sábado, 6 de fevereiro de 2010

Vídeo do MUTICOM 2010 (fotos)

Vídeos do MUTICOM 2010

Emocionante noite de gala marca a entrega dos Prêmios de Comunicação da CNBB



  
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A noite de gala do Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe (Muticom) em Porto Alegre, aconteceu nesta sexta-feira, 5, na PUCRS. Diante de uma multidão de pouco mais de 1500 pessoas, com transmissão ao vivo pelas TVs católicas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) entregou os prêmios de comunicação – edição 2009.
Durante os intervalos de entrega das premiações, houve momentos de apresentações de danças típicas, com o grupo internacional Os Gaúchos, que fez bonito mostrando a cultura gaúcha e também danças caribenhas. Os prêmios foram entregues por várias autoridades eclesiásticas, entre elas, o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, da Santa Sé, o cardeal dom Cláudio Maria Celli, o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa; o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura, Educação e Comunicação Social, da CNBB, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta; a assessora da Comissão, irmã Elide Fogolari; o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, dentre outros.
dom_dimasEm sua fala, dom Dimas afirmou que é uma satisfação para a CNBB premiar os destaques da comunicação todos os anos. “A CNBB é muito feliz em entregar esses prêmios para os comunicadores, que fazem um papel muito bonito em nossa sociedade. Nós parabenizamos os premiados de 2009 e continuaremos a premiar aqueles que continuarem com esse trabalho importante que é levar a boa comunicação a todas as pessoas”.
dom_oraniDom Orani também se disse emocionado com a entrega e afirmou que os premiados foram merecedores da noite. “Parabéns aos premiados, parabéns pelo belo trabalho. Vocês merecem essa noite de festa”, sublinhou.



Emoção
nanniMuita emoção marcou a noite quando Rodolfo Nanni, diretor do filme “O Retorno”, subiu ao palco para receber sua Margarida de Prata. O filme conta a difícil vida que leva os nordestinos nos períodos de seca, com pouco dinheiro e falta de oportunidades para levar adiante a própria vida. O diretor se emocionou e afirmou estar recebendo o mais comovente prêmio de sua carreira. “Já recebi outros prêmios com esse filme, mas confesso que a Margarida de Prata é a mais importante de todas elas”, frisou. Nanni também afirmou que seu filme foi um projeto social e cobrou das autoridades governantes do país, mais esforço para cuidar do povo nordestino. “Me dediquei a este filme como quem se dedica a um projeto social. É preciso olhar pelo povo do Nordeste que foi esquecido pelos governantes, pois eles necessitam muito”, completou.
mrio_magalhesTambém emocionou a fala do vencedor do Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa, o jornalista da Folha de São Paulo, Mário Magalhães, que levou a estatueta Dom Helder com a reportagem Os anti-heróis. A grande reportagem narra a vida dos cortadores de cana no interior de São Paulo. “Agradeço a CNBB pelo reconhecimento deste trabalho. Agradeço à Folha de São Paulo por ter publicado em oito páginas essa reportagem. Quero dizer aqui que a escravidão ainda existe no Brasil, da forma mais escancarada que nós imaginamos e é preciso acabar com isso. Não é mais admissível que as pessoas tenham que ser escravas para poderem viver”, desabafou o jornalista. Magalhães dedicou o prêmio a dom Helder Câmara e ao frade dominicano que lutou contra a ditadura militar da década de 1960, no Brasil, frei Tito Alencar de Lima.

Fonte CNBB

A luta dos cortadores de cana para erradicar o trabalho escravo

  06/02/2010 | Jaime C. Patias 

 O Mutirão de Comunicação - Muticom, que acontece em Porto Alegre, RS, desde o dia 3, foi organizado para promover o diálogo visando uma cultura solidária. O evento atraiu comunicadores e pesquisadores atuando nas mais variadas situações da América Latina e Caribe.
Jaime C. Patias Luiz Henrique da Silva na PUCRS 


Na tarde de ontem, dia 05, Luiz Henrique da Silva, jornalista e assessor dos Trabalhadores Rurais do Estado de Goiás, presente ao Mutirão, caminhava pelos corredores do prédio 40 da PUCRS, onde acontecem as atividades do Muticom, empunhando um cartaz que chamava a atenção para a situação dos cortadores de cana no Brasil. "Em Goiás temos 50 mil cortadores de cana e o movimento sindical trabalha em favor de sua dignidade, por melhores salários", explicou o jornalista. "A grande bandeira nacional dos canavieiros é conquistar o direito à alimentação gratuita para acabar de vez com a boa fria, alimentação feita de madrugada, levada para o campo e consumida às 11 hs da manhã, muitas vezes estragadas ou em condições precárias por que é perecível. As usinas do Brasil devem dar condições aos trabalhadores para trabalharem com dignidade para que o Brasil venda o etanol, venda um produto limpo, mas com o trabalhar tendo dignidade"disse.
Luiz Henrique participa do Muticom para partilhar sua experiência de comunicação desenvolvida entre os trabalhadores rurais em Goiás. O trabalho no corte de cana é uma atividade análoga ao histórico trabalho escravo que ainda persiste no Brasil. Sobre essa questão Luiz Henrique explicou que houve muitos avanços. "Os trabalhadores não tinham a carteira assinada, mas com a luta dos sindicatos eles já conseguiram esse direito. A escravidão está ligada à questão do gato que é o intermediário da mão de obra fazendo migrar trabalhadores do nordeste ao centro-oeste e sudoeste do estado de Goiás. Esse gato é quem dá o passo inicial para o trabalho análogo à escravidão. Esse tipo de trabalho deve definitivamente acabar. Não se pode admitir no século 21, homens e mulheres trabalhando em péssimas condições. O trabalho escravo é combatido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores, pelos sindicatos nos Estados, pela Comissão Pastoral da Terra e vários outros organismos, informou. "Agente não pode ficar na ilusão de vender um combustível limpo para a Europa e outros países tendo no Brasil trabalhadores enfrentado péssimas condições de trabalho", denunciou Luiz Henrique.
* Jaime Carlos Patias, revista Missões no Muticom, em Porto Alegre.
Fonte: Revista Missões

Deus como “mercadoria” na era digital


05/02/2010 | Jaime C. Patias *
"Até que ponto a comunicação religiosa veiculada na mídia, não reduz o anúncio da fé em marketing religioso?" Com essa questão, o teólogo e coordenador do curso de Pós-Graduação em Teologia da PUCRS, padre Leomar Antônio Brustolin, introduziu o tema do Seminário sobre Deus como "mercadoria" na era digital, evento realizado na tarde desta sexta feira, dia 05, durante o Mutirão Latino-americano e Caribenho de Comunicação que acontece em Porto Alegre, RS.
"É possível fazer marketing sem vender o sagrado? Será que quanto mais vendo mais divulgo a fé?", perguntou o teólogo para em seguida explicar que os estudos nessa área investigam a relação do sagrado experimentado, tradicionalmente, no espaço presencial com o sagrado reconstruído pela mídia moderna. "A partir dos anos 1980 emerge a cultura das mídias, onde se associa tecnologias, equipamentos e as linguagens que permitem a escolha e o consumo mais personalizado e individualizado possível das mensagens, em oposição ao consumo massivo", recordou o pesquisador.
Jaime C. Patias Seminário na PUCRS, em Porto Alegre. Segundo ele hoje, a religião perdeu a função de sustentar e explicar a realidade deixando de ser ordenadora do mundo. Temos agora um pluralismo onde muitas instituições passaram a explicar a realidade. Num mundo com tantas ofertas temos o que Leomar chamou de "religião a La carte" onde a pluralidade marca o indivíduo em sua consciência. "A questão religiosa passa a ser opcional, de acordo com a preferência do indivíduo". Nesse cenário, assistimos ao "desaparecimento das verdades de fé e o crescimento da emergência da subjetividade para normatizar a experiência religiosa que passa a ser privatizada".
Aprofundando o tema, o teólogo listou a procura da religião por seus mais diversos motivos: "cura, conquista no amor, negócios, segurança, ideal de viver sem angústia, realização do seu ser profundo, o fim último...". O pesquisador apontou também os perigos da abertura dos ritos para a pluralidade de interpretações o que os tornam vulneráveis. "Eles podem ser mal interpretados, reduzidos em seus significados e sujeitos a influências degeneradas, manipuladas por ideologias", alertou.
Falando sobre a comunicação religiosa e o mercado, Leomar Brustolin explicou que, muitas vezes, manipula-se o aspecto simbólico em vista do consumo e para fins próprios. O problema é que "a mídia da era digital pode distorcer e manipular os conteúdos religiosos. A linguagem religiosa muitas vezes assume a linguagem do espetáculo, para fazer aparecer o aspecto fantástico e capturar a atenção. Manipulam-se símbolos, pessoas e realidades religiosas de acordo com a expectativa do público. Na relação com o mercado, o espetáculo é acentuado em detrimento da ética e dos princípios religiosos", destacou padre Leomar para, em seguida, falar sobre o marketing e a fé. Segundo o teólogo, "o marketing está relacionado com a ciência do vender, e para vender, o mercado procura seduzir, encantar e manipular os seus clientes", disse.
O desejo de consumo está relacionado à busca de completude no ser humano. Nessa linha de pensamento, o professor colocou mais uma questão: "numa sociedade que acabou com utopias e sonhos e transformou o desejo das pessoas em sonhos de consumo, como não associar consumo e religião?" e concluiu: "embora aparentemente ambíguos, o ser humano religioso e o consumista buscam a mesma realidade: a plenitude".
A empresa religiosa foi outra questão abordada pelo conferencista. "Para atrair fiéis-clientes, muitos grupos religiosos passam a usar a lógica da economia de mercado. No cenário de pluralismo algumas tradições religiosas se transformam em empresas prestadoras de serviços religiosos, agências de mercado, e sofrem até a pressão por resultados que provoca a racionalização das estruturas que visam minimizar gastos, tempo e dinheiro", analisou Leomar.
Por fim, o teólogo abordou a tema da religião como produto de consumo vendido com a utilização do marketing. "Apesar da intensa visibilidade midiática da religião, associada ao marketing da fé, o resultado final do processo é um secularismo crescente, que consome utopias e transforma o sonho de um mundo melhor num paraíso a ser consumido. A transcendência é experimentada mais como um produto de mercado", afirmou.
As perguntas dos participantes no Seminário geraram em torno de várias questões. Para padre Leomar a questão central está na transformação do rito sagrado em rituais mediáticos esvaziando a transcendência. Numa sociedade que não goza de boas relações com o sagrado, estaríamos diante dum fenômeno onde rituais mediatizados são apresentados em forma de espetáculo e consumo. Para ele "não podemos fazer concessões por que corremos o risco de esvaziar o conteúdo da fé. "O sagrado não se deixa manipular. Quando isso acontece, ele deixa de ser sagrado passando a ser um produto para ser consumido", concluiu.
* Jaime Carlos Patias, revista Missões no Muticom, em Porto Alegre.
Fonte: Revista Missões

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Reflexão sexta-feira - 05/02/2010

Reflexão - Mc 6, 14-29
Todas as pessoas que participam da missão de Jesus, participam também do seu tríplice múnus: sacerdotal, profético e real. Participam do sacerdócio de Cristo através da busca da santificação pessoal e comunitária, da oração, da intercessão, etc. Participa do múnus profético através da palavra que denuncia o pecado e anuncia o Reino e participa do múnus régio pelo serviço aos irmãos e irmãs. A participação no múnus profético exige compromisso com a verdade e os valores morais, que atrai a ira de todos os que são contrários à proposta de Jesus, e, como no caso de João Batista, acarreta em ódio, vingança, perseguição e pode até levar à morte. 
 
Fonte CNBB

CNBB entrega prêmios de comunicação hoje à noite, na PUCRS

Todos_os_premios

Logo mais, às 20h, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal para a Educação, Cultura e Comunicação Social, entregará os prêmios de comunicação – edição 2009. O evento acontece no Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe (Muticom) que acontece em Porto Alegre (RS), entre os dias 3 e 7.

Premiados

Com o prêmio Margarida de Prata, para o Cinema, foram contemplados o longa-metragem O Retorno, documentário de Rodolfo Nanni; Nos Caminhos do Lixo, média-metragem de Eunice Gutman e O Sal da Terra, longa de ficção de Eloi Pires Ferreira.
Com o Prêmio Clara de Assis, para a Televisão, foram premiadas as reportagens Associação Criança e Família, de Fernanda Souza de Santana, da arquidiocese de Salvador; e o documentário Chave para a Liberdade, de Esmael Neto, Guilherme Guimarães e Rafael Teixeira, da PUC-Campinas.
Já o Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa teve dois vencedores: a reportagem anti-heróis, da Folha de São Paulo, sobre a vida dos cortadores de cana no interior de São Paulo, e a reportagem A Roda Viva da Cana, do Jornal Porantim, sobre o aliciamento de menores indígenas para o trabalho no corte de cana.
E por fim, O Prêmio Microfone de Prata para o Rádio, julgado pela União de Radiodifusão Católica (UNDA Brasil) teve como vencedores a Rádio Evangelizar, de Curitiba (PR), com o programa Hora da Misericórdia, na categoria Programa Religioso; na categoria Jornalístico venceu o Jornal Milícia Sat, da Rádio Imaculada Conceição, de São Bernardo do Campo (SP); e na categoria Entretenimento venceu a Rádio Fátima de Vacaria (RS), com o programa Clube da Amizade. Com o prêmio especial ficaram os jesuítas na Evangelização do Brasil, da Rádio Vaticana, e, com a menção honrosa, o programa Envelhecer de bem com a vida, da Pastoral da Pessoa Idosa, de Curitiba (PR).
Os prêmios serão entregues pela Comissão Episcopal para a Educação, Cultura e Comunicação Social da CNBB, representada pelo seu presidente, dom Orani João Tempesta; e por sua assessora, a mestra em comunicação, irmã Elide Fogolari, no Prédio 41 da PUCRS.



Muticom: Ministro do Paraguai discute políticas públicas e gestão da comunicação

05/02/2010 | Jaime Carlos Patias e Cecília de Paiva*
Como parte da programação no segundo dia do Mutirão Latino Americano e Caribenho de Comunicação - Muticom, que se realiza em Porto Alegre, RS, aconteceu na tarde do dia 4, o painel sobre políticas publicas e gestão da comunicação do Estado, com os conferencistas que fizeram parte dos debates na noite da abertura. O painel foi mediado pelo professor Pedro Ribeiro de Oliveira e teve a participação do cubano Ismael González González, coordenador da ALBA Cultural, Fernando Checa Montúfar, diretor do CIESPAL - Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina, e Carlos Augusto dos Santos, Ministro de Comunicação do Paraguai.
Cecília de Paiva Carlos Augusto durante painel no Muticom Perguntado sobre o que significa ser Ministro da comunicação do Paraguai, no governo de Fernando Lugo, o jornalista Carlos Augusto afirmou que "antes fazia as perguntas agora tem de respondê-las". O Ministro explicou ainda que com a mudança política no Paraguai, a comunicação tornou-se uma prioridade. "Antes havia um pequeno escritório na Presidência da República, agora atuamos para entender a comunicação como parte de projeto de mudança cultural, pois acreditamos que, além de jornalistas, muitos comunicadores podem se converter em agente de desenvolvimento. Encontramos muita oposição dos proprietários dos meios da comunicação e dos atores políticos que dominavam o poder no passado" afirmou o Ministro.
Carlos Augusto informou ainda que o governo paraguaio instalou nas universidades públicas a cátedra para o desenvolvimento salientando que os empresários dos meios não admitem a existência de rádios comunitárias no Paraguai. "A comunicação hegemônica cresceu mas a participação não está acontecendo. Todo ato comunicativo é político e a cidadania é uma conquista que se dá com as várias ferramentas. A luta por uma agenda pública está nos objetivos centrais de mudanças em curso na América Latina, disse o jornalista lembrando que sempre há quem tema que a cidadania seja protagonista nas mudanças. "A comunicação é um assunto da governabilidade por isso temos de mapear os setores de atuação das empresas e da sociedade civil com suas rádios comunitárias e seus processo tendo a cidadania como protagonista. Nesse processo de mudança política há um denominador comum: a consolidação dos meios públicos na perspectiva de informar, debater e educar", destacou Carlos Augusto.
O Muticom acontece na Capital Gaúcha, nas instalações da PUCRS, e encerrará suas atividades no domingo, dia .
*Revista Missões no Muticom em Porto Alegre, RS.
Fonte: Revista Missões

Licença para a construção de Belo Monte causa indignação

02/02/2010 | Karla Maria *
O Instituto do Meio Ambiente - IBAMA e dos Recursos Naturais Renováveis concedeu ontem (01/02) licença prévia para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). A licença assinada pelo presidente do IBAMA, Roberto Messias Franco, lista 40 condicionantes a serem cumpridas para que o empreendedor receba autorização para as obras.
A Notícia gerou largas críticas entre os ambientalistas e a população local. O Movimento Xingu Vivo para Sempre, manifesta-se contra a decisão do IBAMA na próxima quinta-feira (04/02), com atos simultâneos em frente ao IBAMA de Santarém, Altam ira e Belém. O Conselho Indigenista Missionário - CIMI e a Igreja Católica posicionam-se contra a construção da Usina de Belo Monte, e a pessoa que personifica toda esta luta é Dom Erwin Krüatler, bispo do Xingu, que vive na região desde 1965.
Lucynei Martins Dom Erwin durante coletiva em São Paulo Na última sexta-feira (29/01), antes da divulgação da licença prévia para a construção da usina, dom Erwin esteve em São Paulo e falou com a imprensa sobre os danos que a construção da Usina de Belo Monte trará às populações ribeirinhas e aos povos indígenas de Altamira e região Transamazônica.
Dom Erwin disse que não houve participação da população local na decisão sobre Belo Monte, pelo contrário, os povos indígenas foram impedidos de participar das audiências públicas. Ao todo foram marcadas quatro audiências, os locais de realização impediam a participação das lideranças indígenas, ribeirinhas e movimentos sociais, tendo em vista as distâncias geográficas. "Nós exigimos 27 audiências para realmente abranger a população. O povo quer falar, quer se manifestar, mas até agora nada. O Ministério Público (PA) alegou falta de legitimidade nas audiências, mas temos a amarga sensação que nem sequer foram estudadas as alegações apresentadas", desabafou o bispo.
Em audiência com o Presidente da República, realizada em 23 de julho de 2009, dom Erwin declarou ter recebido o apoio de Lula. "Dom Erwin pode contar comigo eu não vou empurrar esse projeto goela abaixo, de quem quer que seja", teria afirmado o presidente, segundo o bispo, que continuou. "Ele disse e então eu confio até provem o contrário, mas eu tenho a impressão de que o presidente fala e o primeiro escalão vai em outra direção, ou simplesmente faz de conta que não ouve. O diálogo está aberto, mas eu não chego mais lá, eu tenho fé em Deus que possamos nos encontrar este ano. Agora a coisa está apertada, cronologicamente falando, se de repente eles soltam esta licença, para lutar contra vai ser difícil", alertou dom Erwin.
Questionado sobre a participação popular no Movimento em defesa do rio Xingu, dom Erwin foi claro. "Este não é um Movimento de Igreja não, eu fechei com os movimentos. Quem assumiu esta causa foram as mulheres, elas têm muito mais sensibilidade quanto às futuras gerações. O homem pensa no ganho imediato, a mulher pensa nos filhos, na geração. As mulheres são as grandes vanguardas em Altamira, mas tem vários movimentos de todos os tipos, vai além de religião. Trata-se realmente do Movimento Xingu Vivo para Sempre e de salvar a região contra uma agressão que não será mais possível remediar, uma vez começado é irreversível", destacou o bispo.
Dom Erwin é acompanhado 24horas por policiais militares, desde que sofreu ameaças em junho de 2006. "Eu não pedi proteção, o próprio governo do estado decretou e insistiu que eu aceitasse", alegou.
A licença prévia, liberada na última segunda-feira (01/02), é a primeira das três licenças que fazem parte do processo de licenciamento ambiental. Se cumpridas as 40 condicionantes, a próxima etapa é a licença de operação, que autoriza o início das obras. A última, a de operação, autoriza o funcionamento do empreendimento.
Segundo a Empresa de Pesquisas Energética - EPE, o custo do empreendimento será de pelo menos R$ 16 bilhões. Até agora, três das maiores empreiteiras do país demonstraram interesse em construir Belo Monte: Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez.
Durante a coletiva dom Erwin respondeu sobre a participação do IBAMA no processo. "O IBAMA tem que liberar a licença, porque está sendo pressionado se não fizer isso agora depois vem a campanha eleitoral e acabou, a preocupação do governo é de soltar este projeto", lamenta o bispo que amanhã (03/02) participa, a convite do presidente do Instituto, Roberto Messias Franco, de uma audiência sobre a Usina de Belo Monte.
* Karla Maria, LMC, estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

Fonte: Revista Missões

Muticom: Movimentos sociais nasceram dos murmúrios dos caipiras


04/02/2010 | Cecília de Paiva *
O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, da PUCMG, percorreu a história da desestruturação ocorrida durante a formação dos povos latinos para então discorrer sobre os "Novos cenários políticos e sociais e processos de comunicação", tema da manhã do dia 4 de fevereiro, no Mutirão de Comunicação - Muticom, em Porto Alegre. A conferência ocorreu no plenário do Centro de Eventos do prédio 41 da PUCRS, sob a coordenação de Anamaría Rodríguez, da Colômbia.
Jaime C. Patias Pedro Ribeiro de Oliveira durante Conferência Pedro Ribeiro, membro da Coordenação do Movimento Fé e Política, iniciou sua fala a partir da palavra "caipira", que significa estar envergonhado. Segundo ele, é assim que chamamos o povo da roça, que nada mais é que o índio e o africano destribalizados, envergonhados pela perda da honra e da dignidade. Trata-se de alguém que perdeu sua tribo e assim, "o caipira entrou na sociedade envergonhado. Veio conviver com os seus colonizadores que, com a força militar, construíram um novo sistema em nome de uma civilização superior. Subjugaram povos com suas armas e os remanescentes das sociedades tribais formaram as periferias, girando em torno das hegemonias, do poderio central", disse o sociólogo.
Os subjugados, apesar das situações de repressão ao longo da história, não pararam de murmurar, de contar e cantar seus causos repassando suas memórias de geração em geração. Para o sociólogo, essa comunicação se tornou a cultura popular, chave dos movimentos sociais. Houve tentativas de sufocar e desqualificar, usando os meios de comunicação para abafar, mas "a cultura popular encontrou alguns nichos, uma série de espaços marginais que se tornaram centros aglutinadores da cultura popular resguardando e recuperando a memória de povos e culturas", completou Pedro.
Dessa forma, surgiram novos atores em meio aos sistemas hegemônicos, com movimentos sociais buscando a formação das consciências e não a conquista do poder. Veio o Fórum Social Mundial e ecoou o anúncio de que um outro mundo é possível. De acordo com o conferencista, ainda não se sabe que mundo é esse que se quer, mas já se sabe não ser possível retornar a um sistema construtivista que destrói o mundo.
O discurso sobre um sistema que promete atender a todos os desejos já não é mais credível, sendo uma utopia muito maior do que a utopia de se criar um sistema solidário. Nesse sentido, Pedro disse acreditar na capacidade transformadora dos movimentos sociais, pois são representantes da voz silenciada que aprendeu a murmurar e a dizer uma mensagem de esperança, considerando o Mutirão de Comunicação uma forma de ajudar a amplificar essa mensagem.

Após a conferência da manhã, foram anunciadas as abordagens e painéis do período da tarde, incluindo os seminários sobre "Políticas Públicas e Gestão da Comunicação no Estado", "Novos processos de comunicação nos diferentes atores sociais", "Meios públicos e direito à comunicação", e "Ética da comunicação na perspectiva de direitos", com apresentação dos respectivos coordenadores.
* Cecília de Paiva, jornalista, revista Missões no Muticom em Porto Alegre.
Fonte: Revista Missões

Como está a evangelização através dos novos meios de comunicação no mundo?

MUTICOM - Entrevista Irmã Ivonete e Pe. Cilto Rozemback

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Missa de 7º dia - Diácono Geraldo Bueno da Silva


29/01/2010

A família do Diácono Geraldo Bueno convida a todos a participarem da Missa de 7º dia que será celebrada no dia 5 de fevereiro, às 19h30 na Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso -  Monteiro Lobato/SP e também no dia 6 de fevereiro, às 19h na Igreja São Sebastião, em São Francisco Xavier.
Assista no You Tube a Homenagem das Cebs ao Diácono Geraldo Bueno. (Colaboração de Bernadete Mota).