sexta-feira, 1 de maio de 2009

Manifestações do Dia 1º de Maio tenta unir classe trabalhadora em São Paulo







Fotos: Jaime C. Patias - Revista Missões www.revistamissoes.org.br

Manifestações do Dia 1º de Maio tenta unir classe trabalhadora em São Paulo

Uma missa promovida pela Pastoral Operária e movimentos sociais realizada na Catedral da Sé, em São Paulo, reafirmou o compromisso da Igreja na luta pelos direitos dos trabalhadores, nas comemorações do Dia 1º de Maio. A celebração fez memória dos que tombaram na luta pela melhoria nas condições de vida e dignidade humana. Dom Helder Câmara foi um dos homenageados. Este ano, o bispo dos pobres, completaria cem anos de vida. Na homilia, dom Pedro Luiz Stringhini, bispo da Região Belém e responsável pelas pastorais sociais na Arquidiocese, destacou pontos convergentes nas posições da Pastoral Operária e na mensagem dos bispos reunidos em Itaici, Indaiatuba, SP, na 47ª Assembleia Geral da CNBB.

O primeiro aspecto apontado por dom Stringhini foi o contexto da atual crise econômica. Na sua reflexão, o bispo citou a mensagem da CNBB para o 1º de maio, onde afirma: “A crise mostra a sua face mais cruel ao se deslocar do capital financeiro para o setor produtivo, dizimando milhares de postos de trabalho, na cidade e no campo”.

Para o bispo, a segunda denúncia dos trabalhadores é o uso do dinheiro público para salvar bancos e empresas. “Esse dinheiro vai faltar na saúde, educação e outros setores importantes para o bem estar da população”. Sobre essa questão, Stringhini destaca o que diz a nota da CNBB quando afirma que, “a crise atinge, sobretudo, os trabalhadores, os pobres, as pequenas e médias empresas. Os bancos recebem verbas milionárias dos governos para salvar o sistema financeiro. No entanto continuam as demissões, levando muitas pessoas a buscarem sua sobrevivência no trabalho informal”.

O terceiro ponto de convergência é, na opinião do bispo, “o compromisso da Igreja na luta pelos direitos dos trabalhadores”. “Ao celebrar o Dia do Trabalhador, a CNBB confirma seu compromisso em favor dos direitos sociais do povo e, em especial, dos direitos trabalhistas e dos esforços para consolidar as suas organizações. Expressa também a solidariedade com todos os desempregados, vítimas da crise ou dos que se aproveitam dela”, diz a mensagem divulgada no dia 28, em Itaicí.

Por fim, dom Stringhini lembrou que a Pastoral Operária reconhece a presença de Jesus Cristo Ressuscitado que anima a esperança das trabalhadoras e trabalhadores na busca de um mundo mais justo e solidário. “A CNBB reforça a mesma ideia”, concluiu dom Stringhini.

Após a missa, uma multidão aguardava na Praça da Sé o início do tradicional Ato Público do Dia 1º de Maio. Do palco localizado em frente à Catedral, representantes de movimentos sociais e organizações, lideranças sindicais, estudantis e pastorais, revezavam-se para denunciar as violações dos diretos dos trabalhadores e pedir unidade na luta. Artistas e grupos musicais também tiveram espaço para se manifestar.

O professor Plínio de Arruda Sampaio, que há 60 anos participa em manifestações na Praça da Sé, observou que nunca antes na história a classe trabalhadora esteve tão fragilizada. Em seu pronunciamento, o incansável militante considerou a falta de unidade na classe, considerando como “uma traição à causa dos trabalhadores” e favorável ao capital. “A unidade é absolutamente imperiosa para vencer a crise”, afirmou destacando três virtudes para seguir a luta: “Imaginação para sonhar, coragem para rever convicções e assumir riscos e, a unidade da classe”. Segundo ele, “no diálogo, a generosidade é fundamental para ceder posições em vista de um bem mais amplo”, arrematou.

Por sua vez, o senador Eduardo Suplicy (PT), pregou a “transparência em tempo real, sobre os salários e movimentações financeiras nas empresas públicas e privadas” como um dos remédios para enfrentar a crise.

No meio da multidão, distribuindo panfletos e jornais, a jovem Alessandra Lacerda, militante do “socialismo revolucionário”, corrente do PSOL, avaliou que “a fragmentação das organizações sindicais está ligada ao avanço do sistema neoliberal que, utilizando a mídia, recursos financeiros e esquemas ideológicos, transformou tudo a seu favor”. Para ela, tais condições “tornam difícil dialogar com as grandes centrais sindicais que hoje são reféns do sistema”, alertou.
Com as bandeiras dos movimentos e sindicatos misturavam-se bandeiras do PSTU e do PSOL que reúnem a esquerda mais radical.

Em outros três pontos da capital paulista, a Central Única dos Trabalhadores - CUT e a Força Sindical, onde circulam partidos como o PT e o PDT, reuniram milhares de trabalhadores e simpatizantes atraídos por shows, sorteios de carros, apartamentos e serviços básicos. Na pauta de reivindicações constava a manutenção de empregos, a redução da taxa de juro Selic (divulgada pelo Comitê de Política Monetária – COPOM) e a diminuição do spread bancário (diferença entre os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos e as taxas pagas).

As lideranças reunidas na Praça da Sé não pouparam críticas a essa forma de celebrar o Dia do Trabalhador que consideraram uma traição: “os trabalhadores conscientes não precisam de brindes nem de artistas globais para reivindicarem seus direitos”, denunciavam em coro.

por Jaime Carlos Patias

Fonte: Revista Missões

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