sexta-feira, 13 de novembro de 2009

“A Missão Continental deve ser aberta à missão ad gentes, a todos os povos, até os confins da terra”



10/11/2009 | Fides

Reunidos em Buenos Aires de 26 a 30 de outubro de 2009, convocados pelo Departamento de Missão e Espiritualidade do CELAM, partilhamos nestes dias a Palavra de Deus, a Eucaristia, as alegrias e as esperanças de vida de nossos povos e fomos motivados também pelos desafios da Missão Continental e pela conversão pastoral.

"Como discípulos missionários de Jesus Cristo e obedientes ao Espírito Santo, protagonista da missão, aprofundamos o tema da missão ad gentes, da catequese, da liturgia e da piedade popular". É o que escreve Dom Edmundo Venezuela, Vigário Apostólico de Chaco e responsável pelo departamento Missão ad Gentes do CELAM, na "Mensagem sobre Missão e Espiritualidade" difundida em Buenos Aires ao final do encontro, dirigida aos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos.

Partindo do apelo à conversão pastoral e à renovação eclesial, pedidos pelo documento de Aparecida, os participantes partilharam no encontro a necessidade e a grande riqueza de uma maior integração e cooperação entre os vários setores e áreas pastorais. Entre as conclusões obtidas, foram sublinhados os seguintes pontos: a Missão Continental deveria ser aberta à missão ad gentes, ou seja, a todos os povos, até "os confins da terra"; a catequese, como iniciação cristã, deve se tornar um verdadeiro catecumenato que integre fé e vida, sem se esquecer da sua dimensão social e a sua dimensão missionária; a liturgia leve as nossas comunidades cristãs a viver o encontro profundo com Cristo e a transformar a sociedade com a força de seu amor; a piedade popular, tão profundamente arraigada na Virgem Maria e nos Santos, se concentre sempre mais sobre a Palavra de Deus e sobre Jesus Cristo, único Salvador dos homens.

O comunicado se conclui convidando a prosseguir "com entusiasmo e esperança na Missão Continental e na conversão pastoral", enquanto somente "com a luz e a força do Espírito Santo podemos ajudar nos planos de Deus, que deseja sempre o melhor para seus filhos num mundo que é casa comum de todos. Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe das Américas e do Caribe abençoe a todos".

Fonte: Fides

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga: ‘Podem tirar-nos tudo, menos a esperança’

Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga:

‘Podem tirar-nos tudo, menos a esperança’

Pedro Ramiro, María González Reyes e Luis González Reyes *


Adital - Aos seus 81 anos, o bispo emérito da diocese de São Félix do Araguaia é um dos mais destacados representantes da Teologia da Libertação e se converteu em uma referência para a esquerda latino-americana. Há quatro décadas, desde que chegou ao Brasil para ficar, seu trabalho em defesa dos direitos dos povos indígenas e dos grupos sociais mais oprimidos, assim como seu apoio aos movimentos brasileiros de agricultores sem terra e à revolução sandinista na Nicarágua nos anos 80 fazem com que Pedro Casaldáliga seja parte fundamental da memória viva da luta pela dignidade e pela libertação dos povos na América Latina.

A meados do mês de agosto, Pedro Casaldáliga recebia um grupo de ativistas sociais do Estado espanhol em sua humilde casa de São Félix, no estado brasileiro do Mato Grosso, para refletir que "a mundialização nos deu a oportunidade de reconhecer que somos uma só humanidade. Somos todos iguais, devemos ser assim, em dignidade e em oportunidades" . Assim se dava início a uma conversa em que se tratou desde a situação política do Brasil até as perspectivas atuais da Teologia da Libertação, passando pelo modelo de consumo ou os desafios da esquerda latino-americana.

Eis a entrevista.

A partir da perspectiva que o fato de continuar exercendo há muitos anos o compromisso com as pessoas mais desfavorecidas do planeta oferece, que significado tem para o senhor a solidariedade hoje?

A pergunta que se faz a partir do Primeiro Mundo é: o que nós podemos fazer? Justamente renunciar, por fim, que já é pedir muito, ao privilégio de ser Primeiro Mundo. Renunciar a essa condição excepcional de uma mínima parte da Humanidade, se a compararmos com a imensa maioria de todo o Terceiro Mundo. Estamos tentando destacar sempre que a solidariedade deixou de ser aquela solidariedade paternalista, de enviar roupas, remédios, certos recursos... Deve ser uma solidariedade que vai e que vem, muito mais concreta e muito mais exigente: damos e recebemos, para que também a própria solidariedade, além de alimentar pessoas e curar doenças, facilite e estimule a vivência da própria cultura. Porque nós ajudamos pessoas que têm uma cultura, que não são simplesmente um estômago e algumas veias, mas que são povos. Por isso, temos que procurar que a solidariedade seja constante, consciente, autocrítica, local e global: de ida e de volta.

Quando o senhor se encontrou com Fidel Castro, há 20 anos, ele afirmou que "a Teologia da Libertação ajuda na transformação da América Latina muito mais do que milhões de livros sobre o marxismo". Em que se baseia atualmente a Teologia da Libertação?

Hoje em dia, há diferentes teologias da libertação. O que se fez foi incorporar mais explicitamente temas, setores da sociedade, da vida, que antes não eram tão considerados. Foram surgindo as questões associadas aos indígenas, às mulheres, à ecologia, às crianças de rua... Agora, trata-se de uma teologia enriquecida pelas reivindicações desses grupos emergentes, e por isso a Teologia da Libertação já é muito plural em seus objetivos, sempre dentro da reivindicação da libertação. Quando pedimos libertação para o povo negro, pedimos que ele possa se sentir com orgulho negro e que não lhe seha privada a cátedra, a função pública, o governo, que não haja a segregação que ainda existe. Veja que, quando eu vim para a América Latina, há 41 anos, os negros, em sua imensa maioria, não se reconheciam como tais. Inclusive, alisavam o cabelo para que não parecesse cabelo de negro. Agora, estão recuperando seu orgulho, sua identidade. Algo parecido ocorreu com a população indígena. Quando eu cheguei ao Brasil, dizia-se que havia 150 mil índios, enquanto que hoje há um milhão. Nesta região, por exemplo, os indígenas tapirapé reconquistaram seu território, os karajá reconquistaram também uma parte de seus territórios, os xavante também... E tudo isso tem o espírito da Teologia da Libertação.

Uma das críticas que é feita à Teologia da Libertação por parte dos conservadores é de que se trata de uma teologia muito materialista, que se preocupa muito com interesses materiais, de necessidades físicas e esquece o espírito, a oração. Diante disso, eu reivindicaria três ou quatro traços que seriam indispensáveis na Igreja de Cristo: o primeiro, a opção pelos pobres; o segundo, conjugar fé e vida; o terceiro, a Bíblia nas mãos do povo; quarto, a solidariedade autenticamente fraterna.

O que permitiu que ela vingasse na América Latina?

Na América Latina, a Teologia da Libertação se desenvolveu em um momento muito oportuno: acabava de acontecer o Concílio Vaticano II, no ano de 1968, quando eu cheguei aqui - corriam ventos de mudança, as ditaduras militares tinham lugar, pelo qual o contexto foi propício para plantar pé e jogar-se à libertação. Além disso, há na América Latina uma certa unidade de continente. É o único continente que pode se chamar de pátria grande: Nossa América, como diziam os libertadores. Isso facilitou que surgisse uma teologia característicamente latino-americana.

Lembro sempre como as perseguições, os exílios, as torturas, os mártires conjugaram melhor toda a realidade latino-americana. Aqui no Brasil, às vezes, sentíamos que estávamos um pouco distantes da América Latina hispano-falante: um país muito grande, com outro idioma... Mas depois de todas essas ditaduras militares, quando se misturaram os cantos e o sangue, a América Latina é mais ela, e é ela e o Caribe. Isso sim, eu prefiro a expressão Nossa América, porque os libertadores usavam mais essa denominação: Bolívar, Martí, Sandino, Fidel...

Na Agenda Latino-americana que vocês elaboram a cada ano, que serve de trabalho para muitos ativistas do continente, vocês colocaram em 2009 o título "Para um socialismo novo". O que quer dizer esse socialismo novo?

Quem é que sabe? (risos). Se poderia dizer também esquerda, ou socialismo, mas em todo caso existem umas quantas exigências indispensáveis: primeiro, não se pode ter o lucro como objetivo; segundo, é preciso ter uma certa igualdade, níveis muito igualitários, por exemplo, nos salários de um ministro ou de um agricultor; é preciso reivindicar um intercâmbio de países de igual para igual; e finalmente não se pode aceitar que o capital se faça dono do trabalho, da economia e da própria democracia.

Como estamos vendo com o caso de Honduras, os tempos dos golpes de Estado na América Latina podem voltar?

Quem sabe... Pelo menos, na Nicarágua e no El Salvador, já não poderá haver o que houve: haverá injustiças, haverá situações complicadas, mas uma revolução muito popular não se perde por completo.

Isso sim, o fato de que um país possa ser massacrado constantemente e que não haja ninguém que possa intervir nisso dá prova de que a Humanidade está mal. O socialismo não pode aceitar a ideia do colonialismo, do imperialismo. Nesse sentido, devemos gratidão a Cuba, porque, com todos os seus pecados e seus excessos, o fato de contestar obstinadamente o império é um grande serviço para a América Latina e para o mundo. Nesse sentido, uma política mundializada poderia supor uma oportunidade global.

O senhor também vem batendo pé no problema do consumismo.

Até agora, o consumismo tem sido visto como um excesso de vaidades, que é preciso sim ter 40 pares de sapatos, duas televisões etc. Mas isso é muito mais sério: consomem-se direitos, consomem-se necessidades. Se existem 20% de pessoas e famílias que estão na situação de estar bem, que vivem na civilização do bem-estar, há 80% que não têm o fundamental. O consumismo é capitalista, e todo o ruim que o capitalismo tem o consumismo também tem. Se você comparar o que acontece quando há um terremoto no Japão e quando ocorre em Honduras, vê que, em um lugar, morrem três pessoas e no outro, duas mil. Os países do Primeiro Mundo permitem-se ir fazendo, e atrás de nós, dizem, o dilúvio. Porque o primeiro que se olha não é o mundo, é a própria casa.

Para a agenda do ano que vem, vocês propõem como lema "Salvemo-nos com o planeta".

Dentro dessa visão de globalidade, descobri por fim que o planeta é a nossa única casa. E não há modo de nos salvarmos se não salvamos o planeta. Melhor ainda: é bom lembrar que podemos acabar com os homens completamente, e o planeta seguirá. Até por egoísmo, diríamos, agora nós só nos salvamos se for com o planeta.

Criou-se uma consciência que antes não existir: a Amazônia foi praticamente descoberta, por dizer assim, nos últimos tempos. Para a Igreja, a Amazônia não existia. Houve atitudes de alguns "avançados", mais com ideias bucólicas do que políticas, que eram definidos como quixotes simpáticos, mas que não passavam disso. Ultimamente, com a globalização, diversos técnicos e cientistas lembram que a coisa é séria. E chegamos a uma postura mais política.

Frente a tudo isso, o que pode ser feito?

Deve haver um grande processo de conversão, uma mudança de mentalidade. Enquanto acreditarmos que podemos ter tudo o que queremos, não há solução. Precisamente porque a situação é global, a proposta de dar uma consciência crítica sobre a situação real deve chegar a todas as bases. Cada família tem o direito e o dever de pôr um certo limite: se por um lado o pai está em uma ONG de solidariedade e, por outro, o filho está consumindo de mãos cheias, com essa conduta estamos desmoralizando o que estamos construindo.

É bom que saiam tantas notícias em boletins informativos, para que nos demos conta do que está acontecendo. Como dizem muitos especialistas, não vai haver problemas: eles já existem hoje, e chegamos tarde, era preciso resolver as coisas anteontem. Outros, mais esperançados, dizem que ainda há tempo, que ainda podemos resolver os problemas. Só que, para isso, são necessárias políticas oficiais. Já é um gesto que uma família tenha um carro em vez de três, mas isso não resolve o problema do petróleo.

Então, onde fica a política?

Só se pode resolver o problema se há, de forma simultânea, políticas oficiais e políticas domésticas, grupais, partidárias, de associações, ONGs. Como está se dizendo muito agora, é preciso trabalhar local e globalmente. É preciso dar mais valor para a política. É preciso se meter na política, é preciso assumir a vocação política. Senão, ficamos cantando canções de protesto. A política foi desmoralizada, foi ficando nas mãos de pessoas sem consciência social nem responsabilidade. Tanto os partidos quanto os sindicatos causaram muitas decepções, mas continuam sendo válidos, mesmo que já não sejam tão hegemônicos, porque também há muitos movimentos sociais e ONGs que são muito valiosos.

As melhores ONGs são as muito politizadas: cuidam de ajudar estimulando, ajudar propiciando a ação e a formação. Deveríamos pedir que as ONGs fizessem um exame de consciência política. Porque estão ajudando, sim, mas e estruturalmente? A Igreja católica sempre fez caridade, mas, se não nos metermos nas estruturas, continuaremos com algumas que são nefastas.

A um ano das eleições gerais no Brasil, qual é a sua avaliação do governo Lula?

Lula, mesmo que quisesse, não poderia fazer um Brasil socialista. Porém, ele poderia propiciar muitos gestos que fossem rumo ao socialismo: reduzir os salários dos mais ricos e subir o dos mais desfavorecidos; facilitar oportunidades aos grupos humanos que não as tinham; pôr o trabalho acima do capital; não se entregar de corpo e alma ao agronegócio, mas sim à agricultura familiar. Podemos exportar? Claro que sim, mas não dando prioridade ao que não é prioritário. Seu lema do mandato foi: que todos os brasileiros comam uma vez por dia. Afinal, esse é um passo de protossocialismo, não?

Mas há milhões que não comem todos os dias. E que chefe de Estado teve a popularidade de 80% que Lula tem agora?

Como avalia o papel dos movimentos antiglobalização, os encontros do Fórum Social Mundial e as organizações que defendem que "outro mundo é possível"?

Essa consciência mundializada nos ajuda a compreender que devemos transformar o mundo. Não vale cuidar só a própria casa e o próprio país. A utopia se torna mais possível, porque já é uma utopia com visão política, de solidariedade, com atitudes concretas. Anos atrás, quem poderia pedir um governo mundial? Hoje, falar disso já não é tão utópico. A utopia é filha da esperança. E a esperança é o DNA da raça humana. Podem tirar-nos tudo, menos a esperança fiel, como digo em um poema. Pois bem, deve ser uma esperança confiável, ativa, justificável e atuante. Por isso, a Teologia da Libertação insistiu tanto na práxis: se dizemos que Deus é amor, é preciso praticá-los; se é vida, é preciso potencializar a vida. A religião não é práxis, diziam-nos, é fé. Mas a fé sem práxis é uma quimera e também um sarcasmo. Teoricamente, a coisa é clara. Agora, na prática, vamos ver...

[Publicada em espanhol na revista Pueblos, nº 39, de setembro de 2009, e no sítio Religión Digital, 08-10- 2009. A tradução é de Moisés Sbardelo].

* Revista Pueblos

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domingo, 8 de novembro de 2009

PALAVRA DO ASSESSOR




Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas diante dele fecha o coração, como pode o amor de Deus permanecer nele? Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! – 1Jo 3, 17-18
Esta mensagem de Deus, em meio a muitas outras, nos inquieta. Pra começar, riqueza é assunto muito complexo, pois Deus deu tudo para o ser humano desfrutar e ter domínio sobre o que é criado, mas não sobre as pessoas. Cada pessoa humana possui os mesmos direitos e os mesmos deveres. Normalmente se fala mais dos deveres, querendo enganar a consciência sobre os direitos humanos. Neste caso, não se justificam países, grupos financeiros ou pessoas serem mais ricos que outros... O Evangelho nos convida para a irmandade. É claro que há aqueles que se acomodam. A culpa é de quem? Pode ser da própria pessoa ou pode ela torna-se vítima da mentalidade do acúmulo, do materialismo e do “querer levar vantagem em tudo”, do que fazemos parte...
O texto acima é direto: “alguém passa necessidade, abra o coração – e o bolso também”. Teorias muitas vezes são bem vindas, mas no seguimento do Mestre Jesus o que vale é a prática (ações de verdade). Digamos não ao materialismo e ao acúmulo de bens. Digamos não ao paternalismo que a sociedade e, até mesmo, a Igreja podem praticar... Digamos não às diferenças sociais, econômicas e culturais entre nós, a humanidade filha de Deus... Digamos não ao consumismo individualista...
Falar sobre partilha é quebrar a estrutura pessoal e comunitária que impedem a gente a ser mais feliz...
Concluo: neste mês dedicado à reflexão sobre o Dízimo, não busquemos apenas conscientização (ou consciência sobre o Dízimo), mas vivamos uma experiência concreta da partilha, da dinâmica de dar ao outro o que o outro precisa, alcançando a maturidade do “dar-se ao outro”... O DÍZIMO É UM EXERCÍCIO DO DESAPEGO E DA PARTILHA!
FELICIDADES!!!
Pe. Ronildo Aparecido da Rosa
Assessor diocesano das CEBs

XXI Encontro Celebrativo das CEBs/Um encontro para Celebrar










Assim é o Encontro Celebrativo das CEBs, que vem acontecendo há vinte e um anos, uma grande festa das comunidades, um encontro para celebrar!

Este ano o XXI Encontro Celebrativo das CEBs, traz como tema: Caminhar juntos pelo Reino e o lema fazendo ressoar em nossa diocese o grito que vem da Amazônia.

Encontro no qual celebramos as novas experiências, as vitórias; revemos nossa caminhada e vivenciamos esta grande festa de partilha das comunidades.

Este ano de 2009 foi um ano cheio de desafios, ano que estamos vivenciando nosso 1º Sínodo Diocesano, ano que aconteceu o 12º Intereclesial das CEBs, ano que estaremos encerrando o serviço de toda equipe de coordenação diocesana.

Ano que os antigos sairão abrindo espaço para os novos, se renovando para frutificar cada vez mais!

Ano de muitas lutas, um ano de morte e ressurreição, um ano de trabalho de casa em casa, de rua em rua, de setor em setor, de apartamento em apartamento. Também de comunidade em comunidade, ano que as CEBs das regiões se visitaram, que se inteiraram mais e melhor das realidades de suas regiões pastorais.

Companheiros e companheiras que durante o ano se colocam a serviço, animam, ajudam a animar, abrem as portas de suas casas para receberem os encontros de reflexão, participam dos encontros, todos e todas que de alguma maneira fazem parte dessa imensa comunidade diocesana, se reúnem para celebrar por tudo que foi possível realizar. Um momento intenso de partilha da vivência onde a força das experiências partilhadas fornecem um novo olhar para realidade.

No grande dia do Encontro Celebrativo, aos poucos todo ambiente vai se colorindo de vida, de alegria, de muita animação. As pessoas vão chegando de todas as cidades de nossa grande diocese, trazendo sua alegria, o colorido de suas colchas, seus cartazes, a carne para partilha, seus refrigerantes. A cada ano mais pessoas participam desta grande festa da partilha.

Caminhada, teatro, música, dança, sorvete, crianças, jovens e adultos, jogos, sorteios e muita alegria, assim vem sendo construído a historia de nossos encontros celebrativos, cada comunidade oferta, disponibiliza seus talentos para tornar o dia inesquecível.

Maria Matsutacke

Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe

Identidade das CEBs

TODA A IGREJA CONSTRUINDO PONTES, PARA VIVER A COMUNHÃO!





Ao término de mais um Ano Litúrgico com a festa de Cristo Rei, somos chamados a nos comprometermos com o seu projeto de justiça, de paz e de amor ao próximo. Por isso, a igreja também comemora o dia dos Cristãos Leigos e Leigas, por sua inserção no mundo. Muitas vezes nos perguntamos, até que ponto sabemos realmente da nossa importância na vida da Igreja?
Os obstáculos tem sido muitos, tais como: conflitos de relacionamento, impedimento de uso da criatividade, uns mandam, outros servem, e muitas vezes, entre os próprios leigos no exercício de coordenações, aparece a falta de reconhecimento e tantas outras formas que se impede de levar à frente ações pastorais na igreja e na sociedade. Também percebemos que, leigos e leigas muitas vezes estão sós e abandonados por falta de apoio e incentivo em sua atividade eclesial, passando a sofrer de profunda tristeza.
Por outro lado, temos a certeza que a perseverança e a ternura impulsiona aqueles que não se deixam abater para avançar remando, ainda que, com poucos braços para não se deixar de pescar “ Ir mar a dentro e lançar as redes é o desafio!” O Mestre estará lá com sua Palavra motivadora para a Missão.
Com certeza, tem havido grandes avanços pós Concílio Vaticano II, com a abertura da Igreja, para que todo o povo de Deus, dela pudesse participar, e assim ordenados e não ordenados em muitos lugares de mãos dadas, vem espalhando sementes, arando terrenos para a semeadura, e muitos frutos tem sido colhidos.
É por este espírito de compreensão e comunhão, apoiados na vivência da Palavra e da Eucaristia que somos motivados a caminhar na direção do Reino. Os documentos da Igreja afirmam que os leigos e leigas são incorporados a Cristo pelo batismo, formando o povo de Deus. Participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei, e realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo (LG 31). São “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” (DP 786).



O Doc. de Aparecida também reafirma que os leigos são chamados a exercerem a sua missão no mundo de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho. “O espaço próprio de sua atividade evangelizadora é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social, da economia, como também da cultura, das ciências das artes etc.. São chamados a participar na ação pastoral da Igreja, primeiro com o testemunho de vida e segundo lugar, com ações no campo da evangelização, da vida litúrgica e outras formas de apostolado, segundo as necessidades locais sob a guia de seus pastores. Estes estarão dispostos a abrir para eles espaços de participação e confiar-lhes ministérios e responsabilidades em uma Igreja onde todos vivam de maneira responsável seu compromisso cristão” (DA 211).
Concluindo, queremos reafirmar o quanto é importante construir pontes e não trincheiras, visando o diálogo fraterno, solidariedade e respeito mútuo, lembrando que todos somos co-responsáveis na construção do Reino para transformar a sociedade e suas estruturas, e nisto animadores, animadoras e outros seguimentos da Igreja tem papel fundamental.
Fraternalmente um abraço a todos e todas que participam desta Igreja que tanto amamos.
Luiz Marinho
Equipe de Comunicação .

CEBs: Carisma/Finalidade



Formação para animadores

CEBs: Carisma/Finalidade

− Centralidade: Palavra de Deus
− Identidade originária: Jesus Cristo (Puebla, 641).

É a ligação com Jesus Cristo, ligação constitutiva: por causa da palavra de Jesus Cristo. Por causa do Espírito de Jesus Cristo. Por causa do seguimento de Jesus Cristo. Jesus é o fundamento estrutural das CEBs. A realidade fundacional das CEBs é Jesus Cristo. São Paulo fala que não há outro fundamento! Sua fonte é trinitária, pois tudo deve concorrer para a glória do Pai, por meio de Jesus Cristo, impulsionados pelo Espírito. Aliás, a Santíssima Trindade é Comunidade por excelência, e as CEBs querem formar Comunidade.
As CEBs são fundamentalmente "estrutura de Igreja", uma forma de organizar a Igreja. São "eclesíolas", micro-igrejas, são "células eclesiais": igrejas celulares, igrejas "em um ponto pequeno", igrejas "de base". São as unidades eclesiais menores, unidades relativamente completas, com identidade própria, com seu jeito próprio de caminhar.
Lembrando, também, que temos que distinguir claramente a diferença entre paróquia e matriz, que para muitos seria a mesma coisa. Paróquia aqui é entendida como "comunidade de comunidades". Para efeitos didáticos, vamos caracterizá-la chamando de os 4 "C's" das CEBs: 1º) Círculos Bíblicos, ou Grupos de Reflexão Bíblica, a partir do método de leitura bíblica popular ("olho na Palavra e olho na Vida"). Os membros das CEBs se apropriam da Palavra, pois leem e comentam as Escrituras no espírito eclesial e da comunidade; pregam nas celebrações, proferem palavras de consolação e de animação nos encontros, testemunham sua fé na vida cotidiana e nos locais de trabalho;
2º) Celebração Semanal, muitas vezes sem a presença do padre (não por vontade das CEBs, mas por pura falta de sacerdotes), dirigida por uma equipe de liturgia (geralmente Celebração da Palavra com a distribuição da Eucaristia). O povo das CEBs mostra-se, aqui, altamente criativo. Assumem funções nas liturgias, montam celebrações comunitárias de distintos gêneros (penitencial, de ação de graças, de recordação dos mártires populares, via-sacras etc.), reinterpretam de forma inovadora tradições devocionais como o rosário, as ladainhas e os benditos e as novenas;
3º) Conselho Pastoral Comunitário - São homens e mulheres que, geralmente em forma colegiada, assumem a animação e a condução de toda a comunidade. Ali estão presentes a(o) catequista, a senhora do Apostolado da Oração, o(a) jovem da RCC, o pessoal da CPT, a(o) animador(a) da comunidade e outros. Todos os assuntos são apresentados à comunidade e discutidos por todos até se chegar a um consenso. Ouvem-se todas as pessoas e fazem-se as revisões para ver se as decisões tomadas e assumidas comunitariamente foram cumpridas;
4º) Compromisso Sócio-transformador - Fundam círculos bíblicos, implantam novas comunidades eclesiais, criam grupos de oração/reflexão/ação, fazem missões populares, organizam encontros de aprofundamento da fé confrontada com os desafios da sociedade, particularmente dos pobres, empenham-se nos grupos de ação, justiça e paz na defesa e promoção dos direitos humanos.

É o suficiente apresentar estes 4 "C's" para uma comunidade ser uma CEB? Não! Estes são elementos estruturais. Falta a dimensão carismática, que dinamiza a estrutura da instituição; aquilo que perpassam transversalmente todos eles: a mística, a espiritualidade libertadora, centrada na causa do Reino de Deus, na opção pelos pobres e na sua dimensão profética.

Ser Igreja - Povo de Deus: Consciência de ser Povo de Deus.
CEBs, Povo de Deus, 2000 anos de caminhada. Grande afirmação do Concílio Vaticano II. Igualdade fundamental (LG,32): Participação na dimensão profética, na dimensão sacerdotal, na dimensão real.

Há várias características da espiritualidade das CEBs:

Libertária: pois visa a mudança, a transformação da sociedade.


Dialogal: é ecumênica, coloca-se na linha do diálogo inter-religioso.







Martirial: é solidária, cheia de compaixão.



Poética: traz sempre a utopia do Reino anunciado por Jesus: "Podem destruir uma árvore. Matar uma flor. Mas não impedirão a primavera".

Ecológica: tem ternura pela vida; abre-se para o valor da natureza.



Comunidades Eclesiais de Base – diocese de São José dos Campos - SP