profundas, pelas quais o homem atinge a sua configuração com Cristo. É indispensável que, em todas as paróquias, o pároco tenha a catequese como preocupação fundamental. Na medida em que isso for conseguido, não só a catequese paroquial tenderá a atingir as crianças, os adolescentes e os adultos de toda a paróquia, mas também a paróquia será para os catequizandos e comunidade cristã o apoio que necessitam para a sua perseverança e aperfeiçoamento.” (Cf Comunicado Mensal da CNBB, n 78, Março de 1959, in Revista Pastoral, Janeiro-Fevereiro de 2009, ano 50, n 264, p. 8, São Paulo, Paulus).

O primeiro Ano Catequético acrescentou mais alento a caminhada catequética brasileira, e as contribuições que vieram depois ajudaram a construir o nosso universo catequético. Nos próximos artigos, iremos então conhecer a nossa catequese de 1959 a 2009.



Pe. Lucas R. Silva - Comunidade São Benedito – Residencial Galo Branco, Assessor Diocesano da Animação Bíblico-Catequética - Pastoral Catequética e Pastoral da Crisma

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