sábado, 25 de julho de 2009

Testemunhos proféticos emocionam participantes do Intereclesial

Testemunhos proféticos emocionam participantes do Intereclesial

em 25/07/2009 02:05:57 (325 leituras)

Público emocionadoO ginásio do SESI de Porto Velho foi palco, nesta sexta-feira, de um dos eventos mais aguardados do 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs): “os testemunhos proféticos”. Foram escolhidos pela coordenação do Intereclesial para relatar sua experiência de vida o arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires; o bispo emérito de Goiás (GO), dom Tomás Balduíno e a senadora, Marina Silva.

O ginásio estava com a sua capacidade plena alcançada, três mil pessoas. Primeiro a falar, dom José Maria Pires, na verdade não contou somente a sua trajetória de vida, mas a trajetória dos negros no Brasil. O arcebispo relatou as humilhações e o constrangimento que sofreu enquanto jovem.

Dom José Maria PíresApelidado de “bispo zumbi”, uma referência a Zumbi dos Palmares (famoso escravo criador do primeiro quilombo do Brasil e líder de uma revolução contra a escravidão), dom José Maria ressaltou a importância dos negros na formação social e cultural brasileira. “O negro sempre foi subjugado, considerado pessoa de segunda categoria e, muitas vezes, tratado pior do que animais. Essa inferioridade moral em nós foi posta ao longo dos séculos e vem, paulatinamente, sendo desconstruída. Por incrível que pareça, as humilhações nos transformaram em pessoas extremamente perseverantes e determinadas. Hoje, em nossa cultura, há traços afro-descendentes em todos os aspectos imagináveis, da arte à música”, sublinhou. O arcebispo foi interrompido diversas vezes pelos aplausos emocionados dos presentes.

Marina SilvaA senadora Marina Silva contou, de forma resumida, a sua vida, desde a infância até os dias atuais. A senadora conseguiu emocionar a todos, principalmente a delegação do Acre, seu estado natal. “Nasci em um seringal, que fica aproximadamente 11 horas da margem do rio mais próximo e 22 horas de distância de barco até Rio Branco. Sou a terceira filha de 11 irmãos. Desde que nasci sofria com doenças tropicais e vivi boa parte de minha juventude e adolescência em regime de semi-escravidão. Com hepatite, aos 16 anos segui para a capital para tratar de minha saúde e para estudar. Era empregada doméstica quando conheci Chico Mendes em um curso. Entrei para a Comunidade Eclesial de Base, que Chico estava desenvolvendo no interior do Acre. Nesta minha batalha não posso deixar de agradecer também a dom Moacyr Grechi, pois quando jovem ia às missas em Rio Branco que ele celebrava e a figura dele foi muito inspiradora para mim. Quando posso venho cumprimentá-lo e agradecer-lhe por isso”, relatou Marina.

Dom Tomás BalduínoEm vídeo gravado especialmente para o Intereclesial, o bispo emérito de São Felix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga, deixou seu testemunho e saudou o povo das CEBs. “Deixo meu abraço mais forte e solícito a todos, e que Deus possa sempre iluminar o coração dos que fazem das CEBs o que elas são: uma potência dentro da nossa Igreja”.

subiu ao palco para contar a vida de dom Pedro, seu “afilhado”. “Dom Pedro é um grande homem e tenho orgulho enorme de ser seu padrinho. Uma pessoa reta, digna e de um caráter fora do normal. Nascido na Itália, mas com o coração e o espírito brasileiros”, afirmou dom Tomás.


Fonte CNBB


“Trem das CEBs” segue de Porto Velho para o Ceará

“Trem das CEBs” segue de Porto Velho para o Ceará

em 25/07/2009 14:50:51 (101 leituras)

Nordeste 1Com o voto de nove regionais da CNBB, o estado do Ceará foi escolhido para acolher o 13° Encontro Intereclesial das CEBs, em 2013. Além do Ceará (Regional Nordeste 1 da CNBB), São Paulo (Sul 1), com dois votos, e Paraná (Sul 2), com seis votos, concorreram para sediar o próximo intereclesial.

O anúncio do Ceará como sede do 13° Intereclesial foi recebido com muita festa pelos nordestinos e demais participantes do encontro.
Crato será a diocese anfitriã.

Às 15h (horário local), terá início a caminhada dos participantes do encontro em direção ao Estádio Aloísio Ferreira onde haverá a missa de encerramento. Durante a missa, os 17 regionais da CNBB apresentarão os compromissos assumidos neste encontro.


Lideres de diversas religiões rezam e assumem compromissos pela paz no Intereclesial

Lideres de diversas religiões rezam e assumem compromissos pela paz no Intereclesial

25/07/2009 | CNBB

CelebraçãoO último dia do 12º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que acontece em Porto Velho desde o dia 21, começou com um apelo pela paz, feito por líderes de oito religiões. Os religiosos assumiram o compromisso de lutar pela paz.

Geraldo Martins Líderes de diversas religiões e igrejas em oração

"O grito que vem da Amazônia só será ouvido se as religiões se derem as mãos", afirmou o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Geraldo Lyrio Rocha, representante da Igreja Católica. "Chega de divisão, de preconceito e de guerras por motivos religiosos. Chega de ódio por projeção distorcida da verdade que liberta", disse.

Dom GeraldoDom Geraldo concluiu lembrando o papa João XXIII ao afirmar que o caminho da paz passa pela busca da liberdade, da verdade, da justiça e do amor. "A guerra não pode ser motivada pelas religiões", concluiu o presidente.

O mulçumano Mohamad Zaglout apontou a discriminação das religiões como empecilho à paz. "Todas as religiões possuem a mesma mensagem: paz amor e submissão ao Deus único", considerou. Na sua opinião, conhecer a religião do outro ajuda a construir a paz. "É preciso buscar conhecer não só a própria religião, mas também a do outro, sem discutir princípios.

Para os indígenas, a paz significa o respeito ao direito dos povos indígenas, especialmente, o da demarcação de suas terras. "A paz que nós indígenas queremos é que todas as terras indígenas sejam demarcadas", disse a líder Hosana Puruborá.

Indígena"Deus, que cuida da criação, pode ser encontrado em todas as religiões", disse o pastor luterano, Alan Shulz, representante do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil.

Participaram ainda da celebração pela paz um representante do Centro Judaico de Rondônia, José Elarrat; um representante da Igreja Ortodoxa, Mikhael Esber; um representante da Nação Ketu e Babalorixá, Hilton da Veiga Monteiro,e um representante da Igreja Unida do Japão.

Fonte: www.cnbb.org.br

O diálogo com os afro-descendentes, uma tentativa de reparar a história

O diálogo com os afro-descendentes, uma tentativa de reparar a história

25/07/2009 | Karla Maria, em Porto Velho

O diálogo interreligioso é uma das características das CEBs na América Latina. Como prática desta postura, o 12º Interecesial incluiu em sua programação uma visita dos participantes à casa de candomblé Ile Ase Ogun Dajulekan, na cidade de Porto Velho. A visita aconteceu na quinta-feira, no dia dedicado à missão.

Cheia de cor e axé, o babalorixá Hilton Veiga Monteiro recebeu aproximadamente 150 delegados do Intereclesial dispostos a conhecer o outro, ouvir e aprender com as práticas e espiritualidades locais. Tiveram ainda a oportunidade de aprofundar e adquirir novos conhecimentos, tirar dúvidas e mitos que alimentam o pré-conceito em relação às religiões afro-descentes.

KarlaMaria Missão na casa de Candomblé Ile Ase Ogun Dajulekan O pai de santo Hilton da casa Ile Ase Ogun Dajulekanque, acolheu os delegados com uma palestra sobre a origem do candomblé e respondeu às perguntas dos visitantes. Afirmou que o candomblé desde sempre defendeu o meio ambiente, por considerar que os orixás estão presentes nos quatro elementos da natureza (água, fogo, terra e ar). Quando questionado sobre a importância do 12° Intereclesial das CEBs, pai Hilton foi claro: "precisamos de união e este é um momento de união, de um só grito pela ecologia, pela natureza".

Hilton está no candomblé há 52 anos e há nove é pai de santo. Em entrevista revelou que a população brasileira desconhece as religiões e essa falta de conhecimento gera o pré-conceito. Ele se colocou à disposição para esclarecer aspectos da cultura.

Maria Aparecida, delegada amazonense da Prelazia de Lábrea estava presente na missão. Para ela "a Igreja está aceitando a realidade do povo, ela deve defender e valorizar o negro e sua cultura", afirmou. Disse ainda ver a CEBs como a uma porta de acolhida dos irmãos de religião afro-descendente para a Igreja Católica.

Para as visitas missionárias os delegados foram divididos em 11 grupos que se deslocaram para comunidades de povos indígenas, agrícolas, extrativistas, ribeirinhas, comunidades de ocupação, Casas de detenção, hospitais, Casa do Menor, bairros da periferia de Porto Velho, Casa de pessoas com deficiência e Casa de Recuperação de pessoas com dependência química.

Fonte: Revista Missões

Amazônia foi tema de coletiva com Marina Silva, no 12º Intereclesial

Amazônia foi tema de coletiva com Marina Silva, no 12º Intereclesial

25/07/2009 | Adital

terra indígena roraimense culminasse na demarcação aprovada, mas com 18 condicionantes, criticadas veementemente por todas as lideranças da região. Uma delas impede, inclusive, que os índios explorem suas terras

"Arroz se planta em qualquer lugar, mas a constituição cultural de um povo não". Essa foi uma das muitas falas afiadas da senadora Marina Silva, durante a coletiva concedida na manhã de hoje (24), dentro da programação do 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base. A coletiva contou ainda com os importantes depoimentos de Antônia Mendes, da Conferência dos Religiosos do Brasil; e de Dom Roque Paloschi, bispo de Boa Vista (RR).

A demarcação em área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi abordada por Dom Roque Paloschi, Jaime C. Patias Senadora Marina Silva que acompanhou todo o processo até que a luta das cinco etnias que formam a

para obter recursos minerais.

Segundo ele, o caso Raposa Serra do Sol - cuja demarcação levou mais de 30 anos para ser conseguida - representa bem o tratamento dado aos povos indígenas, que sempre são relegados. "Foi um processo de muita luta, uma luta pacífica e perseverante, que resultou numa vitória", disse.

Paloschi falou ainda que as Comunidades Eclesiais de Base têm aprendido muito com os povos indígenas. "É um grande aprendizado. Os povos têm nos ensinado muito. Não há crianças abandonadas, não há idosos isolados, não há exclusão. Há a fraternidade, a defesa da vida", falou.

Irmã Antônia Mendes é ribeirinha, quilombola e seringueira. Além disso pertence à Conferência dos Religiosos do Brasil. Com conhecimento de causa, falou sobre a grande dívida que o Estado de Rondônia tem para com os quilombolas, não os reconhecendo nem em sua própria história. "Quando os migrantes chegaram, aqui já existiam os quilombolas enquanto Igreja, sociedade, enquanto povo. Somos um povo que resiste pela fé", afirmou.

Tratou ainda do desenvolvimento predador que se instalou em Rondônia com as hidrelétricas. Fez menção a Celebração Penitencial, que aconteceu anteontem às margens do que antes era o Rio Madeira e onde agora existe um imenso canteiros de obra. "As hidrelétricas não mudaram só o curso do Rio, elas estão matando culturas, matando nossa história", desabafou.

A senadora Marina Silva foi o centro da coletiva. Com base nos depoimentos anteriores, ela criticou o modelo de desenvolvimento vigente na Amazônia, as 18 condicionantes que, de certa forma, impõem limites à administração indígena em Raposa Serra do Sol; discordou da Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária na região, chamou a atenção para os níveis de CO2 emitidos no planeta; além de vários outros assuntos que foram instigados pelos jornalistas presentes.

Originária das Comunidades Eclesiais de Base, a ex-ministra falou sobre o respeito que se deve ter à cosmovisão indígena. Pegando como exemplo a reserva Raposa Serra do Sol, alvo de muitas discussões sobre conceder ou não milhares de hectares de terras para índios, sob o argumento de que os povos não saberiam administrá-la, Marina foi incisiva. Disse que os monocultivos podem ser realizados em terras diferentes, em qualquer espaço que não as terras pertencentes aos povos indígenas.

"Arroz se planta em qualquer lugar do mundo, mas a constituição cultural de um povo não. Não se pode levar para outro lugar, está lá. A visão cultural de um povo, a cosmovisão que esse povo tem, precisa ser respeitada. É um absurdo que não se leve isso em consideração".

Outro ponto bastante discutido foi a Medida Provisória 458 que, na prática, legaliza a situação de grileiros na região. Para Marina, esta medida "é uma das piores coisas desde que os governos militares começaram a campanha do integrar para não entregar". Trata-se, acrescenta, de uma bomba relógio.

"Agora que o país não está crescendo, talvez a gente não perceba os efeitos imediatos de repassar 67 milhões de hectares para particulares sem ter o cuidado de separar o joio do trigo, mas quando o país voltar a crescer nós vamos ver o que vai acontecer", sentenciou.

A senadora denominou de "equívocos" várias partes da Medida. O principal deles diz respeito ao fato de a MP dispensar vistoria. "Como é que você repassa 67 milhões de hectares de terra,equivalente ao patrimônio de 70 bilhões de reais, quatro vezes o patrimônio do Banco do Brasil, dizendo que dispensa vistoria e que o processo é declaratório? Por acaso alguém vai chegar e declarar que ele não tem direito, que ele usou de violência, que ele é grileiro? Isso não seria regularização fundiária na terra, seria no céu".

Finalizou dizendo que como os retrocessos no Governo no que diz respeito ao Meio Ambiente não param, isto é sina de que a luta ainda será árdua e necessária.

As matérias sobre o 12º Intereclesial das CEBs são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008.

Fonte: www.adital.com.br

Análise de Conjuntura – 12º Intereclesial

Análise de Conjuntura – 12º Intereclesial


Escrito por Administrator
Sáb, 25 de Julho de 2009 14:09

Um pequeno agricultor do sul de Minas, que havia plantado eucalipto para atender as demandas da carvoaria local, está em grande dificuldade: a carvoaria parou de fazer carvão. Parou por quê? Porque a siderúrgica parou de fazer ferro-gusa para exportar. E parou porque a China não compra mais, porque a construção civil quase parou. E por que parou? Porque quem tinha dinheiro, aplicou no mercado financeiro e desde a quebra de bancos nos EUA o valor das aplicações despencou. Os investidores estão esperando até os títulos recuperarem seu valor para então venderem e investirem na construção dos grandes edifícios. E apesar dos trilhões de dólares injetados pelos governos nos bancos para evitar sua quebra, os títulos não recuperaram seu valor. Se o capital financeiro, que é quem puxa o trem da produção pára, o trem todo pára ou, pelo menos, diminui muito a marcha. É isto, em suma, a crise que estamos vivendo hoje no mercado globalizado: se a China desiste de construir grandes edifícios, o plantador de eucalipto no sul de Minas não tem para quem vender sua lenha.

O foco do debate: a natureza da crise

Ninguém tem dúvidas sobre a causa da atual crise: a irresponsabilidade de agentes do mercado financeiro, que aproveitaram a liberdade do mercado globalizado para obterem lucros fantásticos: lucrar sem produzir, só negociando papéis (derivativos).

O que está em debate é a própria natureza da crise. A grande mídia nos dá a visão dos economistas e políticos dos países ricos, que veem nela uma ocorrência normal no sistema capitalista, cujo crescimento alterna tempos de expansão e de contração da economia. Os estudiosos sabem que já houve 46 crises no sistema capitalista desde 1790. Elas funcionam como fator de correção do mercado. O neoliberalismo foi atingido no coração e desta crise surgirá um capitalismo mais regulado pelo Estado, com menor especulação e mais responsabilidade ecológica e social. Por isso, os economistas dizem que é preciso evitar o “alarmismo” e recuperar a confiança no setor financeiro. Em termos práticos, isso significa injetar uma enorme quantidade de fundos públicos em socorro de bancos e empresas para tranquilizar o mercado e reativar a economia. Esta foi a tônica da reunião do G-20, em Londres, no início de abril.

Esta é também a linha política do governo Lula. A China parou de comprar nosso ferro-gusa? Então o mercado interno vai comprar, com o estímulo do Programa Nossa Casa, do PAC com grandes obras de engenharia e o estímulo à exportação de soja, etanol, minérios e muito mais, até que entre em atividade a exploração do petróleo no pré-sal, fato que vai mudar a economia brasileira. Para o governo, daqui a pouco nosso plantador de eucalipto estará bem de vida e com ele todos os que quiserem trabalhar neste país: o Brasil caminha seguramente para ser primeiro mundo. Não é por acaso que a mensagem do presidente é: vamos investir com firmeza, que esta onda passará e o Brasil voltará a crescer. Esta é a mesma mensagem dos grandes empresários e banqueiros: com crescimento econômico, resolveremos os problemas da miséria, da fome, do lixo, do aquecimento global, da poluição da terra e das águas e tudo mais...

Separar a economia da política, é como alguém que sobe um rio em busca da Terra sem males e, ao se deparar com uma corredeira, desembarca e diz: “Já avançamos muito, mas não dá pra seguir adiante; sejamos realistas: temos que conviver com o agronegócio, com os transgênicos, com os agrotóxicos, com as grandes hidrelétricas e com a exportação dos nossos recursos naturais e minerais.”

Outra visão

Acontece que esta crise não é apenas econômica e financeira. Está embutida num conjunto de crises que a tornam muitíssimo mais grave. É só pensar no déficit energético, no aquecimento global, na perda da biodiversidade, na escassez de água, na ausência de governança global e no esvaziamento ético da economia e da política. Ela atinge a própria estrutura do sistema: o mercado produtivista e consumista regido pela lógica do lucro. Esse ponto de vista não está nas empresas e bancos, mas vem dos Movimentos Sociais que se identificam com o Fórum Social Mundial e proclamam que “um outro mundo é possível”. Ela está sendo elaborada por intelectuais a eles ligados, mas é pouquíssimo difundida na grande imprensa. Para conhecê-la, é preciso procurar nos meios alternativos, como o IHU-on line, a Adital, e outros sítios de leitura da internet.

Essa outra visão tem como referência uma nova forma de consciência, que é a consciência planetária: somos parte da grande comunidade de vida do Planeta Terra. Assim como a consciência de classe está na base das lutas dos trabalhadores da cidade e do campo, a consciência feminista no processo de emancipação das mulheres, a consciência da negritude na base da luta dos negros, a consciência planetária está na base dos Movimentos Sociais que buscam um novo modo de produção e consumo em harmonia com o Planeta. Essa forma de consciência não admite sacrificar a ecologia em favor do mercado e dos seus lucros. Vê os avanços realizados pelo governo Lula, sim, mas quer ir a diante. Não renuncia ao projeto de Reforma Agrária, à auditoria da Dívida Externa, nem à prioridade dos Direitos Humanos sobre os Direitos do mercado. Quer mais, muito mais.

Se é o próprio sistema capitalista de mercado que está em crise, não adiante ficar colocando escoras nele. Isso adia a crise econômica, mas antecipa a crise ecológica, que é muito mais grave, porque atinge a própria vida da Terra. É preciso aproveitar esta ocasião para rever os erros cometidos nessa caminhada e corrigi-los. O rio é longo e a corredeira é forte, mas maior é a força de quem é excluído do banquete dos ricos, quando mulheres e homens de todos os povos e raças se unem. Com essa força, poderemos tocar em frente nosso barco e seguir em busca da Terra sem males.

Pedro A. Ribeiro de Oliveira

PUC-Minas e ISER-Assessoria
Fonte CEBs 12

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Diocese de Roraima prioriza a criação de rede de comunidades

Diocese de Roraima prioriza a criação de rede de comunidades

23/07/2009 | Jaime Carlos Patias, em Porto Velho

"Em Roraima, desde os anos 80, não se criam mais paróquias, mas redes de comunidades, no estilo CEBs, que se reúnem em torno da Palavra de Deus e na mesa da Eucaristia, em comunhão com os seus pastores, mas também na luta pela vida e o resgate da cidadania", disse o bispo dom Roque Paloschi, falando sobre a participação daquela diocese no 12º Intereclesial que se realiza em Porto Velho - RO.

Karla Maria Dom Roque Paloschi em Porto Velho Dom Roque explicou ainda que a sua diocese se preparou para o Intereclesial em sintonia com o Regional Norte I (Roraima e parte do estado do Amazonas), que fez no ano passado seu primeiro encontro regional das CEBs. O bispo que acompanha a sua delegação destacou a criatividade das comunidades em conseguir fundos para que 20 pessoas pudessem viajar a Porto Velho. "Fizemos um grande esforço para não depender de padrinhos e madrinhas organizando promoções nas comunidades para custear as despesas e facilitar a participação dos nossos representantes", afirmou.

A delegação de Roraima conta com representantes das comunidades indígenas da Raposa Serra do Sol - RSS, Terra Indígena onde vivem aproximadamente 19 mil índios de cinco etnias e que homologada em 2005, pelo presidente Lula e confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2009.

A opção a favor dos Povos Indígenas, feita pela Igreja, foi determinante durante os 30 anos de luta pela demarcação e homologação da RSS. Nessa caminhada as comunidades jogaram um papel essencial. Para dom Roque as lideranças indígenas reconhecem, com muita gratidão, o trabalho da Igreja que soube unir fé e vida, uma marca das CEBs.

"Gostaria de recordar o que disse uma liderança da Raposa Serra do Sol quando afirmou que a força e a coragem ao longo da luta pela identificação, demarcação e homologação da área e, sobretudo na retirada dos invasores, veio justamente das comunidades. Nós não podemos separar a vida das comunidades indígenas da vida das CEBs, porque nelas o povo encontra caminhos de solidariedade, de partilha, de acolhida e de zelo, também pelo meio ambiente e pela obra da criação. Isso representa sinal de esperança para o mundo de hoje", recordou.

Dom Roque recordou ainda a expressão utilizada pelo ministro do STF, Ayres Brito, ao dar o seu voto favorável à homologação da RSS em área contínua: "Deixemos que eles nos catequizem" e concluiu: "isso é muito importante num mundo onde muita gente está sobrando e cada vez mais os pobres são excluídos, onde cresce o preconceito e a discriminação. As comunidades indígenas estão dando uma grande aula de cidadania e profunda comunhão com a obra da criação e, acima de tudo, de fraternidade que eles nunca perderam e reforçam com o Evangelho".

Por outro lado, o bispo lamentou a destruição das benfeitorias por parte dos invasores ao deixarem a RSS. "Isso é um desrespeito para com aquilo que foi construído com dinheiro público impossibilitando que os indígenas pudessem usufruir das construções que lá estavam e que o governo estava indenizando. Essa ação foi muito violenta e, sobretudo, demonstrou um grande preconceito, racismo e falta de respeito para com as leis deste país", arrematou.

Na avaliação de dom Roque, as comunidades indígenas estão dando passos significativos. "Isso é importante porque, se a luta pela terra foi difícil, hoje a luta pela sua manutenção e para preservar os valores e tradições dos povos que nela vivem segue sendo um grande desafio".

Fonte: Revista Missoes

Sabedoria da História

Sabedoria da História

24/07/2009 | Demétrio Valentini

Para a Diocese de Jales, o mês de agosto é propício para recordar a história, e continuar tirando as lições que ela nos dá. Ainda mais neste ano, em que a Diocese se aproxima do jubileu de ouro de sua criação.

Permanece válido o provérbio latino, que demonstra o apreço pela história que os antigos já tinham. "Historia est magistra vitae" - "A história é mestra da vida".

E é mesmo. Basta estarmos atentos ao simbolismo de fatos e datas da história da Diocese, para deduzir alguns recados muito claros, e muito salutares.

A começar, por exemplo, pela data da criação da Diocese de Jales. Ela foi criada pelo Papa João 23, no dia 12 de dezembro, no ano de 1959.

Pareceriam todas referências inexpressivas, se olhadas sem a dimensão histórica. Mas se articuladas entre si pela dinâmica da história, acabam expressando uma mensagem clara e convergente.

A começar, então, pelo dia 12 de dezembro. É o dia dedicado a Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina. Criada neste dia, é claro que a diocese se sente, desde o berço, chamada a assumir as feições da Igreja da América Latina, com o peso que esta identificação apresenta com muita evidência. Bem que poderiam ter colocado outra data para o Papa assinar o decreto. Mas foi escolhida esta, com evidente marca eclesial. Depende agora da diocese valorizar a carga simbólica sugerida por esta data.

Outra referência é o ano da criação da Diocese. Foi em 1959. Também ele poderia passar em branco, se lido em desconexão com a história. Mas se queremos situar este ano de 1959 no contexto da Igreja em nosso tempo, salta aos olhos um acontecimento de todo singular, vivido pela Igreja em 1959. Foi naquele ano que o Papa João 23 surpreendeu o mundo com o anúncio da convocação de um Concílio, para renovar a Igreja, reencontrar seus fundamentos evangélicos, e atualizar sua linguagem e sua fisionomia aos tempos atuais.

Pois bem, uma diocese criada no ano do anúncio do concílio, pode muito bem evocar este episódio para fortalecer sua opção pastoral fundada nas propostas de renovação eclesial do Concílio, que suscitaram um intenso processo que ainda continua e precisa ser levado adiante. Isto supõe persistência e discernimento, que encontram sólido fundamento no Concílio Vaticano II.

Aí chegamos à figura do Papa João 23. É certamente motivo de honra para uma diocese ter sido criada por decreto assinado por este Papa, que marcou a história da Igreja de maneira tão profunda.

Em João 23 encontramos muitas virtudes que podem servir de referência para a caminhada pastoral da diocese. A começar pela sua abertura e docilidade ao Espírito, que explica a coragem que ele teve de convocar um concílio que iria mexer profundamente com a postura pastoral da Igreja, suscitando reações que ele soube contornar de maneira extraordinária, sabendo se antecipar a elas e desfazê-las antes que tomassem corpo, como aconteceu com a indiferença inicial de alguns cardeais que julgavam imprudente convocar um concílio com estas propostas amplas e corajosas de renovação eclesial.

Quantas lições a aprender. Quantos recados oportunos a história nos oferece, com a credibilidade de sua experiência e com a força dos fatos que ela registra.

Que João 23 abençoe agora a diocese, que ele criou no início do seu pontificado. Ele merece uma estátua, a assinalar o jubileu de ouro da Diocese de Jales.

* Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

Fonte: www.diocesedejales.org.br

CEBs, um jeito novo de ser sociedade

CEBs, um jeito novo de ser sociedade

24/07/2009 | Karla Maria, em Porto Velho

Maria Matsutacke Jovens organizam o transporte Os encontros intereclesiais possibilitam aos delegados experiências já perdidas na sociedade contemporânea, como a partilha cotidiana de sentimentos, de reflexões, do cansaço, do abraço e do alimento. Essa partilha, dentro do Intereclesial, acontece nas filas do almoço, na saudação de paz e no caminhar até a missão.

O Intereclesial possui uma dinâmica na qual os grandes momentos de encontro acontecem no "Porto", o SESI. Ali são realizadas as plenárias, celebrações e análises de conjuntura que irão nortear e subsidiar os trabalhos realizados em espaços e grupos menores, chamados pedagogicamente de rios (12) e canoas (144).

Na hora de partir, do Porto até o Rio ou às comunidades que hospedam os delegados, ouve-se ao longe a voz de um jovem: "ônibus cinco, por aqui". Uma fileira de chapéus se forma, chapéus de todas os estilos e cores (o chapéu é adotado como símbolo para identificar os 17 regionais).

"Boa tarde, como foi o seu dia?", pergunta outra jovem simpática dentro do ônibus que levará os delegados até a comunidade que os recebeu. O sorriso e a alegria, o carinho e a atenção, são qualidades da juventude de Porto Velho, que abriu mão das férias escolares para acolher as CEBs de todo o Brasil.

A partilha da vida acontece nos cerca de 70 ônibus que fazem o transporte dos delegados. A cidade mais distante que acolhe os delegados é Candeias do Jamari, à 20km de Porto Velho. São portanto, aproximadamente 30 minutos de tempo livre, o suficiente para encontrar no outro o acolhimento e o mesmo sonho obstinado de defender a ecologia e a vida.

Fonte: Revista Missões

Dom Roque Paloschi: “As comunidades tradicionais tem nos ensinado muito”

Dom Roque Paloschi: “As comunidades tradicionais tem nos ensinado muito”

24/07/2009 | CNBB

Em entrevista coletiva, no dia de hoje, 24, no 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), em Porto Velho, capital de Rondônia, foram convidados a conversar com a imprensa a assessora nacional da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), irmã Antônia Mendes; a ex-ministra do Meio Ambiente e atual senadora da República, Marina Silva e o bispo de Boa Vista (RR), dom Roque Paloschi.

Geraldo Martins Ir. Antônia Mendes, Marina Silva e dom Roque Paloschi Coletiva de Imprensa
"Sou negra, seringueira e religiosa, sou a cara do meu estado (Rondônia)", explicou irmã Antônia Mendes, que continuou dizendo não há mais espaço, dentro da atual conjuntura social para continuar com discriminações contra as comunidades tradicionais (índios, quilombolas, ribeirinhos e seringueiros). "Este pensamento já não pode prevalecer em nossa sociedade, mas infelizmente não é isso que vemos. O que percebemos é que cada vez mais somos marginalizados, excluídos e oprimidos em nossas próprias terras. Estamos sendo empurrados para cada vez mais longe, estamos sendo vítimas do chamado "progresso capitalista" e isto está nos levando à destruição de nosso planeta.

Dom Roque Paloschi também fala sobre essas comunidades, principalmente as indígenas, em especial a da reserva florestal Raposa Serra do Sol e explica o quanto ele são importantes no papel de preservação ambiental e também o quanto devem ser respeitados por serem os donos legítimos de suas terras. "As nossas Comunidades Eclesiais de Base estão aprendendo com os povos tradicionais, da floresta, dos indígenas, dos quilombolas, essa é uma missão de amor a vida, na defesa do meio ambiente. As comunidades originais têm nos ensinado muito e somos muito gratos a eles por esses ensinamentos. Devemos respeitá-los e ajudá-los".

A senadora da República Marina Silva também se diz indignada com esse "descaso" do governo em relação a essas comunidades. "Lutei e lutarei até o fim de meus dias para ver essas comunidades valorizadas, respeitadas e admiradas porque elas são o berço de nossa civilização Brasileira, e não podemos destruí-la ou deixar que a façam por causa da ganância e do consumismo", ressaltou Marina, dizendo o mundo vive uma crise econômica e ambiental sem precedentes na história da humanidade. "Por isso devemos respeitar e seguir dos povos originais, ou seja, cuidar do meio ambiente, pois nós não vivemos sem a Terra, mas a Terra vive sem nós".

Fonte: www.cnbb.org.br

A juventude e o ecumenismo nas CEBs

A juventude e o ecumenismo nas CEBs

24/07/2009 | Jaime Carlos Patias, em Porto Velho

O 12º Intereclesial das CEBs reúne aproximadamente três mil pessoas até sábado, (25) em Porto Velho, Rondônia. Ontem, quita-feira, (23) a coletiva de imprensa organizada pela coordenação do evento abordou assuntos como "o Ecumenismo nas CEBs", "Juventude e as CEBs" e "Missão na Amazônia". Os convidados para responder aos jornalistas foram o pastor metodista Cláudio Ribeiro, a assessora das CEBs do Regional Leste 2, Leila Regina e dom Antônio Possamai, bispo emérito de Ji-Paraná - RO.

Falando sobre a relação entre as CEBs e a juventude, Leila Regina explicou que as comunidades são sinais de esperança, mas que muitas vezes falta visibilidade no seu trabaJaime C. Patias Leila Regina lho justamente porque não consegue formar novas lideranças. "O papel das CEBs na juventude é essencial, pois é a comunidade que confere identidade ao jovem. É na minha comunidade que eu me encontro, que eu me formo e me percebo como pessoa. A identidade que é construída na comunidade me liga a valores que levam ao engajamento pastoral e social", observou Leila, que é o mais jovem membro da Equipe ampliada Nacional das CEBs.

Analisando a atuação dos jovens nas CEBs, Leila explicou ainda que eles são "protagonistas quando alicerçados no protagonismo de Cristo que se colocou à frente de seu tempo num desejo de transformação. Esses anseios estão sempre presentes nos jovens hoje. São valores que fazem parte do conceito de juventude". A assessora disse também que "o protagonismo dos jovens nas comunidades não se dá somente nos ministérios, mas na Pastoral da Juventude, nas pastorais sociais e na militância. É importante nos perguntarmos como as comunidades percebem esses jovens e possibilitam o seu trabalho", argumentou.

Leila explicou que para ganhar o respeito no seu trabalho, passou por um processo de participação na comunidade e no regional até o reconhecimento em nível nacional. Por outro lado, "quando falamos de juventude, falamos de conflito justamente porque, o jovem busca a renovação que o próprio Cristo trouxe. Nessa dimensão os jovens precisam fazer o caminho do aprendizado e da escuta", afirmou.

Jaime C. Patias Pastor Cláudio Ribeiro O pastor Cláudio Ribeiro que é do Rio de Janeiro, mas há nove anos atua como professor de teologia na Universidade Metodista em São Bernardo dos Campos - SP, destacou o estilo de missão vivida nas CEBs. "Na minha experiência pastoral no Rio de Janeiro, uma das marcas fundamentais que influenciaram não somente a minha visão de missão, mas a de outros pastores e líderes leigos de diferentes comunidades evangélicas, das igrejas metodista, batista, presbiteriana e pentecostal é que ela precisa ser vista de maneira ampla e ecumênica", argumentou o teólogo. "A missão é de todos, não é só de uma igreja ou de um grupo religioso. Aprendi isso no meio das CEBs na minha cidade, Volta Redonda e depois como pastor em Duque de Caxias e São João do Miriti, na Baixada Fluminense. É uma experiência de vida, não se trata de um mero princípio intelectual ou político. Trata-se de uma conversão, de um carisma, de um chamado", explicou.

Avaliando a trajetória histórica das CEBs Cláudio Ribeiro lembrou que elas "já nasceram ecumênicas. Não só pela participação de diferentes Igrejas ou mesmo religiões diferentes, mas por causa da sua abertura para o mundo, com os olhos voltados para a realidade. O esforço que estamos fazendo aqui para analisar a realidade de exploração que existe no nosso Brasil e no mundo é porque as CEBs estão abertas para o mundo e não é um grupo religioso fechado em si mesmo" Para o pastor, o que une as diferentes igrejas são as mesmas preocupações com essa realidade de probreza e os seus desafios. "Na diferença nos aproximamos de Deus e nos preparamos para a missão", concluiu.

Fonte: Revista Missões

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vice-presidente da CNBB aponta desafios à missão na Amazônia

Vice-presidente da CNBB aponta desafios à missão na Amazônia


Escrito por Administrator
Qui, 23 de Julho de 2009 22:28












Quase imperceptível no meio do povo durante o 12º Intereclesial de CEBs, que acontece nesta semana em Porto Velho (RO), o arcebispo de Manaus e vice-presidente da CNBB, dom Luiz Soares Vieira, destacou a importância da realização do evento na Amazônia. Em entrevista exclusiva à assessoria de imprensa da CNBB, dom Luiz disse que o encontro mostra a necessidade da humanidade repensar sua relação com a natureza e aponta os desafios da Igreja na maior região do país.


Confira a entrevista.


1. Como o senhor está vendo o Intereclesial?


O encontro está indo muito bem, teve uma abertura foi muito significativa, mostrando a necessidade de nos voltarmos para a convivência com a natureza, ouvindo os gritos da Amazônia e a caminhada dos mártires. A presença dos bispos também foi muito significativa.


2. Em que este encontro pode contribuir para o reavivamento das CEBs?


Nossas Comunidades de Base podem encontrar na ecologia um incentivo muito grande, uma nova bandeira, sem desprezar a bandeira política, econômica e social. Mas a ecologia é realmente o grande problema da atualidade. Se não aprendermos a conviver com a natureza, não teremos mais futuro. É uma questão de sobrevivência da raça humana. Precisamos nos despertar para isso a partir da fé.


3. Que desafios são postos à missão na Amazônia?


Nosso primeiro desafio é consolidar nossas comunidades católicas nesta região. Precisamos partir firmes para a formação ampla dos católicos que se veem diante de muitas propostas. O segundo desafio é o número insuficiente de agentes. Temos poucos padres, religiosos e leigos preparados para uma região que é vasta. Há comunidades pequenas, que ficam muito distantes, onde o padre vai uma vez por ano.


4. Qual a saída para isso?


A saída está nos leigos. Temos que apostar nos leigos. A missão passa por eles que são os protagonistas da evangelização. O padre não é um “faz tudo”. Precisamos deixar a questão da eficiência para buscar a eficácia.


5. Como a CNBB tem procurado responder aos desafios da Amazônia?


Há um crescendo. Depois de muitos pedidos dos bispos da Amazônia, a CNBB criou a Comissão para a Amazônia, que representou um salto de qualidade. Depois veio a Campanha da Fraternidade. Este ano terá a Semana Missionária para a Amazônia e agora vem o Intereclesial. A CNBB tem se desdobrado para ajudar a Amazônia. Em Manaus, tenho recebido um grande número de padres e religiosos. Há ainda o interesse do papa Bento XVI pela Amazônia que, há dois anos, envia uma ajuda econômica para as dioceses e prelazias desta região.

Fonte: CEBs12

Diocese de Roraima prioriza a criação de rede de comunidades

Diocese de Roraima prioriza a criação de rede de comunidades

23/07/2009 | Jaime Carlos Patias, em Porto Velho

"Em Roraima, desde os anos 80, não se criam mais paróquias, mas redes de comunidades, no estilo CEBs, que se reúnem em torno da Palavra de Deus e na mesa da Eucaristia, em comunhão com os seus pastores, mas também na luta pela vida e o resgate da cidadania", disse o bispo dom Roque Paloschi, falando sobre a participação daquela diocese no 12º Intereclesial que se realiza em Porto Velho - RO.

Karla Maria Dom Roque Paloschi em Porto Velho Dom Roque explicou ainda que a sua diocese se preparou para o Intereclesial em sintonia com o Regional Norte I (Roraima e parte do estado do Amazonas), que fez no ano passado seu primeiro encontro regional das CEBs. O bispo que acompanha a sua delegação destacou a criatividade das comunidades em conseguir fundos para que 20 pessoas pudessem viajar a Porto Velho. "Fizemos um grande esforço para não depender de padrinhos e madrinhas organizando promoções nas comunidades para custear as despesas e facilitar a participação dos nossos representantes", afirmou.

A delegação de Roraima conta com representantes das comunidades indígenas da Raposa Serra do Sol - RSS, Terra Indígena onde vivem aproximadamente 19 mil índios de cinco etnias e que homologada em 2005, pelo presidente Lula e confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2009.

A opção a favor dos Povos Indígenas, feita pela Igreja, foi determinante durante os 30 anos de luta pela demarcação e homologação da RSS. Nessa caminhada as comunidades jogaram um papel essencial. Para dom Roque as lideranças indígenas reconhecem, com muita gratidão, o trabalho da Igreja que soube unir fé e vida, uma marca das CEBs.

"Gostaria de recordar o que disse uma liderança da Raposa Serra do Sol quando afirmou que a força e a coragem ao longo da luta pela identificação, demarcação e homologação da área e, sobretudo na retirada dos invasores, veio justamente das comunidades. Nós não podemos separar a vida das comunidades indígenas da vida das CEBs, porque nelas o povo encontra caminhos de solidariedade, de partilha, de acolhida e de zelo, também pelo meio ambiente e pela obra da criação. Isso representa sinal de esperança para o mundo de hoje", recordou.

Dom Roque recordou ainda a expressão utilizada pelo ministro do STF, Ayres Brito, ao dar o seu voto favorável à homologação da RSS em área contínua: "Deixemos que eles nos catequizem" e concluiu: "isso é muito importante num mundo onde muita gente está sobrando e cada vez mais os pobres são excluídos, onde cresce o preconceito e a discriminação. As comunidades indígenas estão dando uma grande aula de cidadania e profunda comunhão com a obra da criação e, acima de tudo, de fraternidade que eles nunca perderam e reforçam com o Evangelho".

Por outro lado, o bispo lamentou a destruição das benfeitorias por parte dos invasores ao deixarem a RSS. "Isso é um desrespeito para com aquilo que foi construído com dinheiro público impossibilitando que os indígenas pudessem usufruir das construções que lá estavam e que o governo estava indenizando. Essa ação foi muito violenta e, sobretudo, demonstrou um grande preconceito, racismo e falta de respeito para com as leis deste país", arrematou.

Na avaliação de dom Roque, as comunidades indígenas estão dando passos significativos. "Isso é importante porque, se a luta pela terra foi difícil, hoje a luta pela sua manutenção e para preservar os valores e tradições dos povos que nela vivem segue sendo um grande desafio".

Fonte: Revista Missoes

Missões marcam a quinta-feira do Intereclesial de CEBs

Missões marcam a quinta-feira do Intereclesial de CEBs

23/07/2009 | CNBB

O grande destaque na programação do 12º Encontro Intereclesial de CEBs nesta quinta-feira, 23, são as missões que acontecerão em vários lugares de Porto Velho, atingindo diversos setores como bairros, hospitais, grupos indígenas, extrativistas, ocupações.Jaime C. Patias Clebração de envio para a missão

As atividades do dia foram abertas com a oração da manhã, preparada e dirigida pelo Regional Norte 1 da CNBB.

Antes da partida para as missões, marcada para as 10h, haverá uma análise de conjuntura feita pelo sociólogo Pedro Ribeiro, pelos teólogos Leonardo Boff e Tereza Cavalcanti, e pelo historiador padre José Oscar Beozzo.

O 12º Intereclesial foi aberto na terça-feira, 21, na praça Madeira Mamoré, pelo arcebispo de Porto Velho, dom Moacyr Grechi. O evento reúne 3 mil pessoas até sábado (25) na capital de Rondônia. As CEBs refletem o tema "CEBs, Ecologia e Missão".

Fonte: www.cnbb.org.br

12° Intereclesial - Caminhada penitencial é marcada pela luta dos mártires

12° Intereclesial - Caminhada penitencial é marcada pela luta dos mártires

23/07/2009 | Karla Maria, em Porto Velho

Jaime C. Patias Caminhada em memória dos mártires

"Acorda América chegou a hora de levantar". Sob este grito, na tarde do segundo dia do 12° Intereclesial das CEBs, os participantes caminharam em memória dos mártires. O local do encontro é conhecido como o ponto de bate estaca, à 3km de uma das primeiras comunidades católicas de Porto Velho.

A caminhada dos mártires, organizada pelos setores regionais Norte I e II foi um momento de retomar a história de lutas dos mártires como Ir. Dorothy, Santo Dias, padre Ezequiel Ramin, dom Oscar Romero, padre Josimo, Chico Mendes, Ivair Higino, dom Helder Câmara, João Canuto, Ir. Maristela entre tantos outros.

Os delegados percorreram os três quilômetros de estrada de terra, passando por famílias ribeirinhas, pelo Cemitério Santo Antônio e pela mata. Tudo isso, em pouco tempo, poderá ser alagado pelo lago formado pela barragem da usina hidrelétrica de Santo Antonio.

Durante a caminhada, um caminhão com trabalhadores locais, observava os peregrinos das CEBs. Segundo um dos trabalhadores que não quis se identificar, eles estavam ali há duas semanas refazendo as calçadas, o jardim que lájea a rua e cemitério, só para acolher o 12° Intereclesial. As obras estão inacabadas, o que se vê são pedras por todos os lados.

Mas o caminho não era só de pedras, havia também cansaço e calor. O céu estava azul e ao horizonte podia-se observar o Rio Madeira já rodeado de máquinas, homens e mulheres num grande canteiro de obras. Ouve-se um estrondo e uma nuvem de poeira subiu ao céu: era mais uma explosão para remover as rochas na construção da usina que não para.

Jaime C. Patias Rumo ao Rio Madeira Sob a brisa do rio e o pôr-do-sol no Madeira, aconteceu o momento da "Reconciliação: entre Deus, a humanidade e o cosmo", o rito da água e a Proclamação das Bem Aventuranças. Um momento histórico na vida dos representantes das mais de 272 dioceses espalhadas por todo o Brasil, momento de testemunhar in loco o descaso do homem para com a natureza. "Eu fico triste com a ação dos nossos políticos, eles são os grandes responsáveis por estas decisões", afirmou José Maciel, delegado da diocese de São José dos Campos, do Regional Sul 1, ao se referir à construção da usina hidrelétrica de Santo Antonio,. "A gente percebe que além da devastação, esta obra vai empobrecer a comunidade local", arrematou.

Para a cearense Maria Aparecida de Alcântara, que veio de Capuí, o dia foi marcante. "Nós de todo o Brasil temos gritos semelhantes, podemos fazer um paralelo e refletir sobre as lutas aqui na Amazônia, a gente fala do pulmão da Amazônia e sabemos que a nossa parcela de culpa é grande. Com essa caminhada dos mártires nós fazemos o fechamento do dia lindo, a natureza favorece e faz deste momento, um momento muito especial", disse.

A chuva apareceu durante a Proclamação da Palavra, mas não abalou os peregrinos que se mantiveram firmes até o final da celebração penitencial.

Fonte: Revista Missões

quarta-feira, 22 de julho de 2009

“Não é a natureza que precisa de nós, somos nós que precisamos dela”

“Não é a natureza que precisa de nós, somos nós que precisamos dela”

22/07/2009 | Jaime Carlos Patias, em Porto Velho

A primeira coletiva de imprensa realizada na manhã do dia 22, nas instalações do SESI, em Porto Velho, avaliou a influência do jeito CEBs de ser Igreja na transformação da socieKarla Maria Benediro Ferraro dade, na autonomia dos povos Indígenas e na preservação da Amazônia. Participaram da coletiva a educadora Eva Canoé, o padre Benedito Ferraro e dom Moacyr Grechi, presidente do 12º Intereclesial.

"Nós vivemos, existimos e resistimos no direito de viver dignamente como povos indígenas", afirmou Eva Canoe, líder indígena e educadora na Terra Indígena Sagarana, a primeira a ser administrada exclusivamente pelos próprios indígenas. "Queremos dizer ao mundo e ao Brasil que estamos juntos com os não-índios na construção de um outro mundo possível, de uma Amazônia que seja de todos os brasileiros, de uma Amazônia que não seja dividida, comprada e destruída, mas que sirva para todos, já que ela é a maior riqueza da humanidade", destacou a professora Eva, primeira mulher a liderar a Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, reunindo 32 etnias no Estado. A educadora destacou ainda a importância da união para cuidar da Amazônia. "Que todos ouçam o clamor dos povos indígenas e levem em seus corações essa mensagem, que todos nós, índios e não-índios, coloquemos em prática tudo aquilo que aqui falamos. Não é a natureza que precisa de nós, mas somos nós que precisamos dela" concluiu.

Para o padre Benedito Ferraro, teólogoKarla Maria Dom Moacyr Grechi e assessor nacional das CEBs, "toda a vez que nos encontramos voltamos nosso olhar para o fundamental na vida das Comunidades". Benedito recordou que dom Pedro Casaldaliga definiu as CEBs como "o modo normal de ser Igreja ligando fé e vida". Segundo o teólogo, "é o enraizamento nessa dimesão fundamental de Jesus de Nazaré, presente em toda a tradição bíblica, que aponta para a libertação em todas as dimensões, como explicitou o filósofo Enrique Dussel. Falamos de libertação política, econômica, social, erótico-sexual, pedagógica, litúrgica e hoje acrescentamos, com as reflexões de Leonardo Boff, a libertação ecológica" explicou. Boff estava presente e foi calorosamente saudado pela organização.

Segundo o padre Benedito, "a grande novidade das CEBs é a inserção dos cristãos na luta polítca de libertação dos pobres e excluídos". Essa é, para ele, "a dimensão da missão em relação à busca de vida. Não dá mais para pensar a missão na Amazônia com missionários e missionárias vindos de fora, mas a partir da realidade do povo, construir um novo modo de ser Igreja e de viver o Evangelho inculturado", concluiu.

Dom Moacyr Grechi, arcebispo de Porto Velho, por sua vez, destacou a colaboração e a competência das comunidades na preparação e organização do Encontro. Para o Presidente do 12º Intereclesial, o maior benefício foi voltar a refletir sobre o assunto o que considerou "um tempo de graça para todas as comunidades da arquidiocese". Dom Moacyr avaliou ainda que o Brasil reagiu positivamente ao evento. "Cada vez mais eu me convenço que, conforme afirmou dom Casaldáliga ao definir as CEBs como o modo normal de ser Igreja, hoje, para ser Igreja católica precisamos unir fé e vida", destacou.

Fazendo referência ao livro do Êxodo, o arcebispo afirmou que "nesses dias, o grito da Amazônia foi ouvido por Deus e está começando a repercutir na sociedade". E concluiu citando o provérbio por ele lido durante a cerimônia de abertura: "Gente simples fazendo coisas pequenas, em lugares não importantes conseguem mudanças extraordinárias".

Segundo a organização, 32 jornalistas e comunidadores trabalham na cobertura do Intereclesial.

Fonte: Revista Missões

Fé e alegria na celebração de abertura do 12º Encontro Intereclesial de CEBs em Porto Velho

Fé e alegria na celebração de abertura do 12º Encontro Intereclesial de CEBs em Porto Velho

22/07/2009 | CNBB

"Como irmãos e irmãs, unindo nossa voz ao grito da terra e das águas, no sopro do Espírito, declaramos aberto o 12º Intereclesial".

Jaime C. Patias Dom Moacyr Grechi Foi com estas palavras, sob o aplauso entusiasmado de uma multidão, que o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Moacyr Grechi, declarou, solenemente, aberto o 12º Encontro Intereclesial das CEBs, maior encontro das Comunidades Eclesiais de Base que a Igreja Católica realiza no Brasil desde 1975.

A cerimônia de abertura constou de uma celebração realizada na noite desta terça-feira, 21, na praça Madeira Mamoré, na capital de Rondônia, e contou com a presença de mais de 4 mil pessoas. Nem mesmo o cansaço de dias nas estradas até chegar a Porto Velho, inclusive com ônibus quebrando no caminho, tirou o ânimo das lideranças que vieram de todos os estados do país como delegados para o encontro. No altar, indígenas, negros, seringueiros ficaram ao lado de vários bispos.

Dom Moacyr acolheu os participantes e destacou a importância do encontro debater o tema da Amazônia. "Amazônia é sempre, na história, tratada como colônia e vocês dirão a todos que a Amazônia quer ser irmã e ser tratada com dignidade", disse recebendo a aprovação da assembleia que aplaudiu efusivamente. "Os índios devem ser respeitados, os seringueiros devem ter onde trabalhar, nossa cidade precisa ser humanizada. O grito da Amazônia repercutirá como o grito da esperança", completou.

Fé e alegriaAssembleia CEBs
O ritmo da Amazônia na celebração de abertura do 12º Intereclesial das CEBs deu o tom de como será o encontro que reúne 3 mil pessoas até sábado em Porto Velho. Na assembleia, pessoas vestindo camisetas do Intereclesial, lenços no pescoço, chapéu, mochilas e faixas não pararam de cantar e dançar aguardando o início da oração, marcada também por muita música, dança e símbolos. Tudo levava as pessoas à interiorização e à meditação, mesmo em meio ao ritmo forte de flautas, tambores e outros instrumentos musicais.


Jaime C. Patias Todos se emocionaram, por exemplo, ao ouvir, de velas acesas, uParticipantes na Praça Madeira Mamorém coro de crianças entoar "curupira". "O dia está escurecendo, será que não vai voltar. Se ele não chegar logo, vou mandar lhe procurar, vou levar uma lamparina pra poder alumiar", diz o canto.

Outro momento que chamou a atenção do povo foi a benção da água com a qual todos foram aspergidos. Igualmente, a bênção e distribuição de milhares de bombons, produzidos com frutas da região, emocionou a multidão.
"O 12º Encontro das CEBs começou muito bem com esta celebração que foi linda e muito participada. Este encontro é especial não só ser na Amazônia, mas também pelo que exigiu de todos que vieram aqui', disse o arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires.

"Vim presenciar este evento e gostei da celebração, esta harmonia de vários pensamentos, todos voltados para a mesma fé, em busca de luz e não há luz maior que tenha passado pela terra a não ser Jesus Cristo", disse Ras Uilivan, de Porto Velho, que não é católico, e diz pertencer ao cristianismo ortodoxo da Etiópia.

Fonte: CNBB

terça-feira, 21 de julho de 2009

É com alegre expectativa que aguardamos a abertura do 12º Intereclesial das CEBs


É com alegre expectativa que aguardamos a abertura do 12º Intereclesial das CEBs

Nossa viagem a Porto Velho foi boa demais e a espera de mais de duas horas em Brasília foi um bom momento para conversamos, nos conhecermos melhor e fazermos contatos com cebianos do exterior, gente da Argentina , Bolívia e EUA.

A chegada no aeroporto foi emocionante demais, o pessoal da Comunicação com faixas,

as famílias aguardando com as e placas, isto mais ou menos às 2h40 do dia 20/07.

Como estou com a Comunicação fui conduzida por Ir Osnilda à Casa das Irmãs Franciscanas, no Bairro Mato Grosso, na Rua Rio de Janeiro.

O local é maravilhoso, muitas flores, horta.

Estive na Paróquia em que seria acolhida, Paróquia Nossa Senhora do Amparo, conversei com Pe Marcelo, conheci pessoas do local e encontrei com grande parte da delegação do Sul-1.

Maria Matsutacke
Porto Velho Rondônia

Diário de bordo do 12º Intereclesial das CEBs – A chegada.


Diário de bordo do 12º Intereclesial das CEBs – A chegada.

Porto Velho –RO, 21 de Julho de 2009.

Chegamos a Porto Velho na madrugada do dia 20 de Julho, as 02h30min da madrugada nosso vôo chega ao Aeroporto Internacional. Logo ao descer do avião já vimos uma grande faixa do encontro e fomos muito bem recebidos pelo povo acolhedor da paróquia N. Sra do Amparo, ao qual acolhe todos os delegados do regional Sul 1, e também as pessoas que trabalham na infra-estrutura do encontro com muito afinco.

Fui acolhido junto com o Ronaldo da diocese de Taubaté, que vai conosco na viagem pelo Sub-Regional de Aparecida, e mais um garoto da diocese de Santo André, na casa de Lopes, dono de uma padaria e muito atuante no trabalho da Paróquia.

Logo pela manha fomos conhecer alguns pontos turísticos da cidade, como a praça Madeira Mamoré, a antiga estação de trem, e o porto de Porto Velho, onde ficamos todos deslumbrados com a incrível beleza do Rio Madeira, que corta a cidade como um mar, já ai vimos um pouco da vida do povo ribeirinho da região, com a venda dos peixes, frutos de vosso trabalho.

Após o almoço, depois de nos deliciarmos com o Vatapá, fomos conhecer as cachoeiras do Rio Madeira, uma parte do rio onde na época da seca, a qual estamos agora com um calor de 38 graus a sombra... rs, o rio desce e as rochas formas uma queda d’agua de aproximadamente 4 metros de altura, contudo já é o suficiente para formar um verdadeiro espetáculo da natureza, no mesmo local a uma vila de pescadores, onde dois deles se dispuseram a nos levar de barco até próximo das quedas dàqua.

À noite fomos conhecer um pouco mais da cidade, e visitamos o Shopping de Porto Velho, nota-se ai a grande disparidade econômica da população da cidade, pois grande parte do que vimos durante o dia é de um povo de classe media baixa, e os preços dos produtos por seus tipos também mostram uma diferença econômica muito grande. Nota-se também que o povo não da muito valor a cultura regional, pois de centenas de lojas, tanto do Shopping como do centro, em poucas se vê o artesanato ou a comida típica da região.

O sentimento que fica por enquanto, é a incrível sensação de ver as maravilhas da natureza que Deus reservou a este lugar, e também a fraternidade entre as pessoas que conhecemos no local, como Dany, um representante das CEBs de Los Angeles, que veio ao encontro sedento de sede de partilha para levar a San Francisco e montar CEBs la.

Um grande abraço, e até mais.

Daniel Luiz.