sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tributo ao cantor e compositor Zé Martins Frei Gilvander Moreira

Tributo ao cantor e compositor Zé Martins

Canta comigo. Cante esta canção, pois cantando sonharemos juntos pra fazer o mundo mais irmão... Eu quero acreditar na vida, ver o sol em cada amanhecer, ter no rosto um sorriso amigo, acreditar que o sonho é pra valer.” (Música “Eu quero acreditar”, de Zé Martins)

Quem tem assim um pai apaixonado não fica só nem termina abandonado...” (Música “Pai Apaixonado”, de Zé Martins)

Liberdade vem e canta e saúda este novo sol que vem. Canta com alegria o escondido amor que no peito tens. Mira o céu azul, abraço aberto pra te acolher.” (Música “Liberdade”, de Zé Martins).

Olha o reino de Deus chegando, ele já está aqui, é o amor se concretizando, fazendo o povo feliz...” (Música “Tempo de Deus”, de Zé Martins).

Sentindo já uma grande saudade tenho a ousadia de quebrar o silêncio, respeitoso e reverente, para recordar um pouco da grandeza espiritual e cultural que Zé Martins legou ao povo cristão. Suas músicas libertadoras cantarão para sempre em meu ser. Estar ao lado de Zé Martins em assessoria de Encontros de CEBs – Comunidades Eclesiais de Base - foi uma bênção que nunca esquecerei. Tive a graça de partilhar alguns momentos inesquecíveis de convivência com este amigo, companheiro, pastor e profeta, semeador de esperança, de fraternidade, de justiça e de amor. Tudo isso a partir da forma como nos fez ver a vida cristã em suas composições. No som e na letra das suas músicas.

José Martins de Paula – o nosso cantor e compositor mineiro Zé Martins – morreu e ressuscitou, aos 49 anos, na noite do dia 16 de outubro de 2009, em Pouso Alegre, MG, onde foi sepultado. Mesmo tendo uma Tuberculose Cerebral em 2002, que foi vencida com muita garra, conseguiu realizar vários projetos e sonhos, como: ingressar na faculdade de Direito, coordenar a equipe de Canto do 11º Intereclesial das CEBs, em Ipatinga, MG, em julho de 2005; assessorar brilhantemente a Equipe de Canto do 12º Intereclesial das CEBs, em Porto Velho, RO, em julho de 2009; e Viver, simplesmente viver e conviver ...

Nos últimos três dias de vida, foi acometido por uma infecção generalizada que o levou precocemente para a eternidade. Em 24 de março de 1960, nascia Zé Martins em São João do Manteninha, MG. Filho de Alício, um alfaiate e de Esmeralda, uma costureira, era o mais velho em uma família de 10 filhos. Casado há 17 anos com Ângela Garcia de Carvalho com quem teve duas filhas: Betânea (13 anos) e Beatriz (16 anos). A essas Zé Martins somava mais uma, Bárbara, filha de Ângela, do primeiro casamento dela, considerada uma filha e que lhe deu o

único neto que conheceu em vida, João Gabriel, “alegria de sua vida”, filho de Bárbara e Emerson.

Zé Martins era um apaixonado com a vida; tinha uma vontade enorme de viver. Superou muitas dificuldades” sussurra Ângela, entre lágrimas.

Além de compositor de aproximadamente 1200 músicas religiosas, Zé Martins foi religioso jesuíta, estudou filosofia e teologia. Estava cursando Direito (6º período) e dizia-se decidido a se tornar um juiz de direito. Sempre muito ligado às CEBs integrava a equipe de articulação das CEBs mineiras. Tinha laços estreitos com as Pastorais da Juventude do Brasil.

Zé Martins foi o editor de 49 edições da Revista de Canto Pastoral EM CANTAR[1], que tem como objetivo apresentar canções de cantores e compositores das Comunidades cristãs para evangelizar através da música.

Zé Martins participou do Grupo MARCA – Movimento de Artistas da Caminhada -, cultivando grande amizade com os cantores Zé Vicente, Padre Zezinho, Irmã Sílvia, Socorro Lira, Vera Lúcia, Babi Fonteles, Roberto Malvezzi (Gogó), João Bento e muitos outros.

Gravou três CDs pelas Edições Paulinas-COMEP (38 músicas):

1) Certezas (1994); 2) Seguindo (1999); 3) Pra festa jamais acabar (2002).

Criou com Ângela (grande parceira dele) o CENOR – Centro Oscar Romerowww.estudiocenor.com.br – pelo qual gravou os seguintes CDs: a) Maria Mãe (Cantos de Nossa Senhora); b) Eu Digo Sim (Cantos Vocacionais); c) Jesus é o Presente (Missa de 1ª Eucaristia); d) Jesus, Deus Conosco (Cantos para celebrar o Natal).

Zé Martins lançou também três coleções de CDs com livrinhos de cantos: 1) Missas e salmos do Tempo Comum; 2) Missas especiais (do Coração de Jesus, Missa Vocacional, Missa da Bíblia, Missa do Crisma); 3) Cantos para Quaresma, Semana Santa e Páscoa. Ele estava preparando novas coleções de músicas.

De 26 a 29 de julho de 2007, Zé Martins havia ajudado na assessoria do 5º Encontro Mineiro das CEBs, em Uberlândia, MG, que teve como tema “CEBs, ECOLOGIA E MISSÃO” e como lema “na construção de uma sociedade sustentável a serviço da vida.” Naquele encontro, Zé Martins foi a liderança na coordenação da animação, sempre incentivando os novos cantores e artistas. Nunca quis brilhar sozinho. Deve-se divulgar que no final do encontro, no momento de avaliação, ao percebermos que tínhamos ficado com dívidas, foi o primeiro a repassar todo o dinheiro que ele tinha conseguido com a venda de seus CDs para ajudar no pagamento das despesas do encontro. Nunca se preocupou em acumular riquezas.

Zé Martins revelou também o grande compromisso e paixão que o movia no apoio à APAC – Associação de Proteção e Amparo aos Condenados - de Pouso Alegre, dedicando-se a esse projeto de todo o coração. Acreditava no ser humano.

O compositor e cantor João Bento, primo de Zé Martins, agradece ao Zé Martins pela publicação de quase 100 canções de sua autoria na Revista EM CANTAR e nos recorda: “Zé Martins foi um autêntico cristão, militante, pois, ainda jovem, foi até preso na defesa dos ideais de libertação. Foi um evangelizador libertador. Um sonhador que colocou quase todos seus ideais em prática. Um filho amoroso, um esposo companheiro, um pai muito apaixonado. Era também um humorista, gostava de contar “causos” e piadas. Uma pessoa bem-humorada.”

Elisiê, irmã caçula de Zé Martins, diz: “Perdi mais que um irmão, perdi também um pai, um amigo. O Zé, por ser o mais velho, virou nosso patriarca depois que nosso pai faleceu e mesmo morando em outra cidade, era sempre presente.”

Zé Martins gostava de definir as CEBs assim: “As CEBs são um nível eclesial fundamental onde os batizados vêem sua fé de modo comunitário, profético e missionário numa opção preferencial pelos pobres denunciando o sistema capitalista e animando a todos para a construção de uma sociedade orientada pela utopia do Reino de Deus”.

Obrigado Zé Martins! Partilhando vida em plenitude – vida eterna e terna -, ao lado de Irmã Dorothy, Dom Hélder, Dom Luciano, Dom Oscar Romero e “144 mil”, você continuará muito vivo em nós, no nosso meio, mesmo na ausência física. Tentaremos vivenciar os valores tão nobres que você testemunhou ao longo dos seus bem vividos 49 anos.

Cantaremos com você pra fazermos um mundo mais irmão!

No link, abaixo, Homenagem das CEBs de São José dos Campos a Zé Martins:

http://video.tiscali.it/canali/truveo/86267477.html

Contato com a família pode ser através de Elisiê Martins de Paula, pelo e-mail: elisiemartins@ymail.com



Frei Gilvander Moreira


Carmelita, mestre em Exegese Bíblica, professor de teologia Bíblica, assessor da CPT, CEBI, CEBs, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.brwww.gilvander.org.br




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