quinta-feira, 19 de março de 2009

Roteiro para os Grupos de Reflexão Suplemento de "DIRETRIZES" - Março de 2009 - Caderno 324

FAMÍLIA E SEGURANÇA PÚBLICA

CF 2009: Fraternidade e Segurança Pública



Preparado pela Forania de Inhapim (João Resende)



Animador: Agora vamos rezar esta oração inspirada na mensagem do último Sínodo dos Bispos:

Todos: Senhor, / que o nosso grupo de reflexão possa manter a Bíblia sempre viva em nossas casas. / Que ele nos ajude a tomar gosto pela leitura diária da Palavra de Deus, / transformando-a em prece e testemunho em nossas casas. / Ajudai-nos, Senhor, a fazer silêncio / para escutar com proveito a vossa Palavra. / E conservai o silêncio depois de ouvi-la, / para que ela continue a habitar, a viver e a falar em nosso meio. / Fazei-a ressoar no início de cada dia, / para que Deus tenha a primeira palavra. / E deixai-a ecoar em nós ao cair da tarde, / para que a última palavra seja de Deus!

ORAÇÃO DA CF 2009 PARA ENCERRAR (resumida)

Todos: Ó Senhor, / neste tempo em que nos chamais à conversão, à esmola, ao jejum, à oração e à penitência, / pedimos perdão pela violência e pelo ódio, que geram medo e insegurança. / Senhor, que a vossa graça venha até nós / e transforme o nosso coração. /

Abençoai a vossa Igreja e o vosso povo, / para que a Campanha da Fraternidade seja um forte instrumento de conversão. / Sejam criadas as condições necessárias para que todos vivamos em segurança, / na paz e na justiça que desejais, / a partir de nossas famílias. / Amém.

HINO DA CAMPANHA DA FRATENIDADE

1. Ó povo meu, chegou a mim o teu lamento, / Conheço o medo e a insegurança em que estás. / Eu venho a ti, sou tua força e teu alento. / Vou te mostrar caminho novo para a paz.

Onde pões tua confiança? / Segurança, quem te traz? / É o amor que tudo alcança; / Só a justiça gera a paz!

Introdução

A dimensão comunitária da Quaresma, na Igreja do Brasil, é vivida e assumida pela Campanha da Fraternidade (CF). Cada ano ela focaliza uma situação marcante de nossa realidade.

Neste ano de 2009, a CF quer nos despertar mais para as exigências do mistério da Páscoa (=VIDA), diante de tanta violência, insegurança e morte. O tema da CF deste ano é "FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA" e o lema, "A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA" (Is 32, 17).

Nosso Roteiro deste mês vai focalizar o tema FAMÍLIA E SEGURANÇA PÚBLICA, com suas conseqüências e co-responsabilidades na Segurança Pública: social, política e ambiental.

Que todos nós, participantes dos GRUPOS DE REFLEXÃO, reflitamos e rezemos, com muita fé e esperança, este roteiro da CF 2009, fazendo de nossas famílias, casas e escolas de comunhão, fraternidade, justiça e paz, fontes da verdadeira segurança. Que a nossa reflexão semanal possa ser uma reafirmação de nossos compromissos, na construção de uma cultura de paz.

1ª REUNIÃO

Como vai a segurança da Família?

1. Iniciando nosso encontro

a) Arrumar o local, com a Bíblia e o Cartaz da Campanha da Fraternidade em destaque.

b) Receber alegremente quem chega. Se houver alguém novo fazer a apresentação ao grupo. Criar um ambiente alegre, acolhedor, deixando as pessoas bem à vontade.

c) Cântico e Orações para iniciar (Página 2).

d) Relembrar os Compromissos do último plenário.

Foto: Ana Carolina, mãe de Eloá, no velório da filha

2. Um fato da vida faz refletir

Leitor(a) l: Em meados de outubro de 2008, todos nós fomos abalados pelo seqüestro de Santo André. Lindemberg faz reféns duas adolescentes: Eloá e Nayara. Depois de uns dias de cativeiro, Nayara foi libertada, voltando a ser refém logo depois. Foram 100 horas de muita angústia e sofrimentos, com um final trágico. Em meio a todas estas dificuldades, surge o envolvimento do pai de Eloá, em crime de morte no Estado de Alagoas. Várias foram as perguntas levantadas a respeito deste acontecimento: acertos ou não da polícia: por que Nayara voltou ao cativeiro? Ouve-se o clamor: "que se faça justiça"!

Cantando: Ó povo meu, chegou a mim o teu lamento, / conheço o medo e a insegurança em que estás. / Eu venho a ti, sou tua força e teu alento. / Vou te mostrar caminho novo para a paz.

L2: A Campanha da Fraternidade deste ano quer nos ajudar a refletir e a tomar posição diante de uma Segurança Pública cada vez mais desafiada pela violência. Diante deste fato de Santo André e de outras violências, há uma exigência popular de ações rápidas da justiça. Há uma busca de justiça mais a partir da polícia, e do poder judiciário. De modo geral, queremos que se faça justiça sem o nosso envolvimento, sem buscar as causas familiares, sociais e políticas. Nosso roteiro deste mês quer nos despertar para a responsabilidade e o envolvimento de nossas famílias, neste contexto de Segurança Pública.

Cantando: Ó povo meu, chegou a mim o teu lamento, / conheço o medo e a insegurança em que estás. / Eu venho a ti, sou tua força e teu alento. / Vou te mostrar caminho novo para a paz.

L3: As famílias estão cada vez mais assustadas com o crescimento da violência e com a falta de segurança. Sentem-se tomadas pelo medo que muitas vezes as leva a uma atitude passiva. Esta passividade gera na família um sentimento de fraqueza, descrença e desilusão, na possibilidade de superar a violência e a insegurança. A família torna-se refém de si mesma. Além do mais, ela vai sendo bombardeada pelos Meios de Comunicação, com seu individualismo consumista e materialista. Com isto a família vai ficando desestruturada, deixando de ser referência. Acontece na família a crise de autoridade: ausência dos pais, muitas vezes compensada com presentes, visitas a shoppings. E o pior, a perca da noção de limites. A raiz de muitas violências está nos desajustes familiares.

Cantando: Ó povo meu, chegou a mim o teu lamento, / conheço o medo e a insegurança em que estás. / Eu venho a ti, sou tua força e teu alento. / Vou te mostrar caminho novo para a paz.

L4: Com a desestruturação da família, os valores e os bons costumes vão água abaixo. A referência de vida passa a ser a televisão, o meu mundo, os meus interesses, o meu prazer que acaba levando à sexualidade desregrada e à gravidez precoces. O relacionamento familiar vai diminuindo, provocando o enfraquecimento de valores humanos e cristãos. A família vai deixando de ser um lar. Surge a busca do caminho largo que gera um vazio, muitas vezes preenchido pelo uso de drogas lícitas (bebidas, cigarro) e ilícitas (drogas). Um trabalho educativo sobre a Segurança Pública nesta CF deve estar muito atento a uma reestruturação familiar. "Fraternidade na Família - Comece em sua casa".

Cantando: Onde pões tua confiança? / Segurança, quem te traz? / É o amor que tudo alcança; / só a justiça gera a paz.

3. BATE-PAPO

O que vocês acharam do fato da vida e dos comentários? Quais acontecimentos desta semana, em nossa comunidade ou na Igreja ou no país, precisam ser lembrados aqui, para os celebrarmos junto de Deus?

4. Deus nos fala

L5: Preparando a Palavra. A leitura da Palavra de Deus no grupo de reflexão é uma proposta para que nossas famílias sejam a casa e a escola da escuta desta Palavra. Que esta escuta obediente da Palavra em nossas casas faça de nossas famílias missionárias discípulas da cultura da paz. A leitura de hoje nos lembra a regra de ouro do relacionamento humano. Deixa claro que a família será agente de segurança pública, na medida em que fizer a opção fundamental pelo Reino e sua justiça. Isto exige renunciar a porta larga proposta pelo consumismo individualista.

Canto de aclamação, à escolha

Leitura da Palavra de Deus: Mateus 7, 12-14 (ler em mutirão)

Chave de Leitura:

· Qual é a regra de ouro que o Evangelho dá para uma boa convivência familiar e social?

· Quais as portas largas que estão trazendo insegurança para as famílias?

· Qual a lição deste texto para a vivência da CF 2009 em nossas famílias?

5. Pergunta para o Plenário

O que está provocando mais a insegurança em nossas famílias? Quem é o maior responsável pela insegurança?

6. Tarefas da semana

a) Verificar se o seqüestro de Santo André provocou alguma reflexão em nossas famílias. O que se comentou?

b) Ler na Bíblia a leitura da próxima reunião: Mateus 7, 15-20.

7. Encerramento

a) Preces espontâneas, Pai-Nosso, Ave-Maria

b) Rezar a Oração da CF 2009 (Página 2)

c) Avisos / Despedida / Canto e Bênção final.


2ª REUNIÃO

Família: ipê de fraternidade

1. Iniciando nosso encontro

a) Arrumar o local, com a Bíblia e o Cartaz da Campanha da Fraternidade em destaque. Vela acesa.

b) Receber alegremente quem chega.

c) Cântico e Orações para iniciar (Página 2).

d) Partilha da vida: Colocar em comum a tarefa da última reunião: Qual foi a reflexão que o seqüestro de Santo André provocou em nossas famílias?...

2. Uma lição da natureza

Leitor(a) 1: O ipê é uma árvore nativa dos campos e cerrados. Muitas vezes também é plantada para ornamentar jardins e ruas das cidades. É uma árvore resistente, que floresce na seca, quando toda a vegetação está castigada pelo sol. Antes de florescer, todas as folhas caem, para dar lugar às flores. Suas sementes, em forma de aviãozinho, não se concentram no pé da árvore. Elas são espalhadas por toda a região, reflorestando toda a área. A atitude desta árvore, nos lembra a missão da família, que também deve ser um ipê, reflorestando a fraternidade, a paz, fontes da segurança pública. A família deve ser um ipê de fraternidade, espalhando sonhos e esperanças da possibilidade de uma cultura de paz

Cantando: Quando o dia da paz renascer, quando o sol da esperança brilhar, eu vou cantar! / Quando o povo nas ruas sorrir e a roseira de novo florir, eu vou cantar.

L2: A cultura dominante trouxe muitos benefícios para a condição humana. Mas também dificultou a missão da família ser ipê de sonhos e realizações. Ela está mais preocupada em oferecer mais para as famílias bens materiais do que os valores ligados à gratuidade, ao amor, à solidariedade, à fraternidade, à espiritualidade. A cultura consumista dificulta a missão da família ser ipê florido nas secas da vida. Vai passando a idéia de que "Família ipê florido" é romantismo do passado. As utopias e sonhos da família vão sendo esvaziados. Família não é mais referência. É descartável. No entanto, uma família, sem a utopia de valores permanentes, perde sua esperança e caminha para a sua auto-destruição.

Cantando: Eu quero ver, eu quero ver acontecer, / um sonho bom, sonho de muitos, acontecer!

L3: Procurar ser uma "Família ipê florido" em meio a tantas contradições não é uma volta à família tradicional. A situação hoje é diferente. Por força da situação, muitas famílias têm que deixar seus filhos nas creches ou com avós, para acudir a manutenção da casa. No entanto, estas e outras situações não justificam que as famílias "deixem de ser um conjunto de relações interpessoais: relação conjugal, paternidade-maternidade, filiação, fraternidade, mediante as quais cada pessoa é introduzida com mais segurança na família humana”. Estas relações interpessoais fazem da família uma comunidade de pessoas. Apesar de todas as dificuldades, a família não pode perder a utopia, o sonho da comunhão e participação. A segurança da família vai se firmando, a partir do momento em que ela recupera a missão de ser a imagem do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sem isto, a família estará cada vez mais insegura.

Cantando: Vem, ó Senhor, com o teu povo caminhar. / Teu corpo e sangue vida e força vêm nos dar.

L4: A segurança da família não reside primeiramente no fato de estar buscando estar em dia com o consumismo moderno. A segurança da família está na vontade de encontrar e viver o amor a partir de Deus, sonhar em poder realizar-se e ser basicamente feliz. O que não pode faltar na família, em qualquer época da vida, é o afeto, o cuidado de um para com o outro, a vontade de estarem juntos e a abertura para a procriação de novas vidas. É neste cerne da vida familiar que há vida e funcionam os sonhos e as utopias de amor, fidelidade, felicidade. Este modo de ser família lhe dá segurança interna e fortalece a segurança pública. É o segredo de ser ipê florido em meio a tantas contradições de nosso mundo.

3. Bate-papo

O que vocês acharam da lição da natureza e dos comentários? Acontecimentos da semana: Lembrar o que houve esta semana, aqui e fora, para celebrarmos.

4. Deus nos fala

L5: Preparando a Palavra. Muitas vezes o consumismo exagerado, não só a respeito de bens materiais, mas também no relacionamento humano, passa a impressão de que estamos curtindo a vida. O Evangelho que vamos ouvir nos chama a atenção para um discernimento mais sério. Conhecemos a árvore é pelos seus frutos. Que frutos o consumismo materialista está produzindo em nossas famílias e em nossa sociedade? Tem trazido segurança para as famílias? Será que não está nos conduzindo pela porta errada?

Canto de aclamação

Leitura da Palavra de Deus: Mateus 7, 15-20 (ler em mutirão)

Chave de Leitura:

· O que nos diz este texto?

· Que tipo de frutos nossas famílias estão produzindo?

· Qual a lição deste texto para a nossa Campanha da Fraternidade?

5. Pergunta para o Plenário

Nossas famílias estão sendo ipê florido no mundo? Por quê?

6. Tarefas da semana

a) Trazer para a próxima reunião um símbolo de família segura.

b) Ler na Bíblia a leitura da próxima reunião: Mateus 5, 14-16.

7. Encerramento

a) Preces espontâneas, Pai-Nosso, Ave-Maria

b) Rezar a Oração da CF 2009 (Página 2)

c) Avisos / Despedida / Canto e Bênção final.

3ª REUNIÃO

Família e segurança pública

1. Iniciando nosso encontro

a) Arrumar o local, com a Bíblia e o Cartaz da Campanha da Fraternidade em destaque. Vela acesa.

b) Receber alegremente quem chega.

c) Cântico e Orações para iniciar (Página 2).

d) Partilha da vida: Colocar em comum a tarefa da última reunião: os símbolos da família segura, que nós descobrimos.


Foto: Maria Augusta Silva dos Anjos recebeu o coração de Eloá Pimentel. Na foto, ela está ao lado dos médicos que participaram do transplante.

(Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

2. Fato da vida e reflexão

Leitor(a) 1: Ana Cristina, mãe de Eloá, depois de doar os órgãos da filha para transplante em outras pessoas, disse no velório: "Eu consigo perdoar o Lindemberg... mas espero que a justiça seja feita". O perdão e a solidariedade são testemunho em favor da segurança da vida. Onde há rancor e ódio, a vida está ameaçada e insegura. A mãe de Eloá espera justiça. Esta busca de justiça tem sido traduzida em movimentos solidários contra a violência cometida contra menores, adolescentes e mulheres e homens. Isto nos lembra que a Segurança, para ser pública, precisa ser de todas as pessoas, feita por todas as pessoas e não simplesmente para as pessoas.

Cantando: Ilumina, ilumina, nossos pais, nossos filhos e filhas! / Ilumina, ilumina cada passo de nossas famílias.

L2: A Segurança Pública é responsabilidade que começa em casa, na família. Isto acontece na medida em que a família se torna um ambiente onde se aprende a ser verdadeiramente humano. Sem violências entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmão com irmãos. A família deve procurar superar seus problemas e conflitos em seu próprio ambiente, tendo em vista uma sociedade justa e segura. Família nunca deveria virar caso de polícia.

Cantando: Ilumina, ilumina, nossos pais, nossos filhos e filhas! / Ilumina, ilumina cada passo de nossas famílias.

L3: A família, na medida em que vai se tornando uma comunidade de pessoas, contribui para a sua segurança. Recupera sua casa como lar. Leva a sério seu relacionamento construído num clima de acolhimento, de ternura e diálogo. Os pais e filhos são os primeiros a saber dos problemas e dificuldades da família. Quando eles são os últimos a saber das coisas, a família já se sente insegura. Uma família insegura passa insegurança para a comunidade. Ela passa a querer uma segurança, uma justiça vinda de fora. Isto é escorar parede fora do prumo. Não vai fundo no problema da violência e da insegurança. A segurança, começada na família, vai sendo concretizada na segurança pública, que deve estar no rumo e no prumo do projeto de Deus.

Cantando: Ilumina, ilumina, nossos pais, nossos filhos e filhas! / Ilumina, ilumina cada passo de nossas famílias.

L4: A família hoje encontra muitas dificuldades em assumir sua missão na parceria da construção da Segurança Pública. Ela está ficando refém de uma televisão que vai se tornando a referência da casa. Põe toda a família calada. Passa a idéia de que família é alguma coisa descartável; pessoa humana é objeto de prazer, de consumo e é dona de si mesma e sem limites. A Televisão passa sensação de insegurança, falando e encenando crimes. A CF 2009 está insistindo numa conversão familiar, no sentido de que a família estoure este cativeiro da televisão e tome uma posição crítica diante dela. Esta seria a grande contribuição da família, na construção da verdadeira Segurança Pública. A casa da sociedade estará sempre insegura, quando seu alicerce, a família, está bloqueado pelo formigueiro de um consumismo materialista e ausência de Deus.

Cantando: Ilumina, ilumina, nossos pais, nossos filhos e filhas! / Ilumina, ilumina cada passo de nossas famílias.

3. Bate-papo

O que vocês acharam do fato da vida e dos comentários? Acontecimentos da semana. Lembrar o que está se passando entre nós, no município, no país, na Igreja, para rezarmos nessas intenções.

4. Deus nos fala

L5: Preparando a Palavra. No plano de Deus, família é um sacramento. Sacramento é sinal que deve ser visto e lido. Não pode ficar escondido. O Evangelho que vamos ouvir nos lembra que a família é luz que deve clarear e não ficar refém dos meios de comunicação, que querem fazer dela apenas um ato social.

Canto de aclamação

Leitura da Palavra de Deus: Mateus 5, 14-16 (ler em mutirão).

Chave de Leitura:

· Qual é o ensinamento deste evangelho para nós hoje?

· Onde está a luz de nossas famílias?

· Qual a lição deste texto para a nossa Campanha da Fraternidade?

5. Pergunta para o Plenário

A televisão está sendo controlada pela família ou a família é controlada pela televisão? O que fazer?

6. Tarefas da semana

a) Participar dos cursos sobre a CF 2009.

b) Ficar uma noite da semana sem televisão, para conversar com os familiares.

c) Ler na Bíblia a leitura da próxima reunião: Mateus 7, 21-23.

7. Encerramento

a) Preces espontâneas, Pai-Nosso, Ave-Maria

b) Rezar a Oração da CF 2009 (Página 2)

c) Avisos / Despedida / Canto e Bênção final.

4ª REUNIÃO

CF 2009 a partir da família

1. Iniciando nosso encontro

a) Arrumar o local, com a Bíblia e o Cartaz da Campanha da Fraternidade em destaque. Vela acesa e fotos de família.

b) Receber alegremente quem chega.

c) Cântico e Orações para iniciar (Página 2).

d) Partilha da vida: Colocar em comum a tarefa da última reunião.

2. Um apelo de toda a CF

Leitor(a) 1: A CF não quer ser uma vitrine de planos bonitos. Ela quer nos motivar para uma leitura permanente da realidade existencial do povo. Esta olhada para a realidade deve provocar em nós um compromisso pessoal e coletivo de transformação. Esta transformação começa com uma conversão pessoal e eclesial, que inclui mudança no modo de pensar e agir. O apelo de toda CF é que haja em cada um de nós uma manifestação concreta e comunitária no sentido de colocar o nosso mundo no rumo e no prumo do projeto de Deus. O grande apelo da CF deste ano é que a busca de uma melhor Segurança Pública comece a partir de nossas casas e de nossas famílias.

Todos: No raiar de um novo tempo, / vida nova estão se faz; / a esperança do teu povo / é justiça, amor e paz.

L2: Ficou bem claro que uma CF não se resume a cursos, cartazes, canto e coleta da solidariedade. Ela deve ser um ipê, lançando sementes de gestos concretos, que permanecem. Este ano a CF, mais uma vez, nos convida a começar em casa. A segurança de nossas casas com suas famílias não se dá primeiramente com chaves, cercas elétricas e cachorro bravo. A segurança deve vir de dentro para fora, buscando uma aproximação maior de Deus, através da leitura, da reflexão, da Palavra e da oração. Provocar mais conversa em casa. Não deixar os problemas pendoarem. Trabalhar mais, entre os familiares, a misericórdia e o perdão, para construir um novo modelo de segurança pública, que defenda os direitos humanos.

Cantando: Eu creio num mundo novo / pois Cristo ressuscitou! / Eu vejo sua luz no povo. / Por isso, alegre estou.

L3: A família existe dentro de uma comunidade. Comunidades, formadas de famílias bem estruturadas, contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e segura. Este tipo de sociedade é formada por famílias que participam das atividades das comunidades. Estas atividades incluem a parte religiosa, com suas pastorais sociais. E também a parte social, com os seus variados movimentos: Comissão de Justiça e Paz, Comissão de Defesa de Direitos Humanos, Conselhos Comunitários de Segurança, etc. A Segurança Pública é fruto do trabalho comprometido e corajoso de pessoas e famílias de bem. Se as famílias não se arriscarem na busca de uma verdadeira segurança pública, vamos ter uma insegurança pública cada vez maior.

Cantando: A segurança é vida plena para todos: / trabalho digno, moradia, educação; / É ter saúde e os direitos respeitados; / é construir fraternidade, é ser irmão.

3. Bate-papo

O que vocês acharam mais importante no apelo da CF e nos comentários de hoje? Acontecimentos da semana. O que aconteceu, para trazermos à nossa reunião de hoje?

4. Deus nos fala

L4: Preparando a Palavra. O Evangelho que vamos ouvir nos lembra que o importante não é falar bonito. O que agrada a Deus é transformar suas palavras em vida, em atitudes. Assim também a CF não pode ficar só na folhagem. Deve dar verdadeiros frutos.

Canto de aclamação

Leitura da Palavra de Deus: Mateus 7, 21-23 (ler em mutirão).

Chave de Leitura:

· Segundo este texto o que é ter uma vida de fé?

· Nossa vida cristã tem produzido mais frutos ou folhas?

· Qual a lição deste texto para a nossa Campanha da Fraternidade 2009?

5. Pergunta para o Plenário

Qual vai ser o gesto concreto de nossa família, nesta CF 2009?

6. Tarefas da semana

a) Participar do Plenário e convidar mais uma pessoa para ir também.

b) Ler na Bíblia a leitura da próxima reunião (ver no Roteiro seguinte).

7. Encerramento

a) Preces espontâneas, Pai-Nosso, Ave-Maria

b) Rezar a Oração da CF 2009 (Página 2)

c) Avisos / Despedida / Canto e Bênção final.

PLENÁRIO

(Encontro geral das comunidades)

Plenário é a conclusão dos grupos de reflexão. Sem o plenário, o trabalho fica incompleto. A reflexão deve ser socializada, para ser enriquecida com a participação dos membros dos outros grupos. Por isso é importante que o plenário seja levado bem a sério. Ele não é repetição do que se falou nos grupos. É crescimento comunitário. É uma assembléia de todos os grupos. É um testemunho de Igreja Comunhão e Participação. O plenário deve ser preparado com muito carinho pelos animadores. Fazer o plenário com amor, dedicação. Fazer dele um trabalho missionário.

1. ACOLHIDA (Fazer uma acolhida bem motivada e alegre)

2. CANTO DE ENTRADA.

3. ORAÇÕES PARA INICIAR O PLENÁRIO (Página 2).

4. ATO PENITENCIAL: Pedir a Deus perdão pela nossa omissão diante das violências e da Segurança Pública.

5. A PALAVRA DE DEUS

Introdução à leitura do texto: Neste texto que vamos ouvir, os discípulos de Isaías fazem e memória do projeto de Deus. Procuram recuperar a esperança e restaurar a paz e a segurança no meio do povo. Esta restauração é uma nova criação onde se vivem a justiça e o direito, que geram paz e segurança.

Canto de aclamação

Ler na Bíblia: Isaías 32, 15-20.

Reflexões partilhadas.

6. PRECES ESPONTÂNEAS: Fazer preces de acordo com o texto lido. Como refrão, após cada prece, digamos: A paz é fruto da justiça.

7. RESUMO: Os animadores devem preparar um breve resumo de cada reunião, para introduzir a resposta da pergunta da semana. O Animador do Plenário faz o apanhado das respostas de uma maneira clara e resumida.

8. CONCLUSÃO CONCRETA: No encerramento do Plenário, apresentar o gesto da Campanha da Fraternidade 2006.

9. Encerramento

a) Rezar a Oração da CF 2009 (Página 2)

b) Avisos / Despedida / Canto e Bênção final.

Via-Sacra da CF 2009

Dirigente: Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. T: Amém.

D: Irmãos e irmãs. Nesta Via-Sacra, queremos, com Jesus, percorrer o caminho do Calvário, caminho no qual Ele continua, hoje, sendo condenado à morte, através da violência, da injustiça e da falta de segurança pública. Que a graça de Deus nos acompanhe durante toda esta Quaresma no caminho da vida e da ressurreição. Rezemos todos:

Oração e Hino da CF (Página 2).

1ª Estação:

JESUS É CONDENADO À MORTE

D: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.

T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor(a) 1: “Pilatos perguntou: ‘Que farei com Jesus, que é chamado o Cristo?’. Todos gritaram: ‘Seja crucificado’. Pilatos falou: ‘Mas que mal ele fez?’. Eles, porém, gritaram com mais força: ‘Seja crucificado!’. Pilatos via que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: ‘Eu não sou responsável pelo sangue deste homem! A responsabilidade é vossa!’. O povo todo respondeu: ‘Que o sangue dele recaia sobre nós e sobre nossos filhos’. Então Pilatos soltou Barrabás, mandou açoitar Jesus e entregou-o para ser crucificado” (Mt 27, 22-26). (Silêncio).

L2: O nosso país é marcado por grandes escândalos. Corrupção, tráfico de influências, desvios de verbas, entre outros, estão sempre presentes no nosso noticiário. São crimes que trazem trágicas conseqüências para a nossa sociedade, como fome, desemprego, doenças, analfabetismo, recessão da economia e outros malefícios. No entanto, dificilmente alguém é condenado pela prática de tais crimes. O pobre é quase sempre preso, mas as pessoas que pertencem às altas rodas do crime estão apenas respondendo processos e recorrendo às instâncias diversas do sistema judiciário, e muitas vezes até conseguindo da opinião pública a aprovação de seus atos, com a expressão: “esse rouba mas faz!”

T: Senhor, tende piedade de nós / e socorrei os vossos filhos e filhas / que têm seus direitos violados. / Ajudai-nos a promover a vida e a justiça para todos.

Cantando: A morrer crucificado, / Teu Jesus é condenado, / Por teus crimes, pecador! (bis)

Ó Senhor, Caminho e Vida, / O Brasil pede perdão, / Pelas mortes e agressões. (bis)

2ª Estação:

JESUS CARREGA A CRUZ

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Pilatos, então, lhes entregou Jesus para ser crucificado. Eles tomaram conta de Jesus. Carregando a sua cruz, ele saiu para o lugar chamado Calvário (em hebraico: Gólgota). Lá, eles o crucificaram com outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio” (Jo 19,16-18). (Silêncio).

L2: Assim como Jesus, hoje muitos são condenados a morrer. A sociedade em que vivemos não tem como fundamento principal a pessoa humana. A busca do lucro a qualquer custo se faz presente diante de todas as situações, como uma grande força devoradora que submete tudo a si. O medo tornou-se hoje, também, uma fonte de lucro. Criou-se uma falsa idéia de segurança, que inclui sistemas de defesa, alarmes, vigilância, escolta, monitoramentos, blindagens, seguros dos mais diferentes tipos, entre outros.

T: Senhor, nós vos pedimos por todos aqueles que sofrem as causas da violência. Dai-nos a solidariedade necessária para auxiliar estes vossos filhos e filhas.

Cantando: Com a cruz é carregado, / Vai sofrendo resignado, / Vai morrer por teu amor. (bis)

3ª Estação:

JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Vejam! Tão desfigurado estava que já não parecia mais gente, tinha perdido toda a sua aparência humana. As nações numerosas levaram um susto. Diante dele os reis vão fechar a boca” (Is 52,14-15). (Silêncio)

L2: Uma sociedade que se fundamenta apenas em critérios econômicos acaba por se tornar um sociedade de privilégios, garantidos pelo poder aquisitivo. Assim, todos têm direito à saúde, porém alguns têm direito a clínicas especiais e hospitais de primeiro mundo, enquanto outros não têm nada por causa da precariedade da saúde pública. O mesmo acontece em relação à justiça, pois, embora todos sejam iguais perante a Lei, alguns têm foro privilegiado, como militares, deputados, senadores, presidente e ministros de Estado. Este tratamento diferente, embora em muitos casos seja necessário e legítimo, também pode tornar-se um meio para burlar a justiça e garantir a impunidade diante de determinados tipos de crimes.

T: Senhor, sede atento aos gritos dos jovens / que morrem ou são feridos nas guerras entre “gangues”. / E abençoai as famílias que vêem seus filhos atingidos.

Cantando: Sob o peso desmedido, / Cai Jesus desfalecido, / Pela tua salvação. (bis)

4ª Estação:

JESUS SE ENCONTRA COM SUA MÃE

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Simeão disse a Maria, mãe de Jesus: ‘Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações” (Lc 2, 34-35). (Silêncio).

L2: Maria Santíssima chorou a dor de seu Filho. Hoje muitas mães sofrem e choram a perda e o desaparecimento de seus filhos. Em nossa sociedade, sempre é o pobre que mais sofre. Como ele não tem poder aquisitivo, não tem direito a nenhum tipo de privilégios, fica desprovido de recursos essenciais, à mercê de um poder judiciário. Assim, quem desviou verbas públicas, escandalosamente, tem oportunidade de se defender e recorrer a várias instâncias, do judiciário para se defender. Isso sem contar as imunidades. Enquanto que a pessoa que rouba, mesmo um chocolate, pode ficar na cadeia por um longo tempo para ser punida “de forma exemplar”.

T: Ó Deus dos aflitos, / ouvi o grito e o lamento de todas as mães do nosso Brasil, / que procuram dar a seus filhos condições de vida digna.

Cantando: Vê a dor da Mãe amada / Que se encontra desolada, / Com seu Filho em aflição. (bis)

5ª Estação:

O CIRENEU AJUDA JESUS A CARREGAR A CRUZ

D: Nós vos adoramos...T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Enquanto levavam Jesus para ser crucificado, pegaram certo Simão, da cidade de Cireneu que voltava do campo, e o forçaram a carregar a cruz atrás de Jesus. Uma grande multidão do povo o seguia” (Lc 23, 26). (Silêncio).

L2: Nesta estação, recordamos os homens e as mulheres que assumem as atitudes de Cireneu e se colocam ao lado dos que sofrem, dos excluídos e dos marginalizados. Temos pessoas e entidades que trabalham basicamente na área de promoção da justiça e defesa de direitos, com ações educativas e de lazer. Outros grupos trabalham basicamente através da solidariedade com as vítimas da violência. Esses grupos e pessoas são os Cireneus de hoje.

T: Ó Deus de ternura e compaixão, / fazei com que, no meio das aflições deste mundo, / nos entreguemos mais ao trabalho solidário, / junto aos irmãos e irmãs cansados e desanimados.

Cantando: No caminho do Calvário / Um auxílio necessário, / não lhe nega o Cireneu. (bis)

6ª Estação:

VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Ele não tinha aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia para que pudéssemos apreciá-lo. Desprezado e rejeitado pelos homens, homem do sofrimento e experimentado na dor; como indivíduo de quem a gente esconde o rosto” (Is 53,2-4). (Silêncio)

L2: Quem toma a atitude de enxugar o rosto de Jesus é uma mulher, Verônica. Assim como essa mulher que se aproxima de Jesus, existem entidades e organizações que trabalham com a formação da consciência das pessoas, dando-lhes um novo rosto. Assim acontecerá uma nova sociedade, com uma nova hierarquia de valores, que tenha como centro a pessoa humana e a sua dignidade. Vemos então surgir organizações específicas de resistência e luta por direitos que, sem o uso da violência, promovem a transformação social.

T: Ó Deus, fonte de vida, / dirigi vosso olhar de ternura a todos os rostos desfigurados. / Livrai-nos do preconceito e da discriminação / e ajudai-nos a transfigurar, em vida plena, / as pessoas atingidas pelo sofrimento.

Cantando: Eis o rosto ensangüentado / Por Verônica enxugado, / Que no pano apareceu. (bis)

7ª Estação:

JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento” (Is 53, 3). (Silêncio).

L2: Basicamente, temos dois tipos de violência: a violência física e a violência simbólica. A violência física é facilmente perceptível, vê-se a toda hora e em todos os lugares. Diante dela, a reação da sociedade é quase sempre contrária, chegando a causar diversos tipos de mobilização. A violência simbólica é menos perceptível no meio social, mas com muitos efeitos na nossa vida. Trata-se da violência através de constrangimento, ameaças, exploração de fatos ou de situações, negação de informações ou de um bem de necessidade imediata ou irrevogável, chantagens e a cultura do medo, entre outras.

T: Senhor, tende piedade de nós / e ajudai-nos a recomeçar, a cada dia, a ser discípulos-missionários, / carregando a nossa cruz.

Cantando: Novamente desmaiado, / Sob a cruz que vai levando, / Cai por terra o Salvador. (bis)

8ª Estação:

JESUS CONSOLA AS MULHERES DE JERUSALÉM

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Uma grande multidão de povo o seguia. E mulheres batiam no peito, e choravam por Jesus. Ele, porém, voltou-se, e disse: ‘Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim! Chorem por vocês mesmas e por seus filhos! Porque dias virão em que se dirá: Felizes das mulheres que nunca tiveram filhos, dos ventres que nunca deram à luz e dos seios que nunca amamentaram” (Lc 23, 27-29). (Silêncio).

L2: Nesta estação queremos recordar a violência que acontece dentro de nossas famílias. Os lares estão cada vez mais violentos e esta realidade pode ser vista através das mais diferentes formas de violência, tais como: acidentes domésticos; maus tratos; excesso na punição física ou simbólica; brigas entre casais; agressão aos filhos; alcoolismo e outros tipos de dependência química; pedofilia e abuso sexual.

Pensemos nas mães e pais que choram por seus filhos.

T: Senhor, ajudai-nos a vencer os preconceitos e a discriminação / e a ter compaixão de quem espera consolo e acolhida.

Cantando: Das mulheres que choravam, / Que fiéis o acompanhavam, / É Jesus consolador. (bis)

9ª Estação:

JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores que levava às costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado” (Is 53, 4). (Silêncio).

L2: Jesus é preso, torturado e condenado à morte porque denunciou a maldade, o pecado e anunciou o Reino de Deus. Um dos problemas mais sérios e que não foi superado pela nossa sociedade é o racismo. A questão racial também é causa de violência. É necessária uma nova compreensão da realidade, baseada no amor e na justiça.

T: Ó Deus, nosso Pai, / tende compaixão das pessoas vítimas de preconceito e injustiças raciais. / Ensinai-nos a acolher a todos, como fez Jesus, / e teremos paz em nossa terra.

Cantando: Cai exausto o bom Senhor, / Esmagado pela dor, / Dos pecados e da cruz. (bis)

10ª Estação:

JESUS É DESPIDO DE SUAS VESTES

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima abaixo. Eles combinaram: ‘Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sorte para ver de quem será’. Assim cumpriu-se a Escritura: ‘repartiram entre si as minhas vestes e tiraram a sorte sobre minha túnica” (Jo 19, 23-24). (Silêncio).

L2: Ao lembrarmos que Jesus foi despido de suas vestes, lembramos também da violência contra os defensores de direitos humanos. A presença do crime na sociedade é sinal de que precisamos lutar pela defesa dos direitos humanos de todas as pessoas. A sociedade deve organizar-se no sentido de defesa e promoção dos direitos fundamentais de todos. Sempre que existe um crime, algum direito fundamental foi lesado.

T: Senhor, livrai-nos da concentração dos bens nas mãos de poucos. / Ajudai-nos a colocar, fraternalmente, nossos bens a serviço do povo desta terra.

Cantando: Já do algoz as mãos agrestes / As sangrentas, pobres vestes / vão tirar do bom Jesus. (bis)

11ª Estação:

JESUS É PREGADO NA CRUZ

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Quando chegaram ao chamado ‘lugar da caveira’, aí crucificaram Jesus e os criminosos, um à sua direita e outro à sua esquerda. Todos os conhecidos de Jesus, assim como as mulheres que o acompanhavam desde a Galiléia, ficaram à distância, olhando essas coisas” (Lc 23, 33-49). (Silêncio).

L2: Nesta estação, lembramos que Jesus continua sendo pregado na cruz naqueles que estão condenados a morrer de forma degradante: crianças, adolescentes e jovens, vítimas da exploração e do turismo sexual; adultos e idosos, maltratados no seu direito à vida e à saúde, esmagados pela violência do poder econômico, que fragmenta e explora a família, seus costumes e valores.

T: Ó Deus, Pai de bondade, / abençoai e fortalecei todos os que trabalham pela pátria, / mãe que acolhe e quer vida para todos os seus filhos e filhas. / Reconciliai a humanidade e ajudai-nos a superar toda discórdia.

Cantando: Sois por mim à cruz pregado, / Insultado, blasfemado, / Com cegueira e com furor. (bis)

12ª Estação:

JESUS MORRE NA CRUZ

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Então Jesus deu um forte grito: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isso, expirou. O centurião viu o que tinha acontecido, e glorificou a Deus, dizendo: ‘De fato! Esse homem era justo!’ E todas as multidões que estavam aí, e que tinham vindo para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito” (Lc 23, 46-48). (Silêncio).

L2: Jesus continua sua paixão hoje, quando há desprezo e preconceitos com a idade, gênero, classe social, etnia etc. Ele morre hoje na ganância e na concentração dos bens que, pelo poder e desejo dos que querem ter sempre mais, esmagam a vida. Ele morre no subemprego, cujo salário não permite viver dignamente. Jesus morre, quando perdemos a memória de nossa história e de nossas raízes.

T: Ó Jesus, / olhai por todos que arriscam suas vidas na defesa dos direitos humanos / e se consagram, com o melhor de suas energias, a construir um mundo de paz.

Cantando: Por meus crimes padecestes, / Meu Jesus, por nós morrestes, / quanta angústia, quanta dor. (bis)

13ª Estação:

JESUS É DESCIDO DA CRUZ

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena, Jesus ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: Mulher, eis ai o teu filho!. Depois disse ao discípulo eis a tua mãe! A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu” (Jo 19, 25-27). (Silêncio).

L2: Maria recebe em seus braços o Filho de Deus, descido da cruz. Lembramos a profecia de Simeão: “uma espada de dor vai transpassar o seu coração”. Hoje, fazemos memória de tantas pessoas feridas profundamente pela dor e pelo sofrimento, na perda de parentes e amigos, vítimas da violência e de acidentes de todo tipo.

T: Ó Deus de compaixão, / ajudai-nos a ter consciência para interromper a fúria das devastações do planeta / e a respeitar as pessoas que nele habitam. / Renovai em nós, cristãos e cristãs, / a alegria de colaborarmos convosco na imensa obra da criação.

Cantando: Do madeiro vos tiraram, / E à Mãe vos entregaram, / com que dor e compaixão. (bis)

14ª Estação:

JESUS É SEPULTADO

D: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Havia um homem bom e justo, chamado José. Ele era de Arimatéia. José foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus. Desceu o corpo da cruz, enrolou-o num lençol, e o colocou num túmulo escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido colocado” (Lc 23, 50-53). (Silêncio).

L2: Solidário com Jesus, José de Arimatéia pede a Pilatos o corpo do Senhor e o coloca num túmulo novo. No final de nossa Via-Sacra, queremos lembrar ainda a violência promovida pelo narcotráfico. Mesmo pessoas que nunca consumiram drogas tornam-se vítimas delas quando são assaltadas por gente drogada ou que rouba para comprar drogas; quando sofrem a violência que cerca as bocas de fumo; quando sofrem acidentes de trânsito por causa de motoristas embriagados; quando são governados por políticos eleitos com dinheiro do narcotráfico e com ele comprometidos.

T: Senhor, cremos que muitos irmãos e irmãs passam da morte para a vida, / por causa de sua opção pelo projeto do Pai / que é de vida plena, vida em abundância. / Ajudai-nos a ser instrumentos de paz!

Cantando: No sepulcro vos puseram, / Mas os homens tudo esperam, / do mistério da paixão. (bis)

15ª Estação:

JESUS RESSUSCITOU

Dir.: Nós vos adoramos... T: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

L1: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12, 24). (Silêncio).

L2: Neste momento em que recordamos a ressurreição do Senhor, lembramos a ação pastoral da Igreja em vista da segurança pública e que exige também nossa participação:

Formação da consciência para novos valores: tem o seu início com o processo catequético e acompanha o cristão na sua vida eclesial. Esta formação tem por finalidade gerar comportamentos compatíveis com os valores do Reino de Deus, elemento fundamental para que haja uma sociedade de paz;

Estímulo constante à conversão e à mudança: a partir da mudança de si, as pessoas contribuem para a mudança da sociedade, criando novas relações que geram mudanças estruturais que possibilitam a concretização da justiça social;

Busca da superação da justiça comutativa: superação das relações de ódio e vingança, através de relações fundamentadas na misericórdia e que visam, não a punição, mas a superação do mal e de suas causas;

Ação das Pastorais Sociais: procuram ver as necessidades do povo e a satisfação dessas necessidades. Com suas ações, as pastorais sociais procuram enfrentar os grandes desafios que estão presentes no nosso meio e que geram carências, sofrimentos e violência.

L3: “Como as guerras nascem nas mentes dos homens, é na mente dos homens que devem ser erguidas as defesas da paz”, reza a constituição da UNESCO. Saiamos daqui dispostos a dar os passos necessários para a paz:

T.: Queremos respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, / sem discriminação nem preconceitos.

L4: Queremos partilhar tempo e recursos materiais, cultivando a generosidade, a fim de eliminar a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica.

L5: Queremos defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre a escuta e o diálogo, sem ceder ao fanatismo, nem à maledicência e à recusa do próximo.

T: “A paz é fruto da justiça!”

Dir.: Num momento de silêncio e prece, entreguemos estes compromissos ao nosso Deus, como oferta agradável aos seus olhos. (Silêncio).

T: Pai Nosso...

Cantando: Vitória, tu reinarás...


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