terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (2)


2º Encontro

PERDA DO RUMO E DO PRUMO DE DEUS

Texto bíblico: Amós 8,4-8
Chave bíblica:
1.  A denúncia de Amós se dirige a quem? Por quê?
2. Com que idéia os ricos freqüentavam o santuário e as festas religiosas?
3. Qual é a aplicação das denúncias de Amós para hoje?
O profeta Amós denuncia que o povo de seu tempo tinha perdido o rumo e prumo do projeto de Deus. Sua denúncia era feita em cima do acúmulo dos ricos gananciosos em favor de sua própria curtição. Viviam na desonestidade, às custas de violências e opressões (3,10-12).
Na leitura que fizemos acima, Amós bate de frente contra o comércio que visava apenas o lucro, sem levar em conta a vida dos pobres. Chega a dizer que os ricos daquela época freqüentavam o santuário e não faltavam às festas religiosas. No entanto, no momento em que estavam rezando, ficavam planejando o que iriam fazer para aumentar mais os seus lucros. Para Amós esta situação estava ficando insustentável. Estava na hora de correr o fio de prumo do projeto de Deus, para que o sopro de seu Espírito fecunde verdadeiramente a vida, como nos sugere a figura acima.
A CF 2011 está nos convidando, de uma maneira bem concreta, a correr o fio de prumo do projeto de Deus em nossa situação de hoje, de modo especial no que se refere ao aquecimento global. O que está acontecendo não dá prumo com o projeto original de Deus para o nosso planeta. Amós nos convida a passar o fio de prumo do projeto de Deus nas motivações, nos “por quês” de nosso atual desenvolvimento.
Nosso modelo de desenvolvimento arranjou outro fio de prumo e outra linha para alinhar seus planos de construção de uma economia de mercado. Esses instrumentos orientam a construção pelo prumo do lucro e pela linha do consumo. Este modelo de economia é regido pelas engrenagens da extração em todos os campos, sem consciência ambiental; pela produção a qualquer custo; e por um comércio que só quer alimentar o consumismo insaciável. A economia de mercado não prioriza um projeto humano e ecológico, mas sim o lucro.
Este tipo de economia está fazendo surgir “barrigas”, quer dizer, ameaças de destruição da vida do planeta terra. Para este tipo de economia,  desenvolvimento é o mesmo que crescimento da riqueza, por isso ele não é sustentável e se torna uma ameaça à humanidade. Ele está promovendo o aquecimento global, responsável pelas variações climáticas, diminuição da biodiversidade, poluição do ar, das águas, do solo e redução da camada de ozônio.
A CF 2011 nos convida a continuar a linha profética da CF 2010, passando o fio de prumo e a linha do projeto de Deus para desmanchar as “barrigas” deixadas pela economia de mercado e retomar a construção do projeto de Deus que é de uma economia solidária. Ela nos chama a atenção para dois desvios sérios:
1.    Desvalorização do humano. Numa sociedade em que o lucro tem a última palavra, o ser humano se torna apenas um meio para que seus objetivos sejam atingidos. As pessoas são tratadas como “recursos humanos”, ou seja, algo à disposição das empresas que delas lançam mão, aproveitando-as para produzir e vender e as descartam quando não são mais úteis para seus esquemas de gestão. A pessoa humana perde sua dignidade, deixa de ser vista em sua totalidade e seus direitos podem até ser desrespeitados e violados se isso for lucrativo.
Ou seja, o ser humano não é visto como um valor por si  mesmo, mas sim pelo que faz  ou produz; não se realiza como pessoa, pois é apenas um meio para  se alcançar um fim; não se relaciona, é usado. E o pior é que muitas pessoas que agem assim afirmam ter fé num Deus Pai e Criador!
A conclusão da desvalorização do ser humano é que ele passa a ser visto apenas como consumidor em potencial e reduzido à função do mercado; é orientado para a competição, conseqüência da concorrência do mercado, sem abertura para a cooperação e a solidariedade nas relações. O foco é a satisfação pessoal.
2.    Desvalorização da natureza. Este é o outro grande desvio da atual  sociedade de produção e consumo. A natureza deixa de ser o lugar da vida para tornar-se um recurso a ser explorado até esgotar-se. O resultado disto é que perdemos os valores básicos no relacionamento com a natureza. Vamos esquecendo e até desprezando, como coisa do passado, o relacionamento integrado dos povos tradicionais com o meio ambiente. Naquele tipo de relacionamento as pessoas retiravam da natureza aquilo que precisavam para a satisfação de suas necessidades básicas sem agredir nem degradar o meio ambiente, pois ele voltava a recuperar-se. Sabiam reconhecer os sinais da natureza: tempo de chuva, tempo de seca, o que pode ser cultivado em determinados lugares e não pode em outros.
As culturas tradicionais estão perdendo sua identidade. O próprio IBAMA pensa assim quando diz: “A relação entre as populações tradicionais e o meio ambiente é positiva quando há possibilidade de manter o progresso humano, de maneira permanente até um futuro longínquo”. Nesta visão o progresso entendido como aumento da produção é colocado acima dos valores culturais e da convivência com o meio ambiente a partir de suas raízes. O progresso passa a determinar a cultura, a técnica determina o humano em vez de estar a serviço dele.

  Pergunta para aprofundamento: Qual têm sido o rumo e o prumo de nossas ações pessoais, comunitárias e sociais? Por quê?

Fonte: Movimento Boa Nova

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