sábado, 6 de agosto de 2011

Pastoral da Juventude



O Documento Conclusivo do Sínodo Diocesano, Diocese de São José dos Campos, afirma que “A Pastoral da Juventude [...] continua sendo uma referência fundamental na evangelização, contribuindo para a consciência crítica dos jovens frente à realidade em que vivemos, trabalhando desde a base até à inserção na militância por uma sociedade justa e solidária.” (nº 102). Muitos outros documentos da nossa Igreja nos oferecem subsídios para fundamentarmos reflexão como esta sobre a Pastoral da Juventude. No entanto este exercício poderá ser a continuidade efetiva do aprofundamento que devemos fazer sobre as nossas PJs, em relação á sua atuação na Igreja e na sociedade.   Diante desta urgência de pensarmos a nossa juventude devemos nos orientar por três indagações atuais. A primeira é como cada comunidade paroquial está tratando a sua PJ e neste contexto vale refletirmos qual o grau de importância que esta pastoral recebe de cada padre que está à frente das nossas comunidades paroquiais, considerando que eles têm o múnus, por excelência, do profetismo, do discipulado e da missão (cân. 519). E neste primeiro plano, que poderíamos chamá-lo de básico no resgate dos nossos jovens, também nos perguntarmos onde estão estes jovens? Sabemos quantos são em nossas paróquias? Quais são seus anseios, suas angústias, alegrias e perspectivas de vida? Sabemos que o fenômeno social do “afastamento” dos jovens acontece não só nas igrejas, mas também em outros campos de organização da sociedade, sejam os partidos políticos, sindicatos, movimentos estudantis e outros. Mas temos nossa parte a cumprir, pois vimos, na conclusão do nosso Sínodo, que a PJ é uma pastoral que deve atuar na formação da “consciência crítica”, dentro dos valores do Reino de Deus. E este Reino conta e precisa do jovem que deve ser encorajado “à inserção na militância por uma sociedade justa e solidária”.
A segunda linha de reflexão, para este momento, é o que sabemos sobre a Campanha Nacional contra a Violência e Extermínio dos Jovens que está sendo articulada e trabalhada em diversas dioceses de diversos estados brasileiros. Esta Campanha nasceu a partir da 15ª Assembléia Nacional das Pastorais da Juventude do Brasil (maio de 2008), fruto da indignação e da revolta diante do crescente número de mortes de jovens, no campo, na cidade, em todos os cantos do nosso país. Esta Campanha está sendo promovida em âmbito nacional pela Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude do Meio Popular e Pastoral da Juventude Rural.  Ela se organizou em 2009, com a participação também de outras organizações como o Setor Juventude da CNBB, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, e várias outras.  As ações se desdobram em três eixos: “Formação política e trabalho de base”, “Ações de massa e divulgação” e “Monitoramento da mídia e denúncia quanto à violação dos direitos humanos”. Os motivos que levaram em 2008 a criação desta Campanha estão mais do que nunca presentes em nossas comunidades, sobretudo nas nossas comunidades pobres, na violência praticada contra nossos jovens, que vai desde sua exclusão diante de uma vida digna, até o alto índice de homicídios praticados sobre os jovens entre 15 e 29 anos. O Brasil ocupa a sexta colocação nesta triste estatística entre os países da América Latina.
Finalmente, devemos refletir sobre o significado da Jornada Mundial da Juventude que acontece neste mês de agosto em Madri, na Espanha. Que nossos jovens percebam nesta Jornada que o Reino também precisa ser globalizado. Ao contrário da economia neoliberal que acabou com as fronteiras, disseminando a pobreza, a miséria, a exclusão, aumentando a concentração da riqueza do planeta nas mãos de poucos, que nossos jovens sejam encorajados pelas nossas Igrejas na construção do Reino de justiça, de paz, harmonia. Onde tudo seja de todos, e que eles “não desistam do Reino” como assim recomendou D. Pedro Casaldáliga aos nossos jovens que puderam abraçá-lo na Romaria dos Mártires da Caminhada. Nossa Igreja precisa dos Jovens, e eles precisam da PJ.

Paulo José de Oliveira (Paulinho)
Equipe Diocesana de Comunicação das CEBs

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