sábado, 19 de dezembro de 2009

Padre Toninho transformou-se num orixá




Faleceu ontem, às 21h30min Padre Antônio Aparecido da Silva, em consequência de um AVC sofrido no último sábado. Pe. Toninho, como era conhecido, se destacou pelo combate a toda e qualquer forma de discriminação racial. Sobre ele, Pe. Clovis Cabral escreveu um bonito texto, que pulicamos a seguir.
Companheiros, Companheiras,
Axé!
“Não creio que as pregações ideologicamente interessadas tenham sido determinantes e fatais para a compreensão da figura de Jesus Cristo na Comunidade Negra. Desde cedo,os negros perceberam a singularidade de Jesus, a sua mística divino-humana, a sua solidariedade com os pobres, e seu projeto de libertação-salvação. Em outros termos, os negros perceberam que a Igreja Católica, no Sul, e as Igrejas Protestantes,no Norte, embora vivendo em meio à escravidão e contaminando-se com ela, eram, entretanto, portadoras de uma grande mensagem, à qual elas mesmas eram devedoras. Uma mensagem que as superava enquanto entidades de fé: ‘santas e pecadoras’” (1)


Hoje [17/12/2009], às 21:30hs [horário de Brasília – horário de verão], faleceu na Cidade de Parapuã-SP, nosso irmão, companheiro, amigo, pai; o sacerdote orionita Pe. Antônio Aparecido da Silva: PATRIARCA DA PASTORAL AFRO-BRASILEIRA.
Nascido no dia 28 de novembro de 1948, em Lupércio, pequena cidade do interior de São Paulo; viveu uma boa parte de sua infância e juventude em Parapuã, outra pequena cidade do interior de São Paulo; onde será sepultado, amanhã[18/12], às 10:30hs. Tinha 33 anos de vida sacerdotal e pertencia a Ordem Religiosa da Pequena Obra da Divina Providência [Orionitas].
“A ressurreição, enquanto acontecimento totalizante e totalizador, instauradora de um novo messianismo e da vigência atual e escatológica do Reino, torna-se ponto de encontro e plenificação de todos os anseios e aspirações. A ressurreição é um fato globalizante, uma sementeira jogada sobre o universo. Deus nos ‘escolheu em Cristo antes de criar o mundo’, nos diz a Carta aos Efésios,’ derramou abundantemente sobre nós’ a sua graça (cf. Ef 1,4.6). Portanto, a ressurreição é o lugar da convergência, assim como a cristologia é a plenificação de todas as antropologias. (2)
Aqui em Recife, na Universidade Católica de Pernambuco[UNICAP], muitos se recordaram imediatamente de suas passagens por nossas terras pernambucanas; ministrando aulas, assessorando encontros diversos ou descansando simplesmente, como fez em julho passado. A saudade é grande e como nos ensina a poetisa, queremos “fazer das lembranças um lugar seguro”
Toninho vive! Homens e mulheres que viveram como ele, não morrerão nunca; nossa memória alcança neste momento: Zumbi dos Palmares, Martin Luther King, Jônatas da Conceição, Mãe Menininha do Gantois, Vilma da Portela, Mestre Neguinho do Samba, Ekedi Cremilda Barbosa, Pixinguinha, Bakita, N’há Chica, Pe. Vitor, Dom Jairo Rui Matos, Pe. Edir Soares, Pe. Mauro Batista, Pe. Heitor Frisotti, Pe. François L’Espinay, Pe. Batista, Pe. Tião, Dom Helder Câmara, Monsenhor Pandolfo, Pe. Mauricio.
Ele mesmo nos ensinou: “A comunidade é, portanto, o ponto de referência na vida e na morte: Quem vive comunitariamente, não morre jamais. Ao terminar os seus dias, permanece na comunidade como Ancestre. Ao contrário, quem vive de maneira exclusivista, egoisticamente, morre e não se torna nada mais que um cadáver”. (3)
Toninho está em boa companhia, ele agora é um ancestral nosso. Toninho transformou-se num Orixá. Axé para Pe. Toninho!
Permaneçamos unidos em oração,
Pe. Clovis Cabral, SJ
fonte: unisinos.br/blog/.../padre-toninho-transformou-se-num-orixa/ - 5 horas atrás
Notas:
(1) SILVA, Antonio Aparecido da. “Jesus Cristo luz e libertador do
povo afro-americano”; no livro por ele organizado: Existe Um Pensar
Teológico Negro? São Paulo: Paulinas/Atabaque, 1998,p.39.
(2) Idem, p.47
(3) Ibidem, p.50
 
Fonte:texto enviado por e-mail Sandrinha das CEBs estadual 

Nenhum comentário: