terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Evangelização pelo anúncio da Palavra de Deus


09/02/2010 | Dom Eurico dos Santos Veloso *
É da natureza humana propagar o que é bom, o que é saudável, o que nos torna alegres e felizes. Quando vemos um amigo, um parente sofrendo de algum mal que conhecemos, o nosso ímpeto e indicar-lhe o remédio. Quando temos uma notícia boa, o nosso desejo é contá-la a todas as pessoas que encontrarmos. Quando algum fato nos faz felizes, queremos repartir com o nosso círculo de convívio. Às vezes, ficamos tão alegres com alguma coisa, que desejamos gritá-la ao mundo inteiro. É da nossa índole humana. Deus nos fez para o bem e, não, para disseminar a discórdia.
Se pequeninas alegrias nos impelem a dividi-las com os outros, é forçoso que a alegria maior, o conhecimento da verdade, dada a nossa natureza, há de nos levar com mais vontade a propagá-la.
Cristo ordena aos Apóstolos: "Ide, portanto, e fazei que todos os povos se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos". (cf. Mt 28,19-20)
Essa ordem missionária tem uma fonte no amor eterno de Deus, que enviou o seu Filho e o seu Espírito porque "quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade". (cf. 1Tm 2,4)
Jesus evangelizou os apóstolos. O número 12 na Bíblia tem um significado universal. É a totalidade, a plenitude. Todos os homens (e mulheres) são discípulos. Todos somos chamados a evangelizar.
Desde o início do anúncio do Reino desenvolvido por Cristo, os discípulos tiveram o ardente desejo de anunciar Jesus, com o objetivo de levar todos à fé n'Ele. Também hoje, se recebemos o conhecimento da verdade, nasce em nós o desejo de evangelizar, de ensinar a pessoa do Cristo ao mundo, de desvendar, na sua pessoa, todo o desígnio de Deus e colocar a humanidade em comunhão com Ele.
O povo de Deus, isto é, todos nós que cremos n'Ele e fomos batizados, tem como vocação própria procurar o seu Reino, iluminando e ordenando as realidades do mundo segundo o plano do Pai, realizando assim o chamado à santidade e ao apostolado, que é dirigido a todos.
De início, precisamos acolher, com muita fé, a Palavra de Cristo, pois não saberíamos proclamar aquilo que não sabemos ou em que não acreditamos.
Em seguida, através do nosso testemunho de uma existência cristã, já estamos evangelizando com o nosso exemplo de vida.
Como a humanidade é fraca, freqüentemente, necessitamos da oração, que nos tornará mais fortes, mais dispostos e mais coerentes, pela ação do Espírito Santo.
A oração é salutar, fortalece-nos e nos capacita a agir de modo que seja útil à humanidade e agradável a Deus, pois a oração fomenta o amor e, como diz São Paulo, "o amor de Cristo nos impele..." (2Cor 5,14)
Erramos, sim, mas não esmoreçamos, pois, como já disse Guy de Larigaudie, "todo erro é um trampolim para um amor maior". Podemos também lembrar a imagem do rio cujas águas adquirem força nas quedas.
Assim, a oração funciona como uma alavanca, que podemos usar e abusar.
Na certeza de que a salvação está na verdade, a evangelização começa na família. Amamos nossos filhos e queremos o melhor para eles. E, pela graça do sacramento do matrimônio, os pais recebem a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os filhos. Como seria bom se todos os pais se conscientizassem disto! Haveria mais discípulos para participarem da evangelização. Na linguagem de Jesus, haveria mais operários para trabalhar na messe.
O anúncio do Reino foi iniciado por Cristo e deve ser continuado pela Igreja, porque Ele a enviou.
Somos Igreja e participamos da ação profética de Cristo na medida em que acolhemos cada vez mais, na fé, a Palavra do Filho e anunciamos ao mundo, mediante o testemunho de vida e da Palavra, a ação evangelizadora.
Cristo disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai a não ser por mim". (Jo 14,6)
Considerando que isto significa a nossa salvação, é preciso e é urgente que compreendamos, amemos e propaguemos a missão e a Palavra de Cristo, verbo do Pai, pois, assim, estaremos construindo a nossa felicidade e a de nossos irmãos.
* Dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Juiz de Fora – MG

Fonte: CNBB


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