sábado, 28 de novembro de 2009

Ipatinga sedia o 7° Encontro Nacional de Fé e Política

28/11/2009 | Karla Maria, de Ipatinga

Com um sotaque único, os mineiros da cidade de Ipatinga acolhem o 7° Encontro Nacional de Fé e Política. Os trabalhos começaram nesta manhã (28/11) e encerram-se no domingo às 14h.

Com o tema "Cuidar da Vida: Espiritualidade, Ecologia e Missão", dom Odilon Guimarães Moreira, bispo da Docese de Itabira acolheu a todos que chegavam : Sejam Bem Vindos, considerem esta Diocese como sua casa!

Segundo a Secretaria Geral do Evento, reunem-se no Centro Esportivo Cultural 7 de Outubro de Ipatinga, cerca de 3600 pessoas, vindas de 19 estados.

Em sua sétima edição, o Encontro de Fé e Política quer contribuir, em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano, "Fraternidade e Segurança Pública", para que todos os cristãos, homens e mulheres, sejam sujeitos protagonistas de uma nova sociedade, segura e justa.

Marcado pelo diálogo inter-religioso, pela participação de lideranças religiosas, indígenas e políticas, destaca-se no Encontro o cuidado especial aos deficientes auditivos, com tradução simultânea em libras.

Neste momento, 12h30 acontece a plenária com a presença de Patruis Ananias, Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Chico Alencar - Deputado Federal do Rio de Janeiro e Delze dos Santos Laureano, mestre em direito constitucional que integra a REde nacional de Advigados Populares.

À tarde, os participantes se deslocarão para os bairros de Ipatinga, onde serão realizadas as plenárias temáticas, com os seguintes temas: Impasses e Perspectivas do Movimento Sindical, Novos Caminhos da América Latina e Caribe, Espiritualidade e Profetismo, Consciência Planetária, Ética e Transformação Social das Instituições, Poder popular e democracia Participativa, Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade, Gênero, raça e Religião, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, Economia Solidária em Tempos de Crise, Mídia, Globalização e Alternativas, Segurança Alimentar e Políticas Públicas, Juventude na Construção da Cidadania, Terra e Povos indígenas, A Criminalização da obreza, Cuidar da VIda e dos Direitos Humanos, Pensando Uma nova Cidade, Movimentos Organizados e a Relação com os Mandatos Legislativos e Executivos, Àgua como Direito Humano e Reforma Agrária e a Criminalização dos Movimentos.

Ipatinga, a terra do Aço está com uma cor diferente, neste dia 28 de novembro.

Fonte: Revista Missões

REFLEXÃO DO DIA: SÁBADO – 28 de novembro

Lc 21, 34-36


A nossa vida é marcada por preocupações constantes que são exigências da agitada vida moderna. Essas preocupações muitas vezes acabam por fazer de si mesmas o centro da nossa vida. Na verdade, a gente deixa de viver a vida que a gente quer para viver a vida que é exigida de nós. Assim, não temos tempo para a oração, para a contemplação, para o encontro com Deus e o estabelecimento de comunhão com ele. O resultado de tudo isso é que deixamos de viver na sua presença e nos fechamos num mundo que cada vez mais nos escraviza e nos impede de viver a verdadeira vida, a vida dos filhos e filhas de Deus em perfeita comunhão e relação com o Pai.

Fonte: CNBB

Video da formação Leitura Orante da Bíblia




Formação - Leitura Orante da Bíblia

Aconteceu no dia 27 de novembro  na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a formação para as lideranças das CEBs, das pastorais e  movimentos sobre a leitura Orante da Biblia, com o Pe. Ray. Fizeram-se presentes a formação  Pe. Ronildo, páraco da Paróquia e Pe. Vitor vigario paroquial.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Natal 2009 - Mensagem de Natal












Encontro Celebrativo das CEBs





7° Encontro Nacional de Fé e Política

27/11/2009

Nos dias 28 e 29 de novembro, a cidade de Ipatinga em Minas Gerais, acolherá o 7° Encontro Nacional de Fé e Política. Ipatinga vem da língua tupi e significa "Pouso de Água Limpa", e é neste local que os partipantes vão refletir sobre o tema: "Cuidar da Vida: Espiritualidade, Ecologia e Economia".

Da Diocese de São José dos Campos, 27 pessoas irão participar do Encontro.


O Movimento Nacional Fé e Política espera que mais de 6.000 pessoas de todas as regiões do Brasil, participem do evento. O objetivo do do Encontro é lutar pela construção de uma sociedade alternativa ao capitalismo neoliberal, disseminando a reflexão política, a vida espiritual e a subjetividade daqueles que estão comprometidos com a prática política e social. Aqueles que abraçam a causa do movimento rejeitam os valores individualistas e de absolutização do mercado, defendendo a solidariedade, cooperação e o direito de todos à vida em plenitude. Lutam por uma sociedade socialista.

Para os militantes, as classes populares são o principal sujeito de sua história. O Movimento de Fé e Política pretende propiciar aos cristãos engajados na política um espaço de reflexão das atividades à luz da fé, dos valores evangélicos e dos deságios dessa realidade marcada pela crescente pobreza e exclusão.

O Movimento - Surgido no final da década de 80 com o intuito de reunir grupos informais de reflexão, o Movimento Nacional Fé e Política reúne grupos cristãos engajados na política à luz da fé cristã. O Movimento tem cunho ecumênico e está aberto a todas as pessoas que consideram política a dimensão fundamental da vivência de sua fé. De acordo com Teresinha Toledo, uma das coordenadoras, o movimento é um espaço de reflexão da fé e política. "Nós nunca nos preocupamos em ser entidade. Nós apenas animamos e fortalecemos a reflexão do assunto", esclarece.

O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, membro da Coordenação Nacional explica que o Movimento Nacional Fé e Política "foi motivado pela preocupação de assessores das Comunidades de Base e das pastorais sociais entre os anos de 1985 e 1987 a partir de um texto do teólogo Clodovís Boff sobre os cristãos e a política, escrito para preparar o 6º Encontro Intereclesial das CEBs. Esse foi o começo da história. Nós já tínhamos uma preocupação sobre a questão, mas aquele artigo provocou um debate. Então pessoas ligadas ao Centro de Direitos Humanos de Petrópolis, entre eles Leonardo Boff, Márcia Miranda e Adair Rocha, promoveram alguns encontros com intelectuais, políticos e assessores de CEBs" No dia 24 de junho de 1989, realizou-se no Rio de Janeiro um encontro maior com umas 30 pessoas. Na altura foram estabelecidas três prioridades: a formação em termos de pensamento, com a criação de um Caderno de Fé e Política; a questão da espiritualidade, o nosso jeito de rezar e criar laços de solidariedade entre as pessoas.

Histórico - O 1º Encontro aberto para todos aconteceu no ano 2000, em Santo André, SP, com a participação de quase 3.000 pessoas. Em 2002, o 2º Encontro foi em Poços de Caldas, MG, com 4.o00 participantes. O 3º Encontro em 2003, em Goiânia, GO, reuniu 6.000 pessoas. Em Londrina, PR, no 4º Encontro de 2005 participaram 5.000 pessoas. Em 2006 o 5º Encontro de Fé e Política aconteceu em Vitória, ES com 4.000 participantes e o 6º foi realizado em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, RJ, em 2007 com 5.000 pessoas e e 2009 desembarga em Ipatinga, MG.

Mais informações www.fepoliticamg.org.br.
Secretaria do 7° Encontro (31) 3821-8087 ou Secretaria Nacional Movimento Fé e Política (11) 2081-0294.

Jaime Patias e Karla Maria - Da redação com informações da Agência Adital e do Movimento Fé e Política.

Fonte: Revista Missões

Entrevista na Rádio Mensagem




Luzia Marcelino vice-coordenadora diocesana das CEBs  foi entrevistada por  Carlos Senna na Rádio Mensagem ouça o áudio abaixo:


A pedagogia do Advento

26/11/2009 | Domingos Zamagna *
Em Minas Gerais tive um professor alemão que costumava pilheriar com os alunos dizendo que "a História é a sucessão de sucessos que se sucedem sucessivamente". Mas depois ele nos falava, com palavras adequadas para adolescentes, da história como processo, animado por uma espécie de poder secreto que se desvela no tempo e no espaço. A história, com suas chances e fracassos, ambigüidades e conquistas. Falava com a experiência de duas guerras mundiais, uma longa fuga pela Sibéria e muitos anos de magistério no Brasil, de coração transbordante de fé e amor. Saudades desses velhos mestres que nos enriqueciam cultural e moralmente, sem jamais envenenar as inteligências dos jovens com ideologias tolas e preconceitos!
O reinício do Ano Litúrgico, com o primeiro domingo do Advento e a preparação imediata para o Natal, nos proporciona a reflexão sobre o mistério da história e da sua salvação. A Bíblia entende a história como uma sucessão de gerações. E cada geração dá a sua contribuição para, guiadas todas pela Providência divina, descobrirem o desígnio de Deus. Um desígnio sempre "novo", mas um novo que não se reduz às "novidades", que estas podem converter-se num retumbante, superado e estéril arcaísmo. Um novo que pode transformar, e habitar permanentemente, até mesmo no que alguns chamam de banalidade do quotidiano.
O que importa é saber que Deus -eterno em si mesmo- quis se relacionar com a nossa raça, e a divinizou, na forte expressão dos Padres Gregos. Tocou a fragilidade do tempo, a precariedade do espaço e a ambigüidade da história: enviando-nos o seu Filho para, pelo mistério da Encarnação, ser um de nós, ele deu dimensão de santidade a todas as realidades humanas. Noutras palavras: deu-nos a possibilidade de nos subtrair à sedução mítica e idolátrica do quotidiano, que nos impedia de ampliar nossos horizontes. A graça que nos vem do Redentor nos projeta para além dos limites espaciais, temporais e históricos: "novos céus e novas terras", como profetizou Isaías.
O ano litúrgico da Igreja, que está prestes a se iniciar, é uma maravilhosa e atualíssima pedagogia: dia após dia, ciclo após ciclo, somos encaminhados -a história da Igreja é uma caminhada- para o esperançoso amadurecimento da fé, pelo aumento da compaixão, da solidariedade (ágape) e o gozo da paz salvífica.
* Jornalista e professor de Filosofia em São Paulo
Fonte: www.adital.com.br e

fonte revista Missões

REFLEXÃO DO DIA: 6a FEIRA – 27 de novembro


Lc 21, 29-33

Devemos ser capazes de reconhecer os sinais dos tempos para que possamos perceber os apelos do Reino de Deus na nossa vida, assim como sermos capazes de descobrir a presença de Jesus na história das pessoas. Somente quando somos capazes de analisar os acontecimentos a partir da ótica da fé é que somos capazes de interpretar os fatos como sendo sinal dos tempos e ação da graça divina no nosso dia a dia. Para que isso seja possível, a Palavra de Jesus deve ser o critério fundamental para a interpretação dos acontecimentos.

Fonte:CNBB

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Rio da Comunidade



Os vários “olhos d’água” vão se juntando e formam o rio. O rio, por onde passa, vai gerando vida dentro e fora dele. Dentro ele cria os peixes e as plantas que vivem na água. Por fora dele, o rio torna o terreno bom para a plantação. O rio é uma fonte de vida. Por onde passa o rio espalha vida. Mas quando é poluído pelos agrotóxicos e todo tipo de sujeira, o rio mata a vida dentro e fora dele.
A comunidade é como o rio. Nasce dos pequenos Grupos de Reflexão, à luz da Palavra de Deus e no meio de muitas dificuldades. Mas, na medida em que vai se organizando vai se tornando uma fonte de vida. Vai criando vida dentro e fora dela.
A comunidade gera vida dentro dela quando vai reunindo as pessoas para celebrar junto a fé em Deus através da missa e do culto dominical. Quando organiza a catequese, quando organiza as várias pastorais para atender às necessidades de todos, quando faz o trabalho missionário de ir atrás dos afastados, é sinal de que a vida está correndo. É sinal de que o rio da comunidade está trazendo mais vida para todos.

Também, a exemplo do rio, a comunidade cria vida fora dela. Ela vai percebendo que Deus quer vida em abundância para todos. A verdadeira comunidade procura tornar produtivo todo terreno em volta dela. Assim ela incentiva as Associações de moradores, de produtores, etc. Ela organiza mutirões em favor dos mais necessitados, incentiva o organização sindical e a participação honesta e sadia do cristão na política para poder transformar a sociedade.
Assim, a comunidade gera vida dentro e fora dela. Mas, é bom lembrar que não podemos deixar poluir o rio da comunidade. Quando entra a desunião, a briga pelo poder, a fofoca, a politicagem, o rio da comunidade fica poluído e mata a vida. Mas quando a gente fica firme na Palavra de Deus, o rio encaichoeira e se purifica devolvendo a vida.
“O rio da comunidade, vai vencendo os desafios, no campo e na cidade, se ajunta com outros rios”

Fonte: Movimento Boa Nova

Retiro Inaciano no Advento

VEM, SENHOR JESUS!







INTRODUÇÃO

1. O QUE É O RETIRO DO ADVENTO?

A cada ano em nossas comunidades cristãs o Tempo do Advento abre o ano litúrgico e nos prepara para as festividades do Natal do Senhor Jesus.

Evidentemente, em todas as celebrações do ano litúrgico sempre encontraremos muitas expressões, seja nas leituras proclamadas, seja na eucologia (diversas orações), que nos remetem à memória do mistério da encarnação de Cristo (nascimento histórico em Belém de Judá) e à feliz esperança de sua vinda gloriosa (parusia), quando chegará o dia sem ocaso e Cristo será tudo em todos. Aqui, basta-nos lembrar a aclamação memorial, coração da prece eucarística, quando em cada celebração dizemos repetidamente: “Vinde, Senhor Jesus!”; ou, ainda, a belíssima intervenção da assembléia na prece eucarística sobre Reconciliação I: “Esperamos, ó Cristo, vossa vinda gloriosa”.

Porém, de modo particular, o Tempo do Advento é caracterizado pela simplicidade de elementos externos que tornam a celebração litúrgica mais sóbria e, ao mesmo tempo, pela profundidade da espiritualidade que brota das orações e dos textos da sagrada escritura.

Neste caminho espiritual estamos propondo esta experiência diária de oração, no encontro íntimo com o Senhor da vida, a partir dos textos bíblicos de cada dia ao longo do Tempo do Advento. Como também nos anima o DA: A oração pessoal e comunitária é o lugar onde o discípulo, alimentado pela Palavra e pela Eucaristia, cultiva uma relação de profunda amizade com Jesus Cristo e procura assumir a vontade do Pai. A oração diária é um sinal do primado da graça no caminho do discípulo missionário. Por isso, “é necessário aprender a orar, voltando sempre a aprender esta arte dos lábios do Mestre” 146.

Bem, este caminho de oração, feito no dia-a-dia, por um determinado tempo, baseando-se em exercícios de oração, sugeridos e elaborados neste livreto que ora apresentamos.

Elementos básicos para fazer este Retiro do Advento são:

a. dedicar trinta (30) minutos à oração pessoal diária;
b. rever esta oração durante alguns minutos;
c. fazer, no final do dia, durante aproximadamente dez (10) minutos, a Oração de Atenção Amorosa, como uma retrospectiva do dia que passou.


2. COMO ORGANIZAR-SE PARA O RETIRO DO ADVENTO?

O “coração” do Retiro do Advento é a dedicação de, pelo menos, trinta (30) minutos diários, para os exercícios sugeridos. É importante encontrar um tempo propício para estes exercícios diários de oração. Isso pede muita fidelidade. Aprendemos dos mestres de oração como é importante dar um tempo certo para a oração pessoal diária. Todos nós, hoje em dia, temos muito o que fazer. Depende de nós organizarmo-nos e convencermo-nos de que o tempo é a condição fundamental para a oração acontecer. Assim escreve São Francisco de Sales: “É muito importante dar atenção a Deus, durante meia hora diária; mas quando os afazeres são muitos, então é necessário destinar uma hora inteira para a oração pessoal”.

O melhor tempo para a oração diária é aquele em que estou mais descansado, menos disperso e agitado pelas preocupações do dia. Bom seria que fosse sempre à mesma hora. Se isto não for possível, faz-se um plano semanal. Deveríamos mesmo agendar este tempo.

Terminado o tempo da oração pessoal, sou convidado a usar mais algum tempo para rever como foi a oração, perguntando a mim mesmo: Saí-me bem? Por quê? Tive dificuldades, resistências? Recomenda-se ter uma espécie de diário espiritual onde se anota aquilo que aconteceu de importante e significativo durante a oração.



3. ROTEIRO PARA A ORAÇÃO DIÁRIA

Esquema, como possível ajuda, para os trinta (30) minutos de oração diária.

a) Escolher a hora e o lugar mais apropriados para a oração.
b) Acolher a presença de Deus, saber que Ele me quer junto de si.
c) Pedir a luz do Espírito Santo para que Ele me dirija e inspire.
d) No início de sua oração pessoal, rezar esta oração preparatória:


ORAÇÃO PREPARATÓRIA



Aqui estou, meu Deus, diante de ti,
tal como sou agora.
Estou tranqüilo e pacificado diante de ti, Senhor,
como um discípulo atento a seu Mestre.
Estou na tua presença e me deixo conduzir.
Abro-me à tua proximidade.
Dá-me um coração de discípulo,
para que, cada dia, possa ouvir a tua Palavra.
Tu és a fonte da vida, a força da vida que me penetra.
Tu és meu ar que me oxigena e dilata.
Deixa que a tua paz me habite.
Concede-me a graça de me deixar “limpar” por ti,
ser uma concha que se enche de ti, meu Deus.
Que todos os meus pensamentos e sentimentos,
minha vontade e liberdade sejam orientados para o
teu serviço e louvor, meu Mestre e Senhor.
Assim seja!



e) Dois modos de orar os textos indicados:

1º - CONTEMPLAÇÃO EVANGÉLICA (se o texto for um fato bíblico ou um mistério da vida de Cristo)
Como proceder?
• Recordo a história e use a imaginação para entrar na cena evangélica.
• Procuro ver, contemplando cada pessoa da cena; dou um olhar demorado, sobretudo, na pessoa de Jesus (se for o caso). Olho sem querer explicar ou entender.
• Tento ouvir, prestando atenção às palavras ditas ou implícitas: o que podem significar? E, se fossem dirigidas a mim...?
• Observo o que fazem as pessoas da cena. Elas tem nome, história, sofrimentos, buscas, alegrias. Como reagem? Percebo os gestos, os sentimentos e atitudes, sobretudo, de Jesus.
• Participo ativamente da cena, deixando-me envolver por ela. Além de ver, ouvir, tente apalpar e sentir o sabor das coisas que nela aparecem.
• E, refletindo, tiro proveito de tudo o que ocorreu durante a oração.
• Finalizo com uma despedida íntima de meu Deus, rezando um Pai Nosso.
Saindo da oração, faço a minha revisão ( cf 4 ).

2º - LEITURA ORANTE (se for um texto de ensinamento da Escritura)
• Leio o texto inteiro de uma vez; releio, devagar, versículo por versículo. Pergunto-me:
O que diz o texto em si?
• Paro onde Deus me fala interiormente; não tenho pressa, aprendo a saborear. Pergunto-me: O que o texto diz para mim?
• Deus é Pai que nos ama muito mais do que poderíamos ser amados. Pergunto-me: O que o texto me faz dizer a Deus? Podem ser louvores, pedidos, ação de graças, adoração, silêncio...
• Vou acolhendo o que vier à mente, o que tocar o meu coração: desejos, luzes, apelos, lembranças, inspirações.
• Pergunto-me: O que o texto e tudo o que aconteceu nesta oração me fazem saborear e viver?
• Finalizo a oração com uma despedida amorosa. Rezo um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.
• Saindo da oração, faço a minha revisão ( cf 4 ).


4. REVISÃO DA ORAÇÃO

Terminada a oração, revejo brevemente como me saí nela, perguntando-me:

• que Palavra de Deus mais me tocou?
• que sentimento predominou?
• senti algum apelo, desejo, inspiração?
• tive alguma dificuldade ou resistência?

Anoto o que me pareceu mais significativo na forma de uma breve oração de súplica ou de agradecimento.

N.B.: Este roteiro pode ser utilizado para a partilha da oração em grupo.


5. ORAÇÃO DE ATENÇÃO AMOROSA

Agora vamos procurar entender o segundo aspecto importante do Retiro do Advento, ou seja, a Oração de Atenção Amorosa, que é um elemento profundamente enraizado na tradição espiritual da Igreja. Trata-se do exame espiritual de consciência. Inácio de Loyola teve uma visão mais ampla deste exame, não apenas vendo as falhas, mas lançando um olhar para todo o dia vivido, agradecendo, louvando e também pedindo perdão pelas culpas e falhas acontecidas. Conclui-se confiantemente, colocando o futuro nas mãos de Deus.

Para a Oração de Atenção Amorosa são necessários 10 a 15 minutos. Durante meu Retiro do Advento, posso unir a Oração de Atenção Amorosa à minha oração da noite. Segue um esquema para este exercício no quadro abaixo:

Preparação (externa e interior)
Começo minha oração conscientemente: faço o sinal da cruz, acolhendo a presença de Deus.

Peço ao Senhor a graça de perceber, com atenção amorosa, o dia que termina, vendo-o na sua luz.

1. Agradecimento
Agradeço a Deus por tudo que vivi neste dia. E se não acho nenhum motivo para agradecer, posso pelo menos dizer obrigado pela vida que me foi concedida gratuitamente.

2. Invocação ao Espírito Santo
Invoco o Espírito Santo, pedindo luz para discernir o uso que fiz de minha liberdade.

3. Um olhar sobre o dia que passou
Contemplo o dia que passou. Deixo passar diante de mim o dia todo ou coloco-me diante de alguns acontecimentos. Não preciso avaliar ou julgar-me, porque a percepção da realidade de um dia vivido antecede à avaliação. Encontro motivos para agradecer? Para me queixar? Permiti que Deus atuasse em mim, sendo sinal de sua presença e amor para com os outros?

4. Pedido de perdão
Reconhecendo-me frágil e pecador, peço perdão ao Senhor por minhas faltas ou pelo bem que deixei de fazer, não me deixando conduzir por seu Espírito.

5. Oração de conclusão
Confio ao Senhor o meu amanhã, experimentando a alegria de nele depositar a minha esperança.


6. ACOMPANHAMENTO NO RETIRO DO ADVENTO

Além das orientações dadas, seria desejável um acompanhamento mais direto. Há duas possibilidades:

1. Recomenda-se às pessoas que desejam fazer o retiro, formarem grupos por proximidade geográfica ou afetiva, sejam grupos já existentes na paróquia, sejam grupos a se constituírem. O objetivo é reunir-se, semanalmente de preferência, para a partilha das experiências.

2. Tanto quanto possível, os grupos sejam acompanhados por um orientador experiente nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, auxiliado por outros acompanhantes idôneos que se disponham a prestar este serviço pastoral.


7. O ESQUEMA DO LIVRETO DO RETIRO DO ADVENTO
Cada uma das cinco semanas do Retiro do Advento contém cinco exercícios de oração. O sexto dia (sábado) destina-se para o que chamamos de repetição. Trata-se de escolher o exercício da semana que mais me tocou ou que foi mais difícil para mim. A repetição tem um papel muito importante nos Exercícios Espirituais. Não raras vezes acontece que somente durante a repetição se consegue uma experiência de oração mais profunda.

Basicamente propomos dois modos de rezar: a contemplação inaciana e a leitura orante. Para cada dia apresentamos uma pequena reflexão para ajudar no aprofundamento do texto bíblico do dia.

O título deste Livreto: Vem, Senhor Jesus! . Toda a preparação do Advento destina-se ao encontro com a pessoa divina do Menino-Deus. A esperança messiânica acalentada pelos profetas, a mudança de vida pregada por João Batista e a suavíssima proteção da Mãe de Deus conduzem-nos ao que há de mais importante em nossas vidas: o amor a Deus, por Jesus Cristo, daí decorrendo o amor ao próximo, especialmente aos mais necessitados, sem o que o nosso amor seria incompleto. Parece ser este o sentido do Natal: Deus invisível e incorpóreo desce até nós, não somente para tornar-se visível e nos visitar em nossa própria carne, mas para habitar conosco, de modo definitivo, fazendo-nos contemplar a sua glória (cf Jo 1,14).

Tratando-se de Retiro do Advento, os exercícios começam na segunda-feira após o domingo de Cristo Rei, com uma semana introdutória. Ela tem como título: “Preparando o coração” e deseja convidá-lo a entrar conscientemente no caminho de oração dos Exercícios na Vida Diária e a dispor-se a uma atitude orante.

Então seriam 5 semanas:

Semana Introdutória: Preparando o coração...
1ª semana: Ficai atentos e orai a todo momento.
2ª semana: Preparai os caminhos do Senhor.
3ª semana: Ele vos batizará com o Espírito Santo.
4ª semana: Feliz aquela que acreditou!


| Retiro do Advento |
Vem, Senhor Jesus! |



Semana Introdutória - Preparando o coração...

Introdução:

Neste Retiro do Advento, somos convidados a mergulhar na mística da encarnação, pois o nascimento de Jesus em Belém de Judá já inaugura a plenitude dos tempos, em que se realiza o mistério da Salvação humana. Esta esperança foi alimentada desde a promessa de Deus a Abraão até se completar no mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Salvação que culminará na plenitude no céu, quando Ele vier como Senhor e Juiz da história, pois “Aquele” que assumiu a nossa humanidade, nos fez participantes de sua divindade, que será manifestada em todo o seu esplendor no dia final.

Assim a mística deste tempo faz brotar um profundo sentimento de alegria e paz, pois este é um tempo em que afloram as disposições de reconciliação entre as pessoas e destas com Deus, o empenho solidário em fazer acontecer um mundo novo, onde não haja necessitados, onde a justiça e a paz possam se abraçar.

No domingo anterior, celebramos a Festa de Cristo, Rei do Universo. Segundo as imagens do Apocalipse, Cristo é “o alfa e o ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim” (Ap 22, 13). Como verdadeiro “Rei do universo”, governa e renova tudo, para poder “entregar” no final o mundo ao Pai, “para que Deus seja tudo em todos” (1 Co 15, 28). Procuremos que sua realeza se manifeste em nosso esforço por viver as realidades do mundo, transfigurando-as com o amor e o louvor a Deus.

Então, nesta semana, anterior ao primeiro domingo do Advento, somos convidados a aquecer nossos corações, a nos prepararmos na dinâmica da vida, no dia-a-dia de nossa realidade, para este retiro do Advento, onde, contemplando o Menino nascido na “Casa do Pão”, naquela Noite Feliz e Santa, vislumbramos uma luz diferente que ilumina os olhos de nossa fé. Não é a luz de algum astro brilhante em meio às trevas do firmamento, mas a verdadeira Luz, que procede do próprio Menino, Deus que se fez Humano. Esta luz invade os corações e o que pela fé brilha nas mentes, precisa se manifestar em ações.

O Divino e Eterno Pai nos criou por amor. Porém, o pecado nos fez morrer. Perdemos a graça exatamente porque nos desviamos da vontade do Pai e não correspondemos ao seu inefável amor. Mas, em sua benevolência, Ele mandou ao mundo o seu Filho, para restabelecer a dignidade humana. O nascimento de Jesus dá início ao cumprimento da promessa de salvação. A partir de então já estamos reconciliados para vivermos uma vida nova e alcançarmos a imortalidade pela redenção oferecida na Cruz libertadora.
Textos para a semana:

1° Dia (23.11) - Lc 21,1-4: Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas

Esta narrativa de Lucas vem em seguida à advertência de Jesus contra a prática dos escribas. Estes escribas, enquanto fazem questão de ostentar piedade e prestígio, devoram as casas das viúvas. Em continuidade a esta denúncia, segue a narrativa da oferta da pobre viúva. O templo de Jerusalém tinha um anexo, o Tesouro, onde eram guardadas as riquezas e depositadas as ofertas através de pequenas aberturas externas. Jesus, ostensivamente, senta-se diante do Tesouro para observar.

A multidão dos excluídos lançava pequenas moedas que, somadas, dariam grande valor. Muitos ricos depositavam muito, o que não lhes pesava, pois eles próprios se beneficiavam com estas vultosas riquezas acumuladas no templo. Jesus chama a atenção sobre a viúva pobre que deu duas moedinhas, que era tudo o que tinha para viver. Com isto, em continuidade à denúncia dos escribas que devoram as casas das viúvas, critica o próprio sistema elitista e explorador do templo. Com as exigências das estritas observâncias de suas leis, de seus dízimos e ofertas, os pobres são humilhados e explorados. Jesus busca a libertação do povo excluído sob tal jugo, resgatando sua dignidade e promovendo a vida.


Outros textos da liturgia do dia: Dn 1,1-6.8-20; (Sl) Dn 3,52-56.

2° Dia (24.11) - Lc 21,5-11: Não ficará pedra sobre pedra
Em meio ao barulho do povo no templo, alguns admiram a magnificência da construção. O templo, reconstruído depois do exílio, parece que foi realmente modesto se comparado com o primeiro, construído por Salomão. Contudo, para a época de Jesus, aquele modesto templo do pós-exílio era outra coisa totalmente diferente.

Herodes o Grande, com mania de grandeza por natureza, buscando reconciliar-se com os judeus, havia-se encarregado de remodelá-lo, com ampliações e com soluções que ainda surpreendem a engenharia moderna. Isto para entender por que os visitantes se maravilhavam tanto com aquela obra. Além da magnificência do edifício e a pompa da obra como tal, o templo significava tudo para Israel, não somente por sua convicção de que era o lugar da Presença, lugar onde habitava o Nome de Deus ou sua Glória (Ezequiel 43, 4), mas porque, como estrutura institucional, determinava todos os objetivos políticos, econômicos, sociais e religiosos da nação.

Consideremos só o religioso: o templo como habitação do Nome (os israelitas não se atreviam a personificar a Deus nem muito menos a dar-lhe um nome específico, por isso utilizavam invocações para se referir a ele: o Nome, a Glória, a Presença, Shekiná). Do lugar específico do Santo dos Santos se irradiava sua santidade para os demais lugares do templo: primeiramente para o que estava mais perto do lugar da Santidade, o altar; em seguida as casas e o pátio dos sacerdotes de Israel; depois as casas e os pátios dos levitas, pátio dos israelitas legalmente puros, pátio dos impuros, pátio das israelitas e das crianças, pátio dos estrangeiros, palácios próximos, o resto da cidade, o país e o mundo; de modo que a santidade se deduzia pela proximidade ou distância do lugar da Santidade divina. Nessa medida, o templo era a réplica em miniatura da sociedade israelita estratificada por razões sociais, econômicas e, contraditoriamente, por razões religiosas (puros e impuros, abençoados e malditos).

Aqueles que observam a maravilha arquitetônica não estão em condições de pôr em questão tudo o que há por trás daquela estrutura de pedra; unicamente Jesus que, como já vimos, se orienta por outros critérios, com outros parâmetros, é capaz de questionar e até se atreve a predizer sua destruição: o da ruína material pôde tê-lo dito pela simples constatação histórica porque já havia ocorrido em 587, mas também porque era um fato que os detentores do poder procuravam arruinar as construções religiosas dos súditos, para submetê-los com maior crueza. Destruindo os templos, saqueando-os e, especialmente, retirando deles as estátuas das divindades e demais símbolos religiosos, os invasores davam por submetidos também os deuses dos povos conquistados, e estes tinham a obrigação de submeter-se à religião do conquistador.

Já o templo de Jerusalém tinha sido saqueado pelos babilônios, pelos gregos, e faltavam os romanos, mas não tardariam. Contudo, a realidade da destruição de templo Lucas já a devia conhecer e aproveita aquela imagem para pô-la na boca de Jesus como profecia e como introdução de seu discurso escatológico que se abre precisamente aqui, a propósito das palavras dos aterrorizados fiéis diante daquela fortíssima construção.

Não é necessário, portanto, insistir se Jesus predisse a destruição de Jerusalém e seu templo em termos literais. O mais importante é que com a clareza de uma consciência totalmente liberta e desprovida da alienação religiosa, própria de seu tempo, Jesus manifesta sua mais profunda convicção e fé na queda de todo o sistema montado ao redor do templo como estrutura geradora de injustiça institucional. Não seria algo pacífico nem fácil: com a mesma violência e injustiça com que se tinha levantado tudo aquilo, seria derrubado também. Não porque Deus interviesse para que as coisas se dessem assim, senão como uma espécie de lei da vida.

Os tempos difíceis chegarão, isso não se pode evitar; mas Jesus previne seus seguidores para que, em tempos de dificuldade, estejam muito atentos, com os olhos abertos e uma consciência bastante clara e definida, para não crer em qualquer um que diga “sou eu” ou “o momento está próximo”. Não há por que se preocupar tanto pelo “quando” (v. 7) sucederá o que Jesus acaba de vaticinar. O que realmente importa é manter a capacidade de distinguir sempre com critérios de justiça os sinais dos tempos.

Outros textos da liturgia do dia: Dn 2,31-45; (Sl) Dn 3,57-61.

3° Dia (25.11) - Lc 21,12-19: Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça

Continuamos com as palavras que Jesus começa a dirigir a seus discípulos no versículo 10. Tanto o versículo 10b como 11 são um recurso literário de Lucas, próprio da literatura apocalíptica, e não são para meter medo nem terror, nem são, como certas interpretações fundamentalistas pretendem, um anúncio sobre o fim do mundo.

Uma ordem de coisas que tenha sido construída sobre violência e sangue de inocentes tem de cair, esse sistema carrega em si mesmo a dinamite que terminará por destruí-lo. Isto é o que quer descrever Lucas com estas imagens que, repito, são mais de esperança e de garantia de que algum dia os sistemas injustos terminarão por auto-destruir-se, do que de terror ou medo.

“Antes de tudo isto, vocês serão perseguidos...” (v. 12). Prevê Jesus uma reação violenta por parte das autoridades judaicas (leva-los-ão às sinagogas) e das autoridades romanas (diante de governadores e reis). Por causa de quê? Por estar o discípulo empenhado ativamente na transformação da ordem injusta, anunciando, denunciando e realizando os sinais do Reino, exatamente como fez o Mestre. Daí que quase os mesmos termos que anunciam sua Paixão, anunciam também o caminho de sofrimento para seus seguidores.

Este comportamento contra os discípulos será uma prova de que estão no mesmo caminho do Mestre e ao mesmo tempo lhes servirá para provar (dar testemunho) o que crêem e pregam.

As acusações e perseguições procurarão anular a defesa, contudo Jesus pede que não se preocupem em prepará-la quando isto acontecer. Se o discípulo estiver convencido da verdade que recebeu do Mestre, por mais perseguição e hostilidade que receba, a verdade do Reino, da justiça, impor-se-á por si mesma.

Contra esta verdade, poderá vir o mundo inteiro e, contudo, não conseguirá mudá-la, nem sequer quando os seres que mais amamos, pais, irmãos, amigos, chegarem a declarar-se contra nós; nada disso conseguirá fazer mudar de opinião o discípulo. Pelo contrário, o discípulo é chamado a agir resistindo e a gerar resistência. Não se trata aqui de nenhum fanatismo, já que o discípulo deve agir sempre movido pelo critério máximo da justiça.

Outros textos da liturgia do dia: Dn 5,1-6.13-14.16-17.23-28; (Sl) Dn 3,62-67.

4° Dia (26.11) - Lc 21,20-28: Levantai-vos e erguei a cabeça, porque vossa libertação está próxima

A destruição de Jerusalém pela Babilônia já havia sido interpretada pelo povo judeu como castigo por terem pecado contra Deus. Por outro lado, Ciro da Pérsia, cruel conquistador, foi considerado um messias, escolhido por Deus, por ter feito um acordo para a volta das elites exiladas a fim de reconstruírem Jerusalém. Agora, Jerusalém está prestes a ser destruída de novo. Toda esta violência, que é fruto da ambição e do conflito de poderes, ainda é vista como vontade de Deus. Jesus ofereceu a paz a Jerusalém e ao mundo. Aqueles que a rejeitam caminham para a autodestruição. Os discípulos de Jesus, libertos desta espiral de violência, de cabeça erguida continuam sua missão de anunciar e construir a paz.

Outros textos da liturgia do dia: Dn 6,12-28; (Sl) Dn 3,68-74.

5° Dia (27.11) - Lc 21,29-33. Saibam que o reino de Deus está perto!

No início destes ensinamentos a seus discípulos, alguns perguntaram a Jesus: “Quando será isto e que sinal haverá quando tudo isto estiver para acontecer?” (21, 7). Jesus responde, mas sem criar falsas expectativas. Ao contrário, quer prevenir seus discípulos para que não caiam na armadilha de se deixar arrastar por falsos messias e messianismos.

Era muito comum e muito freqüente aparecer alguém anunciando coisas excêntricas e, como sempre, muitos ingênuos o seguiam. Os discípulos teriam de estar conscientes de que, de um momento para outro e mantendo os braços cruzados não iria acontecer nada, mas deviam começar a reconhecer o início dos novos tempos, quando fossem objeto de acusações, perseguição e até ódio por causa de seu compromisso e das ações transformadoras: isto seria sinal claro da manifestação do reino.

Para esclarecer a pergunta sobre o “quando”, Jesus ensina que é necessário ficar atento aos sinais dos tempos, e para isso se vale de uma comparação. Assim como todo o mundo é capaz de prever a chegada do verão quando a figueira ou qualquer outra árvore apresentarem seus primeiros brotos, assim também será fácil deduzir quando virá o Reino de Deus: ao começarem a suceder estas coisas, a saber, tudo o que até aqui disse Jesus: divisões, reino contra reino, perseguições...

Note-se que Jesus fala aqui da proximidade e chegada do reino de Deus. Lucas evitar dar a estas palavras o acento de fim do mundo ou de juízo universal como o faz Mateus. A proximidade e a chegada do Reino colocarão um final sim, mas não ao mundo ou à criação como tal, mas a um sistema injusto. Esta chegada tem de ser preparada pelos seguidores de Jesus, criar o ambiente próprio onde cada um se comprometa a se deixar transformar pela Palavra e ao mesmo tempo se empenhe em ajudar na transformação dos outros.

Para isso, é necessário ficar muito atentos aos sinais do tempo. São muitas as situações, pessoas e coletividades que diariamente se apresentam diante de nós como verdadeiros e legítimos sinais da proximidade do Reino, contudo, muitas vezes os descartamos, desautorizâmo-los e até os acusamos ou perseguimos porque “não se ajustam à norma ou ao estabelecido”.

Mas também sucede que muitas vezes pretendemos aparecer ou fazer aparecer nossas ações como “sinais do Reino”, quando na realidade não o são. Prova disso, é que não causam nenhuma desinstalação, nenhum remorso no meio em que vivemos, não geram revisão nem mudança no ambiente social, político ou religioso onde trabalhamos ou nos movemos. Será “prudência” evangélica? Ou será porque nossa ação como discípulos se confunde com o que está estabelecido, a ponto de não se diferenciar em nada? Não deixa de ser intrigante o fato de que hoje, quando a vida, a dignidade, a justiça estão sendo tão tremendamente ameaçadas, os cristãos seguimos tão tranqüilos, e prova disso é que são raras as notícias sobre perseguição a cristãos comprometidos com o Reino!

Outros textos da liturgia do dia: Dn 7,2-14; (Sl) Dn 3,75-81.

6° Dia (28.11) - Repetição ou Lc 21,34-36. Estejam vigilantes!

Ontem, o evangelho nos falava da importância de se ficar atento aos sinais dos tempos para se poder perceber a proximidade e a chegada do reino. Hoje, ensina-nos que é preciso estar preparados para a chegada do Filho do Homem.
O “ficar preparados” implica, segundo o evangelho de hoje, não se deixar absorver pela rotina dos dias, já que nessa rotina há situações e fatos que podem tornar-nos insensíveis, sobretudo, aqueles menos úteis para a vida como são os vícios, as bebedeiras (v. 34). Quem é absorvido por estas coisas pode facilmente ser surpreendido “naquele dia” e cair como numa armadilha.

As expressões indicam um estado real da comunidade de Lucas.

Talvez, num primeiro momento, tenha vivido a experiência do evangelho com muita intensidade, dada a crença de um “fim próximo” que para muitos era realidade; mas quando começou a passar o tempo e o fim não chegava, o povo começou a desinteressar-se de todo o discurso evangélico e foram caindo de novo na rotina vazia e desprovida de horizontes. Tratar-se-ia mais ou menos de uma etapa intermediária entre a segunda e terceira geração apostólica, à qual, supostamente, pertence Lucas.

O evangelista anima sua comunidade para que não perca a esperança nem o sentido de Jesus e por isto atualiza palavras e tradições sobre Jesus como esta: “estejam preparados e atentos orando o tempo todo” (v. 36). E esta deve ser a atitude dos discípulos, manter-se preparados e, como vimos ontem também, estar muito atentos aos sinais dos tempos, porque sempre há uma ocasião propícia para que se possa manifestar o Filho do Homem.

Chegamos ao final do ano litúrgico e nos preparamos também para finalizar o ano civil, como se diz, estamos em plena época dos “balanços” e “balancetes”; passou mais um ano, durante o qual seguramente aconteceram muitas coisas novas e positivas para cada um de nós, para nossas famílias e para nossas Igrejas; certamente também se há de reconhecer que tais coisas poderiam ter sido melhores, mas talvez nos faltou maior compromisso, maior sensibilidade e disponibilidade para agir conforme a Palavra. Contudo, não estamos diante de um final definitivo, ainda nos resta muito a caminhar. E, que bom que, planejando o ano litúrgico que vamos começar amanhã, ponhamos entre nossas prioridades justamente aquilo que mais frouxo nos ficou neste ano: mais abertura, mais atenção às pequenas e simples coisas da vida. Não aconteça que o reino já esteja entre nós e não sejamos capazes de percebê-lo porque o estamos esperando em outro lugar e com outras dimensões.

Outros textos da liturgia do dia: Dn 7,15-27; (Sl) Dn 3,82-87.

Grupo de partilha das orações da semana:

Você já se organizou em grupo, com outros participantes do Retiro do Advento, para partilhar a vida e a oração pessoal da semana? A partilha da oração pessoal em grupo e com um acompanhante faz parte da dinâmica do Retiro do Advento, que é uma modalidade dos Exercícios na Vida Cotidiana. Se está com dificuldade de se organizar, procure jesuítas e pessoas ligadas ao Centro de Espiritualidade Inaciana de Itaici. Consulte nosso site: www.itaici.org.br
























| Primeira Semana |
Ficai atentos e orai a todo momento



Introdução:

A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor no final dos tempos. A liturgia nos convida a estar em vigília, mantendo uma especial atitude de conversão.

O evangelho de Lucas descreve, de maneira metafórica, os acontecimentos que precederiam esta segunda vinda de Jesus. Por causa disto, Lucas convida todos os irmãos e irmãs a se manterem fiéis e vigilantes para, de pé, receberem o Filho do Homem.

O texto do evangelho do primeiro domingo trata da libertação que chega. Nos versículos anteriores, Lucas nos falava do assédio a Jerusalém (21, 20-23). Agora, alude à segunda vinda de Jesus, quer dizer, ao que chamamos de parusia. O discurso de Jesus é apocalíptico e adaptado à cultura de seu tempo (apocalipse não significa catástrofe, como somos levados a pensar, mas revelação), e precisamos reler estes sinais do mundo natural no terreno da história, que é o lugar em que o Espírito se manifesta. A segunda vinda do Senhor revelará a história a si mesma. A verdade que estava oculta aparecerá em plena luz. Todos chegaremos a nos conhecer melhor (1Cor 13, 12b).

Existem em nós a angústia, o medo e o espanto, não causados pelos “sinais no sol, na lua e nas estrelas”. Nossas angústias e inseguranças são motivadas mais pelas crises econômicas, pelos conflitos sociais, pelo abuso do poder, pela falta de pão e trabalho, pela frustração... por tantas estruturas injustas, que somente poderão ser removidas pela mudança – do amor de Deus e sua justiça – no coração do ser humano.

A mensagem de Jesus não nos livra dos problemas e da insegurança, mas nos ensina como enfrentá-los. O discípulo de Jesus tem os mesmos motivos de angústia que o não-crente; mas ser cristão consiste numa atitude e numa reação diferente: a atitude de esperança que mantém nossa fé nas promessas do Deus libertador e que nos permite descobrir os passos deste Deus no drama da história. A atitude de vigilância a que nos leva o Advento, é a de ficarmos alertas para descobrir o “Cristo que vem” nas situações atuais e a enfrentá-las como processo necessário de uma libertação total que passa pela cruz.

Por isso, o evangelho nos chama a “ficarmos atentos”, a ter o coração livre dos vícios e dos ídolos da vida (a conversão), para tornar-nos dóceis ao Espírito de Cristo que está presente nas situações em que vivemos no nosso dia-a-dia, em nosso ambiente. Convida-nos a “ficarmos despertos e orando”, porque este Espírito se descobre através de uma esperança viva, ponto de encontro entre as promessas da fé e os sinais precários que hoje envolvem estas promessas. A esperança é uma lembrança que tende a esquecer-se, alimenta-se com a oração, liga-nos às promessas da fé e nos inspira, cada dia, à busca de suas pegadas nos sinais dos tempos. A esperança cristã se consegue por nossa entrega ao trabalho, para que as promessas se verifiquem em nossas vidas.

Ao longo desta primeira semana do Advento, a liturgia nos convida a refletir sobre os sinais do Reino de Deus, que se manifestam em Jesus, cumprindo as promessas do Antigo Testamento.

O Advento é tempo de preparação, de espera. Jesus cumpriu as promessas do Antigo Testamento com sua vida e pregação. Não esperamos Seu novo nascimento. Esperamos que Ele volte para julgar a criação. É neste momento que esperamos e cremos que a justiça, a igualdade e a solidariedade se realizarão plenamente.


Proposta de oração - 1° Domingo do Advento

Preparação... Coloque-se na presença de Deus... respire profundamente, sinta seu corpo e acolha a presença do Deus da Vida em você e ao seu redor...

Recordar a história... da salvação, como Deus age na vida da humanidade... como Ele se faz um de nós, vem morar no meio de nós... “Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi um rebento dado à justiça, que vai implantar a justiça e o direito no país”(Jr 33,15).

Veja o mundo, contemple a superfície da terra, nas mais variadas culturas e povos... “No princípio era o olhar...”; “... como as Três Pessoas divinas olhavam toda a superfície plana ou curva do mundo, cheia de gente” (EE. 102)

Para S. Inácio, a Encarnação começa com um “olhar”, com um modo de olhar que compromete o interior das Pessoas divinas. O exercício consistirá em acompanhar o olhar amoroso e compassivo da Trindade sobre o mundo, em contemplar a Trindade que contempla o mundo, em ver a humanidade com os olhos da Trindade, como a Trindade a vê. A partir deste divino olhar contemplativo é que o exercitante é chamado a olhar, escutar, observar...

Composição vendo o lugar... Olhar o mundo em que vivemos com os olhos de ternura, de misericórdia e de compaixão de Deus. Encontramos na Trindade o olhar arrojado que abre caminhos históricos e clarifica a existência humana.

Olhar não contaminado, sem veneno..., olhar sem rancor, sem julgamento...
Olhar que recria o ser humano, que abre um futuro novo, que suscita comunhão...
Olhar criador que semeia vida e paraíso... Olhar inquietante que sonda a verdade... Olhar audacioso que desperta as consciências, sacode as velhas estruturas, derruba os muros da separação e da violência...

Pedir a graça... o conhecimento interno do Senhor que por mim se fez homem, ser humano, para que mais o ame e o siga e, assim, fique de pé diante do Filho do Homem, quando Ele voltar.

Ler o texto bíblico: Lc 21,25-28.34-36.

Ver as pessoas... A partir do olhar trinitário, sou movido a ter um olhar “prospectivo”, ou seja, um olhar voltado para o amanhã, para o futuro; um olhar descortinador, olhar que ultrapassa horizontes, rompe nevoeiro, desbrava solidões, infiltra-se nas frestas da realidade... Olhar que se desgruda do saudosismo, do passado remoído..., olhar que rompe ataduras, desmancha condicionamentos, arranca-se do fatalismo...

Como o olhar da Trindade, ter um olhar inovador, olhar comprometido que faz acontecer o novo, que abarca todo o universo. Um olhar, enfim, para o Filho do Homem que vem numa nuvem com grande poder e glória.

Ouvir as pessoas... ouvir o que falam as pessoas sobre a face da terra, a saber, como falam uns com os outros, como juram e blasfemam... Do mesmo modo, o que falam as Pessoas divinas, dizendo: “Façamos a redenção do gênero humano...”
Ouvir o barulho do mundo e dos homens... “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas”... “Mas também ficar atentos e orar em todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e ficardes de pé diante do Filho do Homem”.

Olhar o que fazem... as pessoas sobre a face da terra... “Que vossos corações não fiquem insensíveis, por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida”. Mas ao contemplar a “Trindade olhando”, desperta-se em nós um olhar crítico que desvenda as entranhas da realidade, que capta o mistério íntimo das coisas e das pessoas; olhar crítico que não só registra o que aparece, mas que garimpa o que se esconde; olhar crítico que não se detém na superfície dos fatos, mas percebe as motivações que estão por detrás dos mesmos; olhar crítico que põe às claras as ciladas, as trapaças... que denuncia aquilo que é realizado na penumbra... olhar apaixonado pela clareira, que caça luz, que deslumbra, que retira a sombra...Então, “quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.

E em tudo isso refletir para tirar algum proveito de cada um destes pontos.

Colóquio... Finalmente, faço uma conversa, pensando no que devo falar às Três Pessoas divinas, ou ao Verbo eterno feito carne e agora glorioso, em sua segunda vinda ou à Mãe e Senhora nossa. Pedir, segundo aquilo que sentir em mim, para mais seguir e imitar a Nosso Senhor. Dizer um “Pai-Nosso”.

Fazer a revisão da oração.

Outros textos da liturgia do dia: Jr 33,14-16; 1Ts 3,12-4,2; Sl 25(24).


Textos para a semana:

1° dia (30.11) - Mateus 4,18-22: Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens

Esta narrativa do chamado dos quatro primeiros discípulos é encontrada, praticamente sem alterações, também no Evangelho de Marcos. Já Lucas insere o episódio no contexto de uma pesca milagrosa, e no Evangelho de João o chamado se dá por ocasião do batismo de Jesus feito por João Batista.

Pedro e André são originários de Betsaida, região gentílica de fronteira, no norte do lago da Galiléia. André é um nome grego, o que aponta para as raízes gentílicas dos dois irmãos.

Nos Evangelhos, encontramos significativas referências a André. Em Marcos, Mateus e João ele é nomeado entre os quatro primeiros discípulos chamados por Jesus. E está na relação dos doze apóstolos em todos os sinóticos. No Evangelho de João, é mencionado na narrativa da partilha dos pães e, ainda, com Filipe, é intermediário entre os gregos que queriam ver Jesus. Da mesma forma, no Evangelho de Marcos ele participa do diálogo com Jesus sobre a destruição do templo. A tradição guarda a memória de um amplo apostolado de André na Ásia Menor, tendo sido martirizado em uma cruz em forma de X, na Acaia.


Outros textos da liturgia do dia: Rm 10,9-18; Sl 19A(18A).

2° dia (01.12) - Lucas 10, 21-24: Jesus exulta no Espírito Santo

Jesus envia os setenta e dois discípulos para anunciar o Reino de Deus por todos os povoados. Ao voltar, eles compartilham com Jesus seu êxito: “até os demônios se nos submetem em teu nome!”. E então escutamos a oração de Jesus, que a liturgia nos propõe hoje. Jesus dá graças a Deus, porque essas coisas não se manifestaram aos sábios e entendidos, mas aos humildes e simples. Termina louvando a seus discípulos porque está se cumprindo o que muitos profetas e reis esperaram. A pregação do Reino que fazem seus discípulos em nome de Jesus dá tanto resultado que até os demônios se submetem. Em Jesus, revela-se o Messias esperado, de uma maneira nova, porém, nos humildes e simples, porque Deus preferiu manifestar-se nos simples.

Celebrar o Advento é reconhecer nos pequenos gestos de solidariedade, nos caminhos de organização e vida dos povos indígenas, dos afro-americanos, das comunidades de base, de bairros, caminhos do Reino e de construção de uma sociedade mais de acordo com os desígnios de Deus.

Outros textos da liturgia do dia: Is 11,1-10; Sl 72(71).

3° dia (02.12) - Mateus 15, 29-37: Jesus cura muitos e multiplica os pães

A liturgia de hoje nos traz dois sinais do Reino. O primeiro é a cura de muitos enfermos com a qual o evangelista nos quer mostrar que estamos nos tempos do Messias segundo as profecias de Isaías. O segundo sinal do Reino é o banquete narrado na primeira leitura e no salmo. Nos dias do Messias, o Senhor brindará com um banquete a todos os povos em Sião. Estamos nesses “últimos dias”. Jesus convida, não já a todos os povos, senão a todos os pobres (coxos, aleijados mancos, enfermos) a uma ceia de solidariedade. Jesus pergunta a seus discípulos quantos pães têm, chama-os à solidariedade, a sair de si. Logo convida a todos a fazerem o mesmo: “mandou que as pessoas se sentassem no chão”. Este sinal de mútua solidariedade se transformou em alimento para todos, o verdadeiro sinal do Reino messiânico e cumprimento das promessas de Isaías.

Este evangelho se converte em convite a sermos construtores de solidariedade em meio de tantos rostos concretos que passam por situações de marginalização. Temos meios e recursos, como os discípulos. O que Jesus questiona é que os ponhamos a serviço dos mais necessitados. Este é o verdadeiro milagre, o de sermos capazes de romper com nosso egoísmo e dar do que temos para construir uma comunidade mais justa.

Outros textos da liturgia do dia: Is 25,6-10a; Sl 23(22).

4° dia(03.12) - Mateus 7, 21.24-27: Aquele que faz a vontade de meu Pai entrará no reino dos céus.
A liturgia de hoje nos apresenta o final do Sermão da Montanha, no evangelho de Mateus (5-7). Este nos conta que a pregação de Jesus tem muito êxito entre as cidades pobres do norte do país. Gente de muitas cidades o seguia, então ele decide subir ao monte e expõe num longo discurso, sua lei de vida, o ideal de vida da comunidade. Chama bem-aventurados os pobres e reinterpreta a lei do Antigo Testamento, centrada no cumprimento de regras e preceitos, antepondo a toda a lei o respeito ao ser humano, à sua dignidade. É neste contexto que aparece o evangelho do dia de hoje. Este evangelho é uma exortação final de todo o discurso: quem escuta estas palavras, quer dizer, quem antepõe a dignidade do homem ante os projetos, normas e leis, edifica firmemente, sobre a rocha. Mas quem não as escuta, quer dizer, quem nega a dignidade do ser humano e põe sua confiança nas coisas, edifica debilmente, fica só e na primeira dificuldade revelará que as leis, normas e coisas servem pouco.

Muitas vezes, colocamos nossa confiança na segurança das coisas, na garantia de nossos projetos, muitas vezes passando por cima da vida das pessoas. Isso não é o projeto de Deus. Revisemos nossa vida e tornemo-nos, cada dia, construtores de humanidade.
Outros textos da liturgia do dia: Is 26,1-6; Sl 118(117).

5° dia (04.12) - Mateus 9,27-31: “Tem compaixão de nós, filho de Davi!”
Mateus narra a cura de dois cegos na passagem de Jesus por Jericó, a caminho de Jerusalém (Mt 20,29-34). Este episódio também é narrado por Marcos e Lucas, com a cura de apenas um cego. Mateus, com pequenas diferenças, repete aqui esta narrativa da cura, inserida no bloco de dez milagres que reúne como afirmação do caráter messiânico de Jesus. Fundamenta, assim, a autoridade que Jesus confere aos doze apóstolos em fazer exorcismos e curas em sua missão.
O messianismo judaico no tempo de Jesus significava a expectativa de um novo Davi (rei ungido=messias) que libertasse os judeus, firmando um reino de poder. Esta era uma expectativa favorável às elites, pois o povo estaria sempre submisso a elas. A ideologia messiânica de poder era assimilada pelo próprio povo oprimido. Os dois cegos chamam Jesus de “filho de Davi”, e ele descarta este messianismo. A cura dos cegos significa que agora começam a compreendê-lo melhor.
Quando os discípulos oriundos do judaísmo se desiludem do messianismo terreno de Jesus, passam a atribuir-lhe um messianismo celeste. Jesus, manso e humilde de coração na terra, passa a ser um poderoso rei no céu.
Outros textos da liturgia do dia: Is 29,17-24; Sl 27(26).

6° dia (05.12) - Repetição ou Mateus 9,35 - 10,1.6-8: Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas
O evangelho de hoje introduz o segundo grande discurso que Mateus nos apresenta, o discurso apostólico. Diz-nos Mateus que Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Reino de Deus e curando enfermos, três grandes ações do Messias. Ao ver a multidão sentiu compaixão dela e pediu a seus discípulos que rogassem a Deus para que enviasse mais evangelizadores a seu povo. Vendo a necessidade que tem a comunidade, Jesus os faz participantes de sua missão, de sua ação messiânica que até então havia assumido sozinho. Vão falar sobre o Reino, curar os enfermos; numa palavra, trata-se de os discípulos continuarem a ação profética de Jesus, sua missão.

O Advento é tempo de reflexão e revisão de vida. Nós, como cristãos, devemos revisar nossa vida para verificar se, realmente, somos continuadores da missão de Jesus no anúncio do Reino e na criação de condições dignas de vida. Também é preciso dizer que, ao participar da missão de Jesus, também nos fazemos participantes de seu destino, participantes da cruz e da ressurreição. Anunciar uma nova sociedade é um compromisso que implica toda nossa vida.

Outros textos da liturgia do dia: Is 30,19-21.23-26; Sl 147A(146)

Repetição:
Outra possibilidade para a oração do último dia desta semana e também das próximas, é não rezarmos a partir de um texto novo, mas voltar aos momentos em que sentimos maior consolação ou maior desolação nas orações de cada dia, lembrando-nos de que “não é o muito saber que satisfaz a pessoas, mas o saborear internamente, com fé, o que o Senhor nos revelou” (EE 15).

Partilha da oração em grupo:
Seria muito bom que, depois de cada semana do Retiro de Advento, pudesse partilhar com outras pessoas que estão fazendo o mesmo retiro, os textos mais iluminadores, os sentimentos predominantes, os apelos mais fortes, as graças alcançadas e até as dificuldades que experimentamos nos momentos de oração diária. Podemos nos ajudar para isto, dos apontamentos que tomamos das nossas revisões da oração.




Enviado por e-mail pelo Pe. Ronido: assessor das
CEBs - Diocese de São josé dos Campos - SP

MCCE promove seminário sobre a Campanha Ficha Limpa



No próximo dia 1º de dezembro, às 14h, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) realiza o seminário “Ficha Limpa em Questão – para discutir é preciso conhecer”.

O evento acontece na sede da CNBB, com o objetivo de discutir e esclarecer o conteúdo do Projeto de Lei da Ficha Limpa e seus pontos mais polêmicos. O seminário será destinado aos parlamentares e a jornalistas convidados. Confirmações de presença pelo telefone: (61) 2193-9746 ou pelo e-mail comunicacaomcce@gmail.com.

O projeto com 1,3 milhão de assinaturas da Campanha Ficha Limpa foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer no dia 29 de setembro. Participaram da ocasião integrantes do MCCE e parlamentares da Câmara e do Senado Federal.

Para pressionar a votação e aprovação do Projeto no Congresso, o MCCE prepara uma grande mobilização da Câmara dos Deputados, no dia 9 de dezembro. Nesta data se comemora o Dia Mundial de Combate à Corrupção. Na ocasião, serão entregues mais assinaturas do Projeto de Lei de iniciativa popular que ainda chegam diariamente ao escritório do MCCE.

fonte: CNBB











REFLEXÃO DO DIA: 5a FEIRA – 26 de novembro



Lc 21, 20-28


A libertação verdadeira da pessoa humana é fruto de dois elementos importantes: o primeiro é o seu compromisso pessoal e comunitário com o Reino de Deus e com a comunidade à qual pertence, de modo que a sua vida passa a ser uma constante luta histórica de transformação da realidade tendo como critério os valores do Evangelho; o segundo é a confiança inabalável da presença atuante de Deus na sua vida e na história dos homens como o grande parceiro que está ao lado dos que assumem a luta por um mundo novo. Somente a união entre esses dois elementos pode garantir um processo histórico verdadeiramente libertador.

Noite de autógrafos


Um grande público prestigiou ontem, 25, a noite de autógrafos protagonizada pelo assessor político da CNBB, padre José Ernanne Pinheiro, que lançou seu livro “Memória e Missão: Experiências de vida”.  O ato de lançamento aconteceu na sede da CNBB, em Brasília, e contou com a presença dos ministros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e da Saúde, José Gomes Temporão, além do ministro do STF, José Antônio Dias Toffoli e do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho. O cardeal José Freire Falcão e o secretário da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, além de outros bispos, também participaram da cerimônia, assim como os senadores Marco Maciel e Pedro Simon e vários deputados.

Noite de autógrafos

Ministro Patrus Ananias“O padre Ernanne é um homem que tem princípios e valor. Ele é um homem do povo, comprometido com os pobres, trabalhador. Ele constrói a possibilidade do bem”, disse o ministro Patrus Ananias ao discursar sobre a “dimensão política e espiritual” do padre Ernanne.

O ministro ressaltou a amizade com o autor da obra publicada. “Recebi do padre Ernanne muita solidariedade nos desafios que encontrei no Ministério. Padre Ernanne é um irmão e nunca se deixou levar pela omissão ou pelo sonho que tira da realidade”, acrescentou.

Pe. José Oscar BeozzoO seu colega de estudos em Roma nos anos de 1960, padre José Oscar Beozzo veio de São Paulo para prestigiar o amigo. “Padre Ernanne é um exemplo de companheiro, de serviço à Igreja e de cidadão”, testemunhou padre Beozzo. “Ele age sempre com discrição. Vemos o fruto de seu trabalho, mas não a sua pessoa. Ele não aparece”, concluiu.

No seu livro, publicado pelas Paulinas Livraria, Noite de autógrafospadre Ernanne faz uma memória dos principais momentos de sua vida, descreve o perfil de sua família e mostra como vive seu ministério presbiteral a partir dos diversos trabalhos que assumiu desde que foi ordenado padre em 5 de dezembro de 1965. Na obra ele recorda fatos e pessoas que sempre fizeram e fazem parte de sua vida e de seu ministério.

“Ao relembrar as pessoas e os fatos que marcaram sua vida no passado, padre Ernanne revela sua personalidade e não só o que foi, mas o que é”, escreve o cardeal Falcão ao apresentar “Missão e Memória: Experiências de vida”.



O autor

Padre José Ernanne Pinheiro nasceu em Jaguaretama, estado do Ceará, no dia 11 de agosto de 1938. Fez os estudos fundamentais na diocese de Limoeiro do Norte, o curso de filosofia no Seminário Prainha, em Fortaleza, e o de teologia na Universidade Gregoriana, em Roma. Antes de ser ordenado padre, entre 1964 e 1965, fez um “estágio no meio operário” na França, morando com uma equipe dos padres Mission de France, como ele mesmo conta no livro.

Noite de autógrafos

Ordenado padre no dia 5 de dezembro de 1965, Ernanne trabalhou como formador do seminário de Fortaleza um ano e depois, durante 19 anos, atuou na arquidiocese de Olinda e Recife como coordenador da pastoral e diretor do Instituto de Teologia do Recife (ITER). Em 1986, padre Ernanne se transfere para Brasília a convite da CNBB onde atua como assessor do Setor de Leigos, Subscretário de Pastoral, membro do Instituto Nacional de Pastoral (INP), membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e assessor político, tendo sido um dos responsáveis pela criação do Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara, do qual é secretário executivo. De 1996 a 2001, passa a dirigir o Centro Cultural Missionário, organismo da CNBB, e, em 2001, volta a assumir a assessoria política.  

Fonte: CNBB

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

CEBs e Grupos de Rua da Brasilândia, em SP, reorganizam ações comunitárias







Natasha Pitts *

São Paulo - Adital -
O trabalho das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e dos Grupos de Rua está sendo reorganizado no Setor Pereira Barreto, localizado na região de Brasilândia, em São Paulo. A iniciativa foi do padre José Renato que sentiu a necessidade de, além da evangelização, fazer um trabalho de formação com a população para assuntos voltados para a política, o meio ambiente e o teológico. Os Grupos de Rua já existiam no Setor Pereira Barreto. Sua atuação é voltada para atividades como círculos bíblicos e novenas, que são realizadas nas comunidades e também nas casas. Contudo, a atuação da CEBs, há bastante tempo, necessitava de impulso e de um fogo novo.
"As paróquias estavam muito voltadas para si, cada uma realizava seus eventos, suas atividades, de maneira independente. Por este motivo, o padre José Renato nos pediu para rearticularmos as CEBs e os Grupos de Rua e criarmos um calendário de consciência cristã sobre temas como o meio ambiente e as questões políticas, já que estamos próximos das eleições", explica Karla Maria, coordenadora das CEBs no Setor Pereira Barreto.
O primeiro passo para esta rearticulação foi a realização de uma reunião no dia 31 de outubro. Cerca de 30 pessoas, representantes das oito paróquias do setor e suas comunidades, estiveram reunidas na paróquia Nossa Senhora de Fátima para discutir o que realmente se quer fazer, quem vai atuar e qual o papel da Igreja. Como resultado, o grupo concluiu que "as CEBs e os Grupos de Rua do Setor Pereira Barreto desejam e procuram ser Igreja que acolhe o mais pobre, promover a formação de animadores das comunidades e grupos de rua com uma formação humana, teológica, política e ecológica. Desejam incentivar a criação de grupos de rua, de reflexão e círculos bíblicos, buscando métodos novos para suscitar o interesse pelas CEBs e Grupos de rua, articulando a rede de comunidades".
Além de todos esses compromissos, o trabalho com a juventude local também será priorizado. "Precisamos reanimar o trabalho que a comunidade tem e envolver os jovens nisto. Depois que faz a Crisma, a maioria dos jovens desaparece. Estamos tentando atraí-los para que eles saibam da sua importância na comunidade", fala Karla Maria.
Antes de iniciarem os trabalhos com a comunidade, os agentes pastorais que aceitaram o desafio irão receber ampla formação sobre: a atuação das CEBs, a importância do laicado, o meio ambiente e a responsabilidade em votar bem. Após as palestras e seminários, eles iniciarão o trabalho de disseminar estes mesmos assuntos para a comunidade.
As tarefas não são poucas, as dificuldades e desafios para se trabalhar junto em uma comunidade também não. Contudo, a vontade dos agentes de fortalecer os grupos de rua, conquistar os jovens e organizar a atuação das comunidades instiga todos a continuar. "Hoje, nosso maior desafio é fazer com que as pessoas assumam o protagonismo e criem a consciência de que o leigo tem que assumir seu batismo", esclarece Karla.
Como primeiro ato de rearticulação, celebração e compromisso das CEBs e Grupos de Rua com o Setor Pereira Barreto será realizada em todas as comunidades e dentro dos grupos de rua a Novena de Natal 2009, que terá como tema "Natal, tempo forte de acolher e anunciar o Salvador". A novena será encerrada com uma celebração presidida por dom Angélico Bernardino Sândalo, no dia 11 de dezembro, às 20h, em local ainda a ser definido.

* Jornalista da Adital

Fonte/ Adital