segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Igreja em São Paulo pede mais colaboração missionária



“Não adianta mais ser a Igreja do ‘vem’, temos de ser a Igreja do ‘vai’ (dom Angélico Sândalo).
A arquidiocese de São Paulo conta com 158 congregações e institutos religiosos masculinos e 267 femininos, numa diversidade de carismas e expressões missionários. Com o objetivo de intensificar a colaboração dessas forças e contribuir na missão da Igreja local, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer se reuniu, na manhã do dia 9 de outubro, com representantes de várias congregações. O encontro, com a participação de pelo menos 100 pessoas, realizou-se no Colégio Marista Arquidiocesano, bairro de Vila Mariana, e foi organizado pelo Conselho Arquidiocesano Missionário em parceria com o Secretariado de Pastoral, que coordenou os trabalhos.
“Temos em São Paulo, uma grande riqueza de vida eclesial expressa através da vida consagrada e hoje estamos considerando os carismas missionários. É uma pluralidade de dons de Deus”, afirmou dom Odilo na abertura do encontro, para em seguida agradecer a atuação da vida religiosa na arquidiocese. “Como responsável desta Igreja, tenho o dever de animar, encorajar todas as iniciativas para que não só estejam fisicamente, mas também eclesialmente presentes”, disse o cardeal ressaltando que o mês missionário em curso é um momento propício “para convocar as forças missionárias a refletirem e elaborarem propostas, a fim de fazer algo mais. A nossa arquidiocese tem interesse nessa riqueza para que os dons e carismas possam ser derramados e contagiar também a Igreja local de maneira a fazer frutificar a missão aqui e Ad Gentes”, sublinhou dom Odilo, lembrando que a Igreja em São Paulo começou, no século XVI, com uma Missão dos Jesuítas no Pátio do Colégio.
Convidado para aprofundar a reflexão, dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau, SC, destacou diversas situações da grande metrópole. Inspirado nas bem-aventuranças, o bispo lançou um convite para “voltar à chispa do Espírito Santo para anunciar a todos com novo ardor e novos métodos. Nós somos enviados em missão por Cristo a partir do Batismo e da Crisma para que em todos os ambientes sejamos sal, luz e fermento transformador”, sublinhou dom Angélico. Para o bispo, as prioridades na ação evangelizadora deveriam mirar “a formação de lideranças para atuar nas mais variadas áreas da sociedade, ministérios orientados pelos dons e uma espiritualidade contagiante, agindo em estruturas eficazes”. Sugeriu ainda “cultos inspiradores onde as pessoas entrem em contato com o sagrado. Uma Igreja constituída de pequenos grupos, ao estilo das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs e pequenas comunidades”. Por fim, sonha com “uma Igreja voltada preferencialmente para os pobres. A nossa Igreja deve ter a cara de Jesus Cristo, que é amor e misericórdia”.
Para dom Angélico, em época de crise a Igreja precisa melhorar sua comunicação, lembrando que o papa pediu aos padres para mergulharem na internet, nos meios de comunicações modernos. “Nós somos muito de ‘buraco de tatu’. Isso não é possível”, argumentou. “Não adianta mais ser a Igreja do ‘vem’, temos de ser a Igreja do ‘vai’. Nós somos convocados por Jesus. Essa é a nossa honra. Hoje as nossas estruturas e a nossa maneira de ser precisam ser revistas. Precisamos colocar o pé na realidade. Há muita coisa maravilhosa acontecendo, mas vivemos num tempo de crise. E não adianta ficarmos na poesia”, concluiu dom Angélico.
Provocados por perguntas e organizados em grupos, os missionários e missionárias expressaram suas preocupações e indicaram iniciativas de colaboração para uma maior inserção na missão da arquidiocese. Na partilha foram destacadas propostas para intensificar a formação missionária dos leigos e do clero, reforçar e criar os Conselhos Missionários nas Regiões Episcopais e grupos de animação missionária nas áreas de atuação das congregações. Divulgar os meios de comunicação missionários (revistas e sites) e por ocasião do mês missionário, organizar jornadas missionárias com mutirões e vigílias.
Para o padre Marcelo Maróstica, coordenador de Pastoral da arquidiocese, o trabalho foi muito positivo. “Temos uma preocupação missionária e por isso queremos convocar todas as forças para melhorar o trabalho de conjunto enquanto Igreja. As propostas nos mostram o caminho e ajudarão, não só na Pastoral, mas também na formação do clero e dos leigos”, avaliou o padre.
Por iniciativa dos Institutos e Organismos Missionários, está em curso na Catedral da Sé, no centro de São Paulo, uma Expo Missionária. Inaugurada no dia 10 de outubro, a Expo permanecerá aberta até o dia 31 de outubro, das 8h00 às 18h00. No Dia Mundial das Missões, penúltimo domingo do mês - dia 24, os organismos missionários se reúnem na Catedral da Sé para uma missa presidida por dom Odilo. Nesse dia, em sintonia com a Campanha Missionária será feita, em todas as celebrações, a coleta em favor das missões.

Jaime C. Patias, imc, revista Missões.
www.revistamissoes.org.br

Fonte:Revista Missões

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