quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (6)


6º ENCONTRO:
O CHÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

Texto bíblico: Atos 4,32-37
     Chave bíblica:
1. Como se manifesta a experiência solidária neste texto?
2. O que significava para os primeiros cristãos crer na Ressurreição?
Os Atos dos Apóstolos nos apresentam alguns retratos das primeiras comunidades cristãs. Estes retratos têm uma linha crescente. O primeiro retrato (At 2,42-47) nos mostra as atitudes de uma comunidade que nasce de uma fé comprometida. O segundo retrato que refletimos acima nos mostrou as consequências sociais da fé. O centro deste retrato é o espírito de comunhão, de solidariedade que geram fraternidade e sensibilidade com as necessidades dos outros e do mundo.
Toda Campanha da Fraternidade coloca diante de nós uma situação desafiante do momento. Neste ano é o aquecimento global. Todo o ver da Campanha é iluminado pela Palavra de Deus que nos ajuda a ter um discernimento diante da situação. Depois do ver e do julgar somos chamados a um agir. O que vai ser reforçado ou o que vamos assumir, a partir desta Campanha que nos colocou frente a frente com os gemidos da natureza. Qual vai ser a militância de nossa fé, a partir do ver e do julgar desta CF 2011?
Um primeiro agir nosso será levantar em nossas comunidades os problemas que são conseqüências das mudanças climáticas e qual a nossa parcela de responsabilidade diante deles. Este levantamento não tem apenas motivações materiais. À luz da fé estes problemas climáticos se tornam sinais dos tempos, apelos a uma evangelização mais encarnada, a uma conversão pastoral da Igreja. Eles devem provocar a mística de um relacionamento mais profundo com Deus criador e promotor da vida.
O segundo momento do agir será desenvolver a solidariedade planetária. Já que todos os povos do mundo são hóspedes da mesma casa que é a Terra, devemos estar atentos a tudo que acontece em qualquer parte da nossa casa. Ao ver na TV ou ouvir no rádio notícias de catástrofes climáticas, colocar-se em solidariedade com as vítimas, que em geral são as populações mais pobres daquele lugar. Levar essa realidade para o grupo de reflexão e para a celebração dominical, de modo a colocá-la nas intenções da oração comunitária e, ao mesmo tempo, despertar outras pessoas para o tema.
A CF 2011 está exigindo de nós cristãos uma atitude de fé mais militante. Somente uma fé militante vai nos libertar do isolamento do eu, do individualismo, do “não estou nem aí”... Uma fé sem militância fica surda diante dos gemidos da humanidade e da natureza. Torna-se omissa. Toda omissão é uma valiosa ajuda no avanço dos problemas. Leva ao descaso, ao comodismo e ao desinteresse. Diante da omissão dos bons, Luther King dizia: “O que mais me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.
A fé da comunidade vai se tornando mais militante na medida em que ela se alimenta da leitura e da escuta da Palavra da Palavra de Deus nos grupos de reflexão e levamos a sério as suas tarefas. Na medida em que as comunidades vão deixando a Palavra de Deus iluminar a realidade do seu dia a dia, novos horizontes vão se abrindo, caminhos novos vão surgindo diante dos gemidos da vida. Uma Campanha da Fraternidade que não é motivada por uma fé comprometida se torna uma samambaia chorona que balança nos tripés das reuniões, cursos, mas que não penetra com atitudes concretas os desafios da realidade. Diante do chão da vida ela fica “ressecada” e “amarela”.
Diante desta visão de fé percebemos melhor o alcance da proposta da CF 2011. Toda proposta precisa de um chão onde ela possa se enraizar e se desenvolver. Este chão é a comunidade que é a comunhão das diferenças e possibilidades que vai clareando o por quê de nossa caminhada. Em nossas comunidades há muitas experiências de cuidado com o meio ambiente, mas que são pouco conhecidas. Um agir importante de nossa campanha poderia ser um intercâmbio destas diversas experiências em nosso município, paróquia para que elas se tornassem mais conhecidas, sendo assim um incentivo para outras experiências. Junto com estas experiências, nossa vida comunitária deve estar atenta para mudanças importantes no seu cotidiano: reduzir o uso de água, de energia e do carro. Reutilizar o que for possível.
Além deste intercâmbio de experiências em favor do nosso meio ambiente poderíamos nos empenhar com mais força nas Semanas Sociais, Semanas da água, nas Romarias da terra e das águas. Promover gincanas ambientais e solidárias. Buscar uma parceria com os Movimentos Sociais que estão empenhados com as questões climáticas e com o aquecimento global. Seguir mais de perto as políticas públicas ambientais de nossos municípios. Zelar, cuidar da arborização de nossas ruas, ter gosto e cuidado com os jardins e parques públicos. Buscar uma vida mais simples sem tanto consumismo e desperdício.

Pergunta para Aprofundamento: Como articular atitudes pessoais de cuidado com o meio ambiente com as lutas sociais em defesa do planeta?

Fonte: movimento Boa Nova

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