sábado, 25 de julho de 2009

Amazônia foi tema de coletiva com Marina Silva, no 12º Intereclesial

Amazônia foi tema de coletiva com Marina Silva, no 12º Intereclesial

25/07/2009 | Adital

terra indígena roraimense culminasse na demarcação aprovada, mas com 18 condicionantes, criticadas veementemente por todas as lideranças da região. Uma delas impede, inclusive, que os índios explorem suas terras

"Arroz se planta em qualquer lugar, mas a constituição cultural de um povo não". Essa foi uma das muitas falas afiadas da senadora Marina Silva, durante a coletiva concedida na manhã de hoje (24), dentro da programação do 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base. A coletiva contou ainda com os importantes depoimentos de Antônia Mendes, da Conferência dos Religiosos do Brasil; e de Dom Roque Paloschi, bispo de Boa Vista (RR).

A demarcação em área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi abordada por Dom Roque Paloschi, Jaime C. Patias Senadora Marina Silva que acompanhou todo o processo até que a luta das cinco etnias que formam a

para obter recursos minerais.

Segundo ele, o caso Raposa Serra do Sol - cuja demarcação levou mais de 30 anos para ser conseguida - representa bem o tratamento dado aos povos indígenas, que sempre são relegados. "Foi um processo de muita luta, uma luta pacífica e perseverante, que resultou numa vitória", disse.

Paloschi falou ainda que as Comunidades Eclesiais de Base têm aprendido muito com os povos indígenas. "É um grande aprendizado. Os povos têm nos ensinado muito. Não há crianças abandonadas, não há idosos isolados, não há exclusão. Há a fraternidade, a defesa da vida", falou.

Irmã Antônia Mendes é ribeirinha, quilombola e seringueira. Além disso pertence à Conferência dos Religiosos do Brasil. Com conhecimento de causa, falou sobre a grande dívida que o Estado de Rondônia tem para com os quilombolas, não os reconhecendo nem em sua própria história. "Quando os migrantes chegaram, aqui já existiam os quilombolas enquanto Igreja, sociedade, enquanto povo. Somos um povo que resiste pela fé", afirmou.

Tratou ainda do desenvolvimento predador que se instalou em Rondônia com as hidrelétricas. Fez menção a Celebração Penitencial, que aconteceu anteontem às margens do que antes era o Rio Madeira e onde agora existe um imenso canteiros de obra. "As hidrelétricas não mudaram só o curso do Rio, elas estão matando culturas, matando nossa história", desabafou.

A senadora Marina Silva foi o centro da coletiva. Com base nos depoimentos anteriores, ela criticou o modelo de desenvolvimento vigente na Amazônia, as 18 condicionantes que, de certa forma, impõem limites à administração indígena em Raposa Serra do Sol; discordou da Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária na região, chamou a atenção para os níveis de CO2 emitidos no planeta; além de vários outros assuntos que foram instigados pelos jornalistas presentes.

Originária das Comunidades Eclesiais de Base, a ex-ministra falou sobre o respeito que se deve ter à cosmovisão indígena. Pegando como exemplo a reserva Raposa Serra do Sol, alvo de muitas discussões sobre conceder ou não milhares de hectares de terras para índios, sob o argumento de que os povos não saberiam administrá-la, Marina foi incisiva. Disse que os monocultivos podem ser realizados em terras diferentes, em qualquer espaço que não as terras pertencentes aos povos indígenas.

"Arroz se planta em qualquer lugar do mundo, mas a constituição cultural de um povo não. Não se pode levar para outro lugar, está lá. A visão cultural de um povo, a cosmovisão que esse povo tem, precisa ser respeitada. É um absurdo que não se leve isso em consideração".

Outro ponto bastante discutido foi a Medida Provisória 458 que, na prática, legaliza a situação de grileiros na região. Para Marina, esta medida "é uma das piores coisas desde que os governos militares começaram a campanha do integrar para não entregar". Trata-se, acrescenta, de uma bomba relógio.

"Agora que o país não está crescendo, talvez a gente não perceba os efeitos imediatos de repassar 67 milhões de hectares para particulares sem ter o cuidado de separar o joio do trigo, mas quando o país voltar a crescer nós vamos ver o que vai acontecer", sentenciou.

A senadora denominou de "equívocos" várias partes da Medida. O principal deles diz respeito ao fato de a MP dispensar vistoria. "Como é que você repassa 67 milhões de hectares de terra,equivalente ao patrimônio de 70 bilhões de reais, quatro vezes o patrimônio do Banco do Brasil, dizendo que dispensa vistoria e que o processo é declaratório? Por acaso alguém vai chegar e declarar que ele não tem direito, que ele usou de violência, que ele é grileiro? Isso não seria regularização fundiária na terra, seria no céu".

Finalizou dizendo que como os retrocessos no Governo no que diz respeito ao Meio Ambiente não param, isto é sina de que a luta ainda será árdua e necessária.

As matérias sobre o 12º Intereclesial das CEBs são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008.

Fonte: www.adital.com.br

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