sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

CEBs COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE





 O que são CEBs? 
      CEBs significa “ Comunidade Eclesiais de Base”. “ CEBs é Igreja em ponto pequeno”. É um jeito novo de a Igreja se organizar. 
       São Comunidades ( C ) – No Brasil são mais de 100 mil as pequenas comunidades. Reúnem, normalmente, os que vivem próximos, pessoas que se conhecem pelo nome, partilham suas vidas e seus problemas, põem em comum seus bens e esforços, e lutam juntos na defesa da vida.
        São Eclesiais ( E) –CEBs são pequenas células de um corpo maior, a Igreja. Tem o Reino de Deus como fundamento e sua justificativa de exitirem. Têm consciência de que não são toda a Igreja. São parte de um todo maior. O eixo em torno do qual giram á Palavra de Deus. A Palavra de Deus é o coração das CEBs. São um jeito original de a Igreja ser o ideal de Jesus.        
       São de Base (B ), que significa povo, preferencialmente pobre, excluído, aquele que Jesus chamou de “ pequenino” (Mt 10,42; 11,25 Lc 10,21; 17,2). Mas  será que as CEBs são só dos pobres ou só para os pobres? De “ base” não se confunde com “pobre” ou “ popular”, como se as comunidades eclesiais de base, por serem populares, só existiriam nas zonas rurais, periferias  e bairros pobres. De fato, lá ‘ elas existem, porque é lá que se encontram pessoas com a vida de comunidade. 
       Se pessoas ricas ou de classe média não formam CEBs, é devido a seu individualismo, inclusive individualismo religioso. O modelo das CEBs é suficientemente amplo para conter todas as pessoas que, devido a sua fé num Deus. 
        Comunidade queiram expressá-la numa comunidade eclesial. Puebla  ( nº648) já falava no surgimento de CEBs de classe média “ adaptado à pastoral das grandes cidades” e já se concretizam em alguns locais do Brasil e são um fato no 1º mundo ( Itália, França , Alemanha).
        CEB é , portanto , a menor parcela do povo de Deus onde há: a)     A experiência das relações interpessoais da fé;b)     O aprofundamento da Palavra de Deus;c)      A participação na Eucaristia;d)     A comunhão com os pastores da Igreja;e)     O compromisso com a justiça ( cf. DP 640; At 2,42). 
As CEBs são todas iguais? 
      As CEBs são diferenciadas. A própria realidade de cada região vai caracterizando o rosto das comunidades ( cidade grande, zona rural, litoral, sertão  etc).

Por que acreditar nas CEBs? 
    Porque...

    É um novo jeito do ser Igreja.
    É a Igreja Viva no meio do Povo.
    É a Igreja Particular.
    É a Igreja dos pobres a serviço da justiça.
    É a Igreja nascendo no meio das famílias.
    É a Igreja aberta ao diálogo com o outro.

    CEB é uma comunidade que se organiza sob a orientação de leigos, religiosos e padres, que tem necessidades comuns, que tem o sentido de Igreja, que vive a alegria, que partilha, que reza e celebra, que busca um ideal, que já despertou o sentido de se organizar, que reflete à luz da Palavra de Deus, que faz todos se sentirem gente, que acolhe com fraternidade, que tem uma ligação comprometida com a Paróquia, a Diocese , o Regional.

     Seu rosto: o rosto dos pobres.

     Este novo jeito não é uma opção precipitada. Trata-se de uma volta aos princípios, ao fundamento , à essência da própria Igeja. Percebendo o anúncio do mestre, e iluminados pela ação vivificadora do Espírito Santo, querem edificar uma Igreja com o rosto deles ( dos pobres), pois era assim, que Cristo quis a sua Igreja. Caso contrário, seu discurso e prática não teriam acontecido.
E assim, como Ele quis, a sua Igreja fez: pobre e livre tal como o vento do Espírito Santo.

      Nas CEBs não existe exclusão de ninguém. As primeiras comunidades cristãs eram abertas a todos os que queriam viver os valores pregados por Jesus.

 Qual a missão das CEBs? 
Um espaço para partilharem suas dores, suas lutas, seus sonhos, suas esperanças. Aí encontram também elementos para discernimento crítico e de resitência frente a ideologia dominante. Organizadas, buscam transformar a sociedade, animadas pela fé, pela Palavra de Deus.

O que ocorre hoje?

     Na proporção em que um grupo cada vez menor se apodera das riquezas do mundo, outro sempre maior é excluído dos direitos mínimos para uma vida digna. É uma situação política. As CEBs, como última esperança para boa parte dessa multidão empobrecida não podem ficar alheias. É sua missão anunciar o Reino de Deus, denunciar as injustiças, divulgar as causas geradoras da pobreza crescente e apoiar as lutas por terra, moradia, alimentação, emprego, educação e saúde... Por isso , as CEBs não fogem da dimensão política

 Como se organizam? 
   CEBs não são um grupo, um setor da Igreja, mas um jeito diferente de se organizar.
  
   As CEBs não tem – organização rígida, fixa, acabada. Dão um novo espírito à paróquia tradicional. De acordo com as necessidades constituem-se “ articulações paroquiais, diocesanas, nascionais, o mais colegiadamente possível. Elas formam uma “ rede de comunidades”. A Conferência de Santo Domingo, ao apontar para o conceito de paróquia , motiva que esta deveria ser uma “ Rede de Comunidades” ( Comunidade de Comunidades).
     
     O Diretório de nossa diocese no item 7 define: Paróquia é uma rede de comunidades , formada pelo conjunto das Comunidades Eclesiais de Base, inclusive da comunidade que se reúne na Matriz. É o centro de coordenação e animação das comunidades e grupos: pastorais, movimentos, associações... (DP 644).

 O que é e para que serve o conselho? 
    O  Conselho de Coordenção da CEB, é constituído pelo coordenador, secretário e tesoureiro, seus respectivos vices, os membros do Conselho Fiscal, mais pelos representantes de cada um dos serviços e pastorias da CEB ( em especial: catequese, liturgia, promoção dos pobres e dos jovens), pelo representante dos (as) religiosos( as), pelo ministro da Palavra e Eucaristia, e pelo diácono e presbítero que atendem a comunidade.

     Esta coordenação tem as seguintes funções:

a)     Ser o órgão executor das decisões e deliberações da Assembléia Geral da CEB do Conselho Paroquial de Pastoral.
b)     Elaborar o Plano de Pastoral da CEB em sintonia com  o Plano Paroquial e Diocesano, bem como o orçamento anual.
c)      Ser instrumento integrado dos membros da comunidade e de seus serviços, pastorais, movimentos e grupos.
d)     Ser o elo de ligação e integração da CEB com a paróquia e com as demais comunidades eclesias.
e)     Promover e coordenar iniciativas da CEB, destacando  o compromisso com a justiça.
f)        Fazer e manter atualizado o cadastro patrimonial da CEB, aí incluindo todos os bens móveis e imóveis da mesma.
g)     Convocar, através do coordenador da CEB, em comum acordo com o Presbítero, Assembléia Geral da CEB.
h)      Zelar pela ligação da Comunidade Eclesial com a realidade do bairro ou localidade e representar a mesma junto aos diferentes organismos da sociedade civil.

A coordenação da CEB deve reunir-se de preferência mensalmente e no mínimo 4 vezes ao ano, com a presença de todas as lideranças que a compõem e, se possível, com o presbítero e diácono, para avaliar articular e integrar as atividades da comunidade.

        O  conselho deve animar toda a comunidade para celebrar os sinais do Reino de Deus que são resultados, dos bens pastorais na comunidade.
         O conselho dever estar atento a tudo o que acontece nas equipes, na CEB, no Bairro, na cidade, no Brasil, na América Latina e no mundo. Leva a CEB a tornar posição diante dos fatos e acontecimentos da vida do povo , ligando fé e vida.

  Qual o seu método? 

    É o método de comunhão e participação. Características: transformador, une fé e vida.
    Gera autonomia, solidariedade e libertação. O leigo participante torna-se um animador.
    Este método segue os seguintes passos:
1)     Ver: problemas e lutas do povo;
2)     Julgar:  percepção crítica  do sistema  à luz da Bíblia e Documentos da Igreja.
3)     Agir: dar o passo possível, para ir em frente.
4)     Celebrar: a caminhada do povo unindo fé e vida.
5)     Avaliar: permanentemente o processo da comunidade.

      Portanto,  o método de trabalho utilizado pelas CEBs é o Ver-julgar-agir-celebrar-avaliar-retomar.
      Essas etapas não são muito separadas no dia-a-dia de uma CEB. Nem precisa. O ver já traz no seu bojo elementos de julgar  e exigências do agir, tudo celebrativamente.
      O modelo último do método a seguir é o de Jesus de Nazaré. Ele partia sempre de fatos concretos que vivia o povo de seu tempo. Conhecia e analisava as estruturas da sociedade judaico-romana. Denunciava, sem medo, as leis de morte. Anunciava o Reino como o grande projeto de vida. Nunca se beneficiou do povo. Serviu as pessoas despertando nelas a consciência crítica, devolvendo-lhes a dignidade, estimulando-as a que, organizadamente, se libertassem da fome e de toda dominação. Por isso foi odiado pela ideologia dominante. Dava mais testemunho de vida do que doutrinação. Jesus é o próprio método ( caminho), por isso todos precisamos ter uma mística profunda indo em busca do irmão. CEB é a prática de Jesus no dia-a-dia do povo.

  As CEBs estão vivas sim! 
   Elas estão espalhadas onde o povo se reúne, seja na capela do interior no sítio do pequeno agricultor, no barraco da favela, no centro comunitário da vila, nos conjuntos habitacionais, nos bairros populares, nos bairros de classe média etc. Juntam nestes pequenos grupos: mulheres, homens, jovens e crianças. Ali refletem, nutrem e celebram sua vida de fé.

 O que querem as CEBs? 
   A proposta das CEBs é que a Igreja, através de suas pastorais e serviços sejam uma verdadeira...
·        Igreja Povo de Deus
·        Igreja Popular
·        Igreja Comunitária
·        Igreja Encarnada
·        Igreja Missionária
·        Igreja Ecumênica
·        Igreja Dinâmica
·        Igreja Defensora da vida
·        Igreja Servidora
·        Igreja Profética
·        Igreja Libertadora
·        Igreja Fermento do Reino de Deus.
Assim eram as primeiras comunidades cristãs e este é o nosso desafio hoje ( cf Atos 2,42-47).
Sabemos que nem todas as comunidades deram  todos os passos necessários, mas é preciso ter paciência para atingir o ideal. Se acreditarmos chegaremos lá. Vale a pena lutar!
 Você participa de uma CEB? 

    Se já participa, um abraço ao companheiro de caminhada. Se não participa e gostou da proposta procure se integrar numa CEB e será feliz como instrumento de Jesus na construção do Reino.
 Fonte:Diocese de Bagé

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