terça-feira, 21 de julho de 2009

12º INTERECLESIAL DAS CEBs CEBs e Missão – Do Ventre da Terra, O Grito que vem da Amazônia – Porto Velho/RO Mais de 3 mil pessoas estão inscritas pa


CEBs e Missão – Do Ventre da Terra, O Grito que vem da Amazônia – Porto Velho/RO

Mais de 3 mil pessoas estão inscritas para o 12° Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que começa na próxima terça-feira, 21, em Porto Velho (RO). A maioria dos inscritos são delegados escolhidos para representar as 272 dioceses do Brasil, organizadas nos 17 regionais da CNBB. Desse número fazem parte ainda 94 representantes dos povos indígenas, 61 da América Latina, 32 jornalistas, 53 bispos, 35 convidados, 97 assessores.

Uma das características das CEBs é o uso de símbolos nos seus encontros e celebrações. Até o 11° Encontro, realizado na cidade mineira de Ipatinga em 2005, a imagem usada para os Intereclesiais era a de um trem e seus vagões. Em Porto Velho, esta imagem muda para barco, numa referência à realidade da Amazônia.

Estamos aqui, 22 delegados da Diocese, para ouvir as vozes, tão diversas, do povo da floresta, dos ribeirinhos, dos povos indígenas, da flora e da fauna. É próprio do Discípulo a escuta, para agir mais efetivamente no chão que se pisa. Aqui é o coração da Amazônia, mas AA, na Diocese, também se estabelece a necessidade, seguida da missão, de cuidar e promover o ser humano, a natureza e o cosmos. Aí também é Amazônia, no quintal ou dentro de casa, na vizinhança e no trabalho, no lazer e nas relações fraternas...

Quando chegamos aqui ouvi de uma pessoa qye há 20 anos não era tão quente assim (o clima). De fato, aqui é quente todo tempo, mas está ficando mais quente; isso por causa do AQUECIMENTO GLOBAL. Veja que incrível e desafiante, o que apresenta Leonardo Boff, no Texto Base do 12º Intereclesial: os dados do Pinel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) órgão da ONU que acompanha os climas da Terra, nos mostram que não estamos indo ao encontro do aquecimento global. Já estamos dentro dele. O aquecimento vai vacilar entre 1,4 a 6 graus Celcius, provavelmente se fixando entre 2 ou 3 graus. Tal fato trará grandes transformações e desequilíbrios por toda a Terra. As bases da segurança global estão ameaçadas. A Carta da Terra, fruto de uma consulta mundial durante 8 anos (de 1992-2000), um dos documentos mundiais mais importantes do ponto de vista ético e espiritual, já assumido pela Unesco em 2000, diz: “A escolha é nossa, ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e cuidar dos outros ou arriscar a nossa destruição e a destruição da diversidade da vida” ... Por volta de 2040, a situação poderá em algumas regiões ser insuportável. Então se seguiria a era das devastações em massa, podendo dizimar 80% da população humana... Numa situação dessas, fica bem claro que nós já não seremos mais bem-vindos na Terra e seremos rejeitados por ela. De todas as formas, o desafio é evitar o caráter catastrófico do aquecimento global... Estando as coisas assim, a grande questão é: em que medida as Igrejas e as CEBs colaboram para garantir um futuro de esperança e de vida?... “A Igreja deve ir com coragem para o novo e para o ainda-não-experimentado até o extremo limite, até hoje, para uma doutrina e consciência cristãs, clara e indiscutivelmente não se pode ir além. Na prática da Igreja hoje, o único caminho mais seguro (...) permitido é o da ousadia. O seguro hoje não é ,ais o passado, mas o futuro. Se há alguma instituição que pode ousar até esse ponto, essa então é o Cristianismo, expresso em múltiplas Igrejas, porque se sabe conduzido pelo Espírito que o leva de verdade em verdade. Quanto mais se apoiar só em si mesmo e preferentemente no seu passado, mais corre o risco de ser infiel aos apelos do Senhor presente pelos sinais dos tempos e infiel aos povos da Terra” (Karl Rahner), em 1966).

Daqui há 1hora e 10 minutos se dará a aberturo desta grande celebração, na Pça Madeira Mamoré, às 19h. Hoje (dia 21 de julho) faremos memória do Trem das CEBs, proclamaremos a Palavra de Deus, já conheceremos um poço dos povos que compõem a Amazônia e faremos uma grande Ação de Graças e partilha...

Pe. Ronildo, assessor diocesano das CEBs.

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