sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Outubro missionário


 Jaime C. Patias *
A Campanha Missionária de 2010, organizada todos os anos pelas Pontifícias Obras Missionárias - POM, tem como tema "Missão e Partilha" e traz como lema "Ouvi o clamor do meu povo" (cf. Ex 3, 7b). Este ano, além das POM, a Campanha teve a colaboração da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB na sua organização, e por isso os subsídios recordam a realidade daquela região, com seus povos e sua rica biodiversidade. A temática 
é inspirada na Campanha da Fraternidade numa perspectiva universal, para reafirmar a vida da própria Igreja que é, por sua natureza, missionária. O objetivo é aprofundar o sentido da nossa fé sem fronteiras e nos ajudar a viver o Mês das Missões e o Dia Mundial, no penúltimo domingo de outubro - dia 24.

A origem da Missão como partilha se encontra no próprio Deus que por primeiro partilhou sua vida através da Criação e, mais tarde, confiou ao Filho Jesus o seu Plano de salvação para todos os povos. Jesus conclui sua missão entre os discípulos dizendo: "vós sereis testemunhas de tudo isso" (Lc 24, 48). Essa é, portanto, a Missão dos cristãos. Missionário(a) é uma pessoa sem fronteiras, que movida pelo desejo humano e divino de partilhar, derruba qualquer barreira, geográfica ou sociológica, religiosa ou humana, cultural, real ou virtual, para sair de si e ir ao encontro do outro, do diferente, do desconhecido. É evidente que, aos olhos de Deus Criador, o mundo não tem fronteiras. "Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar" (EN 13). Assim, a comunidade cristã nunca pode permanecer fechada em si mesma, no seu mundo pequeno, diocesano ou paroquial, pois o dom gratuito da fé deve ser alegremente partilhado: "a fé se fortalece quando comunicada" (RM 2).
O conteúdo da Campanha Missionária é um convite para lançar um olhar universal, aberto a todo o mundo, como aquele de Cristo que abraçava todos os povos e grupos humanos. Nessa perspectiva renovamos o entusiasmo e a esperança para que, "com a confiança que brota da fé" (RM 56) e com a força do Espírito Santo, "protagonista da missão" (RM 30), todo o batizado se empenhe para que a Boa Nova de Jesus chegue até os confins da terra.
Inspirador é o pensamento de dom Fulton John Sheen, arcebispo de Newport nos EUA: "a diocese, a paróquia ou o cristão que prefere gastar todas as suas energias em casa, antes de dedicá-las às missões, é semelhante à pessoa que, temendo o empobrecimento do coração pelo impulsionar o sangue até às extremidades do organismo, levanta barreiras para estancar o sangue no coração. Imediatamente se aperceberá que as mãos e os pés se paralisarão e o próprio coração se acaba".
Bem sabemos que os recursos materiais não são o verdadeiro problema das missões hoje. O que preocupa o mundo missionário é a escassez das vocações. As missões precisam de pessoas livres que se doem sem medo a esta causa, que é a causa de Cristo. O surgimento de vocações missionárias em nossas comunidades é sinal claro de sua maturidade cristã. Para ser verdadeiramente missionária, a Igreja no Brasil e no continente deveria dar daquilo que recebe.
* Jaime Carlos Patias, imc, diretor da revista Missões. Acesse: www.revistamissoes.org.br
Fonte: Revista Missões

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Acolhida (1) Formação nas CEBs - Ecos do Sínodo diocesano

Formação nas CEBs - Ecos do I Sínodo Conclusivo diocesano - Assessor Pe.Edinei (parte 2)

Voto secreto e sem mistério


Dirceu Benincá *

Em vista das eleições 2010, a Justiça Eleitoral orienta: "Voto é secreto, mas não tem mistério". O slogan é sugestivo e provocativo. Sugere reflexão e provoca à participação. Ao citar o caráter secreto, refere-se a um direito constitucional e não a algo clandestino e ilegal. Trata-se de um valor essencial à democracia; uma forma de resguardar a liberdade, a
 vontade e a consciência cidadã do eleitor. O voto secreto foi instituído pela Constituição Brasileira de 1934, a qual representou um grande avanço democrático para a época. Ela também estabeleceu a obrigatoriedade do voto para maiores de 18 anos e o direito de voto para as mulheres.

Votar não é um mistério, um dogma, uma ação oculta ou incompreensível. Porém, na história do Brasil, esse direito foi considerado como tal, uma arma perigosa. Com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968, o regime de ditadura militar implantado em 31 de março de 1964, retirou as garantias fundamentais da cidadania. Decretou a cassação de mandatos eletivos federais, estaduais e municipais; suspendeu o direito de votar e ser votado; proibiu atividades e manifestações de natureza política etc.
Com a chamada "abertura política", a partir de 1974, a cidadania começou a ser reabilitada. A revogação do AI-5, o fim da censura prévia e a volta dos primeiros exilados políticos permitiram mudanças em diversos âmbitos da vida do país. Este foi um período de efervescência dos movimentos populares e sindicais e da organização política que desembocou na luta pelas Diretas Já, em 1984. A Emenda Constitucional Dante de Oliveira abriu a possibilidade de eleições diretas para Presidente da República, dando um passo significativo no processo de redemocratização do país.
Nesse contexto, a cidadania ganhou novo impulso, a par do que a Constituição de 1988 foi chamada de "Constituição Cidadã". A mesma garante o voto obrigatório para maiores de 18 anos e voto facultativo para analfabetos, para maiores de 70 anos, para maiores de 16 e menores de 18 anos. Para ampliar o lastro democrático, também permite a realização de plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular. Isso representou um estímulo significativo rumo à superação de uma cidadania passiva que predominou ao longo de nossa história.
A primeira lei brasileira de iniciativa popular, a nº 9.840, foi criada em 28 de setembro de 1999. Trata do combate à compra de votos e uso eleitoreiro da máquina administrativa. A mobilização foi iniciada com o lançamento do projeto "Combatendo a corrupção eleitoral", em 1997, pela Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O projeto de lei Ficha Limpa, també
m de iniciativa popular, que obteve 1,9 milhão de assinaturas, foi transformado em Lei Complementar nº 135, em 4 de junho de 2010. Visa impedir que candidatos com condenação na Justiça possam concorrer a cargos eletivos.

Além disso, na última década realizaram-se diversos plebiscitos populares. No ano 2000, sobre a dívida externa; em 2002, acerca da ALCA e Alcântara; em 2007, sobre a anulação do leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce; em 2010, pelo limite da propriedade da terra. Embora sem caráter oficial, tais plebiscitos são exercícios de diálogo popular sobre temas complexos que dizem respeito aos interesses da sociedade. São expressões do anseio de participação efetiva do povo no controle dos recursos públicos e na regulação do bem comum.
Não obstante tenhamos avançado muito na consolidação da democracia nas últimas décadas, ela ainda não está fora de perigo. A democracia política, seja sob o modo representativo ou sob a forma direta, não foi capaz de resolver sérios problemas sociais, econômicos e ambientais ligados a desigualdade, ao desemprego, a violência, a segurança pública, a saúde, a educação, a reforma agrária, tributária etc. Sabe-se que a ação da sociedade civil em geral e, sobretudo, dos movimentos sociais populares é fundamental para aprimorar a democracia.
Cabe estimular a participação política para além das eleições, com intervenções diretas através de conselhos, movimentos sociais, organizações populares, fóruns, redes etc. É preciso qualificar e radicalizar a democracia, pois ela é um princípio que não pode ter limites e nem fim. É necessário superar as formas tuteladas e assistidas de cidadania para assegurar a possibilidade de uma cidadania emancipatória. Combater a pobreza política e material é exigência básica para a construção de uma consciência crítica e participativa capaz de elevar os indivíduos à categoria de sujeitos sociais. Votemos sem mistério, mas conscientes de que só votar é muito pouco. 

* Dirceu Benincá é padre, doutor em Ciências Sociais e coordenador administrativo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Erechim.

Fonte: Dirceu Benincá - Revista Missões

ENCONTRO DIOCESANO DE FORMAÇÃO DAS CEBs



As Comunidades Eclesiais de Base realizaram no dia 26 de setembro de 07:30 às 16h o seu encontro de formação  com o tema: Ecos do Sínodo Diocesano – Estudo do Documento Conclusivo. A formação foi conduzida por Pe. Edinei Evaldo Batista, Coordenador Diocesano de Pastoral.
Padre Edinei nos ajudou a pensar e repensar nossa caminhada, numa mesma missão, no entanto, com e em novos caminhos e desafios. As Cebs estão em comunhão com a caminhada de toda a Diocese, afirmou Pe. Ronildo, assessor diocesano das CEBs. O encontro começou  com a Santa Missa celebrada pelo Pe. Ronildo e logo após deu-se início a formação com o Pe. Edinei. Ele nos explicou a importância do Sínodo, sua conclusão e o que se fará a partir de agora na diocese diante dos desafios que se apresentam; “de  ser uma Igreja na qual todos os seus membros sejam missionários, suas comunidades e estruturas sejam casas e escolas de missionários,” enfatizou ele. Falou-nos também da necessidade do agir em conjunto com todas as Comissões. "Aquilo que é dito para uns vale para todos, acolher o  espírito  novo para o nosso agir pastoral e evangelizador, começar já a implantar o documento nas paróquias, pastorais, movimentos e organismos, não olhar apenas para o que fazer, mas também para o como fazer e para o que fazer”, explicou Pe. Edinei.
O Coordenador diocesano de Pastoral trabalhou vários destaques do Documento, citou experiências criativas, citou a importância de se trabalhar mais o uso da Bíblia em nossas comunidades, a vivência da Eucaristia, e de sermos testemunhas da mensagem de Jesus com alegria e ousadia.
O trabalho de grupo também foi muito bom. Refletimos o Evangelho de Marcos 2,1-12 fazendo uso da metodologia da Leitura Orante. O nosso coordenador diocesano, José Hamilton, declarou que estiveram presentes 240 animadores e animadoras, e pode perceber uma grande motivação de todos com esta formação, o que é muito bom para a nossa caminhada. José Hamilton falou ainda que tudo transcorreu normalmente quanto a serviço de cozinha, apoio e animação. Foi um domingo maravilhoso.
Amém, Axé, Aleluia.

Equipe de Comunicação Diocesana das CEBs.
































Formação nas CEBs - Ecos do I Sínodo Conclusivo diocesano - Assessor Pe....