terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (5)


5º ENCONTRO:
IGREJA SOLIDÁRIA

Texto Bíblico: João 10,7-15
Chave Bíblica:
1. Qual a figura mais expressiva da missão de Jesus?
2. Qual a diferença entre o pastor e o mercenário?
3. Quais as lições de solidariedade do Bom Pastor para a Igreja?
A Igreja tem a missão de ser sinal eficaz do Reino de Deus para toda a humanidade. Por isso ela deve ter a “atitude de compaixão e cuidado do Pai que se manifesta na ação libertadora de Jesus” (DAp 532). Antes de ser Igreja pregadora, ela deve ser a Igreja solidária, samaritana com todo o planeta Terra. Para realizar esta sua missão, Ela deve ter um “espírito profético” (DAp 408), uma “opção profética” (DAp 337) e sobretudo uma “presença profética” (DAp 518i). Uma igreja solidária tem as atitudes do Bom Pastor: conhece, sente as dores e desce até suas ovelhas para ter uma prática solidária com elas.
O sexto encontro mineiro de CEBs, realizado em Montes Claros, de 22 a 25 de julho do ano passado nos lembrou o jeito da Igreja ser missionária num mundo dominado pelo individualismo e pela economia do lucro: Ser uma Igreja mais presença solidária. O lema do encontro foi: “Construindo uma Igreja Solidária”.
Ao olhar para si mesma dentro do mundo, a Igreja percebe que deve exercer sua missão de perita em humanidade não só pelas palavras, mas principalmente pelo testemunho. E testemunho é solidariedade. Missão é solidariedade. É estar presente, vendo, se comovendo e se movendo para mobilizar o povo de Deus diante dos gemidos da humanidade e da natureza.
A solidariedade da Igreja tem se manifestado, de uma maneira especial, através de suas Campanhas da Fraternidade que vêm nos sensibilizando e nos despertando para os desafios do mundo de hoje. A Igreja solidária nos lembra que solidariedade não é uma coisa que tem apenas uma motivação humana. Ela tem, sobretudo, uma motivação de fé e diz qual é a sua baliza: “A melhor forma de respeitar a natureza é promover uma ecologia humana aberta à transcendência que, respeitando a pessoa e a família, os ambientes e as cidades, segue a indicação paulina de recapitular as coisas em Cristo e de louvar com Ele ao Pai.” (DAp 126).
A Igreja Solidária não pode ser uma Igreja tipo caju. Assim como no caju a semente fica separada da polpa, assim uma Igreja caju é aquela que tem uma prática de fé separada da vida.
Ela deve também estar atenta para não ser uma Igreja tipo abacate. No abacate parece que está tudo muito entrosado, semente por dentro... mas, na realidade entre a semente e a polpa tem uma pelinha que impede a mistura da semente com a massa. A Igreja tipo abacate fala tudo certinho, mas não se compromete com seu discurso. Fala do tema e do lema da Campanha da Fraternidade, canta seu hino, mas tem a “pelinha” do falso cuidado, do medo, do comprometimento com a situação dominante. Esta “pelinha” isola as práticas, ficando só as palavras bonitas. A Igreja Solidária deve ser parecida com a laranja. Ao ser descascada solta sumo, quer dizer incomoda. Assim como os gomos da laranja estão juntinhos e em cada gomo se mistura semente e favos, assim a Igreja Solidária envolve, mistura em sua prática fé e vida e assume suas consequências.
A CF 2011 deixa para nós igreja uma pergunta muito séria que vai condicionar o nosso agir nesta Campanha: “Que tipo de Igreja está motivando a nossa Campanha, os nossos encontros, cursos, sobre esta mesma Campanha”? O que vai qualificar e dar credibilidade à nossa CF 2011 é se ela for feita por uma Igreja Solidária, discípula-missionária, samaritana.
O agir da CF 2011 em nossas comunidades vai depender muito do nosso modelo de Igreja. Por isso mesmo um agir muito importante nesta CF 2011 é levar a sério a conversão pastoral de nossa Igreja. Através desta conversão vamos nos tornando uma Igreja crível, que tem credibilidade. Uma Igreja que tem o jeito do Bom Pastor: cheia de compaixão, de misericórdia, que sente, ouve e desce para se mobilizar diante dos gemidos da humanidade e do mundo.
O 6° Encontro Mineiro das Comunidades de Base se comprometeu, através de sua carta compromisso, na construção de uma Igreja solidária, “através das seguintes ações transformadoras: Intensificar a participação no Plebiscito pelo limite da propriedade da terra; fortalecer os Comitês 9840 e o combate à corrupção; promover o Grito dos Excluídos; incentivar as Escolas de Formação de Fé e Política; fortalecer as iniciativas de Economia Solidária; combater o uso de agrotóxicos, dentre outros compromissos assumidos por cada micro particularmente; realizar a campanha pela soberania e segurança alimentar e nutricional sustentável”.

Pergunta para Aprofundamento: Que tipo de Igreja temos sido ao fazer as nossas Campanhas de Fraternidade? Qual tem sido o resultado?

Fonte: Movimento Boa Nova

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