quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (7)


7º ENCONTRO:
CAMPANHA DA FRATERNIDADE  PASCAL

Texto bíblico: Romanos 8,19-25
     Chave de leitura:
1. Qual é a situação da criação?
2. O que a criação abriga dentro de si?
3. Qual é a nossa esperança?
O texto que refletimos fala de uma esperança, de um desejo expresso nos clamores da natureza e da humanidade. É a esperança da vitória final contra o egoísmo que ameaça  todos os seres criados. A natureza espera ser libertada do uso egoísta que a espécie humana faz dela, para que  possa enfim cumprir o projeto de Deus: ser a Terra onde vivam todas as espécies em harmonia,  e não mais  usada apenas como fonte de enriquecimento. Ao libertar a natureza da exploração, a humanidade também espera ser libertadado egoísmo que a divide entre ricos e pobres..
O Documento de Aparecida constata que “no coração e na vida de nossos povos pulsa um forte sentido de esperança, não obstante as condições de vida que parecem ofuscar toda a esperança. Esta se experimenta e se alimenta no presente, graças aos dons e sinais de vida nova que se compartilha; compromete-se na construção de um futuro de maior dignidade e justiça e aspira “os novos céus e a nova terra”     que Deus nos prometeu em sua morada eterna” (DAp 536). 
O mistério da salvação, realizado por Jesus, reconciliou não só o ser humano, mas todo o universo. Toda a criação foi libertada em Cristo e santificada pelo Espírito Santo para uma vida nova, para que possamos santificar todas as coisas levando à plenitude a sua obra. Jesus veio reunir em si todas as coisas, as da terra e as do céu (Ef 1,10). Ele é a plenitude de toda a criação (Cf DAp 176). A reconciliação de Jesus não é um ato mágico. Na verdade o sangue de Jesus tem poder. Mas é preciso que nossas vidas sejam banhadas, encharcadas nele, para que aconteça uma conversão no nosso relacionamento humano e com a natureza. Sem esta conversão não chegaremos a uma solidariedade verdadeiramente ecológica.
A quaresma, com a Campanha da Fraternidade, é um momento importante para completarmos o que falta à paixão de Cristo. Ainda nos falta muito envolvimento concreto e bem situado nesta reconciliação universal de Jesus, porque muitas são as situações de morte que dificultam uma vida plena.  O lema da CF deste ano lembra os gemidos da natureza, que  sente  sua resistência e  sua vida  se encurtando. Mas proclama que esse gemido anuncia uma nova vida: “a criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). O 12º intereclesial das CEBs, realizado em Porto Velho de 21 a 25 de julho de 2009, lembrou os gemidos da realidade amazônica: o grito das populações indígenas, a contaminação dos rios pelo mercúrio das mineradoras, o agronegócio que  devasta as florestas, a urbanização desregulada. Esses gemidos protestam contra a ação egoísta e pecaminosa de seres humanos, pois o pecado nos faz  usar  a ciência e a tecnologia não para compreender e desenvolver a natureza, mas para matar nossa sede de lucro.
Diante destes gemidos doídos da natureza que afetam a todos nós, a CF 2011 reafirma sua convicção de que ela deve ser bem mais do que uma informação sobre a situação de nosso planeta. Ela deve ser uma Campanha Pascal. Isto significa que, a exemplo do Deus libertador (Ex 3,7-9), devemos ouvir com atenção e compaixão os clamores provenientes das mudanças climáticas e descer para libertar nosso planeta e seus viventes da sua força destruidora. Trata-se de tomar uma posição clara e propor uma ação concreta para acudir o gemido mais doído da natureza em nosso município, em nossa comunidade. A CF 2011 repete para nós a voz de Deus a Moisés: “vá eu envio você” (Ex 3,10) para salvar o Planeta Terra do aquecimento global, a partir do lugar onde você mora. Fazer CF 2011 é fazer uma páscoa, uma passagem da ameaça de morte para a vida plena.
Uma CF 2011 Pascal nos responsabilizará muito mais na celebração do tríduo pascal. Vamos celebrar na quinta feira santa não só uma eucaristia onde o pão e o vinho se transformaram no corpo de Jesus, mas também a transformação de quem os recebe em agente de salvação do nosso planeta. A celebração da sexta feira santa vai ser para nós um sério exame de consciência para verificarmos onde estamos crucificando a Terra. Qual vai ser o sentido de nosso beijo na cruz: compromisso de mudança ou apenas um rito? A vigília pascal vai celebrar qual gesto pascal de libertação de nosso planeta? Esta CF vai realizar a Páscoa da nova criação profetizada por Isaías 65,17-25. Vai transformar os gemidos da humanidade e da natureza em gritos de esperança de que a ação do mal não é definitiva.

Pergunta para aprofundamento: Qual será a ligação de nossa semana santa com a nossa responsabilidade com o meio ambiente?

Fonte: Movimento Boa Nova

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (6)


6º ENCONTRO:
O CHÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

Texto bíblico: Atos 4,32-37
     Chave bíblica:
1. Como se manifesta a experiência solidária neste texto?
2. O que significava para os primeiros cristãos crer na Ressurreição?
Os Atos dos Apóstolos nos apresentam alguns retratos das primeiras comunidades cristãs. Estes retratos têm uma linha crescente. O primeiro retrato (At 2,42-47) nos mostra as atitudes de uma comunidade que nasce de uma fé comprometida. O segundo retrato que refletimos acima nos mostrou as consequências sociais da fé. O centro deste retrato é o espírito de comunhão, de solidariedade que geram fraternidade e sensibilidade com as necessidades dos outros e do mundo.
Toda Campanha da Fraternidade coloca diante de nós uma situação desafiante do momento. Neste ano é o aquecimento global. Todo o ver da Campanha é iluminado pela Palavra de Deus que nos ajuda a ter um discernimento diante da situação. Depois do ver e do julgar somos chamados a um agir. O que vai ser reforçado ou o que vamos assumir, a partir desta Campanha que nos colocou frente a frente com os gemidos da natureza. Qual vai ser a militância de nossa fé, a partir do ver e do julgar desta CF 2011?
Um primeiro agir nosso será levantar em nossas comunidades os problemas que são conseqüências das mudanças climáticas e qual a nossa parcela de responsabilidade diante deles. Este levantamento não tem apenas motivações materiais. À luz da fé estes problemas climáticos se tornam sinais dos tempos, apelos a uma evangelização mais encarnada, a uma conversão pastoral da Igreja. Eles devem provocar a mística de um relacionamento mais profundo com Deus criador e promotor da vida.
O segundo momento do agir será desenvolver a solidariedade planetária. Já que todos os povos do mundo são hóspedes da mesma casa que é a Terra, devemos estar atentos a tudo que acontece em qualquer parte da nossa casa. Ao ver na TV ou ouvir no rádio notícias de catástrofes climáticas, colocar-se em solidariedade com as vítimas, que em geral são as populações mais pobres daquele lugar. Levar essa realidade para o grupo de reflexão e para a celebração dominical, de modo a colocá-la nas intenções da oração comunitária e, ao mesmo tempo, despertar outras pessoas para o tema.
A CF 2011 está exigindo de nós cristãos uma atitude de fé mais militante. Somente uma fé militante vai nos libertar do isolamento do eu, do individualismo, do “não estou nem aí”... Uma fé sem militância fica surda diante dos gemidos da humanidade e da natureza. Torna-se omissa. Toda omissão é uma valiosa ajuda no avanço dos problemas. Leva ao descaso, ao comodismo e ao desinteresse. Diante da omissão dos bons, Luther King dizia: “O que mais me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.
A fé da comunidade vai se tornando mais militante na medida em que ela se alimenta da leitura e da escuta da Palavra da Palavra de Deus nos grupos de reflexão e levamos a sério as suas tarefas. Na medida em que as comunidades vão deixando a Palavra de Deus iluminar a realidade do seu dia a dia, novos horizontes vão se abrindo, caminhos novos vão surgindo diante dos gemidos da vida. Uma Campanha da Fraternidade que não é motivada por uma fé comprometida se torna uma samambaia chorona que balança nos tripés das reuniões, cursos, mas que não penetra com atitudes concretas os desafios da realidade. Diante do chão da vida ela fica “ressecada” e “amarela”.
Diante desta visão de fé percebemos melhor o alcance da proposta da CF 2011. Toda proposta precisa de um chão onde ela possa se enraizar e se desenvolver. Este chão é a comunidade que é a comunhão das diferenças e possibilidades que vai clareando o por quê de nossa caminhada. Em nossas comunidades há muitas experiências de cuidado com o meio ambiente, mas que são pouco conhecidas. Um agir importante de nossa campanha poderia ser um intercâmbio destas diversas experiências em nosso município, paróquia para que elas se tornassem mais conhecidas, sendo assim um incentivo para outras experiências. Junto com estas experiências, nossa vida comunitária deve estar atenta para mudanças importantes no seu cotidiano: reduzir o uso de água, de energia e do carro. Reutilizar o que for possível.
Além deste intercâmbio de experiências em favor do nosso meio ambiente poderíamos nos empenhar com mais força nas Semanas Sociais, Semanas da água, nas Romarias da terra e das águas. Promover gincanas ambientais e solidárias. Buscar uma parceria com os Movimentos Sociais que estão empenhados com as questões climáticas e com o aquecimento global. Seguir mais de perto as políticas públicas ambientais de nossos municípios. Zelar, cuidar da arborização de nossas ruas, ter gosto e cuidado com os jardins e parques públicos. Buscar uma vida mais simples sem tanto consumismo e desperdício.

Pergunta para Aprofundamento: Como articular atitudes pessoais de cuidado com o meio ambiente com as lutas sociais em defesa do planeta?

Fonte: movimento Boa Nova

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (5)


5º ENCONTRO:
IGREJA SOLIDÁRIA

Texto Bíblico: João 10,7-15
Chave Bíblica:
1. Qual a figura mais expressiva da missão de Jesus?
2. Qual a diferença entre o pastor e o mercenário?
3. Quais as lições de solidariedade do Bom Pastor para a Igreja?
A Igreja tem a missão de ser sinal eficaz do Reino de Deus para toda a humanidade. Por isso ela deve ter a “atitude de compaixão e cuidado do Pai que se manifesta na ação libertadora de Jesus” (DAp 532). Antes de ser Igreja pregadora, ela deve ser a Igreja solidária, samaritana com todo o planeta Terra. Para realizar esta sua missão, Ela deve ter um “espírito profético” (DAp 408), uma “opção profética” (DAp 337) e sobretudo uma “presença profética” (DAp 518i). Uma igreja solidária tem as atitudes do Bom Pastor: conhece, sente as dores e desce até suas ovelhas para ter uma prática solidária com elas.
O sexto encontro mineiro de CEBs, realizado em Montes Claros, de 22 a 25 de julho do ano passado nos lembrou o jeito da Igreja ser missionária num mundo dominado pelo individualismo e pela economia do lucro: Ser uma Igreja mais presença solidária. O lema do encontro foi: “Construindo uma Igreja Solidária”.
Ao olhar para si mesma dentro do mundo, a Igreja percebe que deve exercer sua missão de perita em humanidade não só pelas palavras, mas principalmente pelo testemunho. E testemunho é solidariedade. Missão é solidariedade. É estar presente, vendo, se comovendo e se movendo para mobilizar o povo de Deus diante dos gemidos da humanidade e da natureza.
A solidariedade da Igreja tem se manifestado, de uma maneira especial, através de suas Campanhas da Fraternidade que vêm nos sensibilizando e nos despertando para os desafios do mundo de hoje. A Igreja solidária nos lembra que solidariedade não é uma coisa que tem apenas uma motivação humana. Ela tem, sobretudo, uma motivação de fé e diz qual é a sua baliza: “A melhor forma de respeitar a natureza é promover uma ecologia humana aberta à transcendência que, respeitando a pessoa e a família, os ambientes e as cidades, segue a indicação paulina de recapitular as coisas em Cristo e de louvar com Ele ao Pai.” (DAp 126).
A Igreja Solidária não pode ser uma Igreja tipo caju. Assim como no caju a semente fica separada da polpa, assim uma Igreja caju é aquela que tem uma prática de fé separada da vida.
Ela deve também estar atenta para não ser uma Igreja tipo abacate. No abacate parece que está tudo muito entrosado, semente por dentro... mas, na realidade entre a semente e a polpa tem uma pelinha que impede a mistura da semente com a massa. A Igreja tipo abacate fala tudo certinho, mas não se compromete com seu discurso. Fala do tema e do lema da Campanha da Fraternidade, canta seu hino, mas tem a “pelinha” do falso cuidado, do medo, do comprometimento com a situação dominante. Esta “pelinha” isola as práticas, ficando só as palavras bonitas. A Igreja Solidária deve ser parecida com a laranja. Ao ser descascada solta sumo, quer dizer incomoda. Assim como os gomos da laranja estão juntinhos e em cada gomo se mistura semente e favos, assim a Igreja Solidária envolve, mistura em sua prática fé e vida e assume suas consequências.
A CF 2011 deixa para nós igreja uma pergunta muito séria que vai condicionar o nosso agir nesta Campanha: “Que tipo de Igreja está motivando a nossa Campanha, os nossos encontros, cursos, sobre esta mesma Campanha”? O que vai qualificar e dar credibilidade à nossa CF 2011 é se ela for feita por uma Igreja Solidária, discípula-missionária, samaritana.
O agir da CF 2011 em nossas comunidades vai depender muito do nosso modelo de Igreja. Por isso mesmo um agir muito importante nesta CF 2011 é levar a sério a conversão pastoral de nossa Igreja. Através desta conversão vamos nos tornando uma Igreja crível, que tem credibilidade. Uma Igreja que tem o jeito do Bom Pastor: cheia de compaixão, de misericórdia, que sente, ouve e desce para se mobilizar diante dos gemidos da humanidade e do mundo.
O 6° Encontro Mineiro das Comunidades de Base se comprometeu, através de sua carta compromisso, na construção de uma Igreja solidária, “através das seguintes ações transformadoras: Intensificar a participação no Plebiscito pelo limite da propriedade da terra; fortalecer os Comitês 9840 e o combate à corrupção; promover o Grito dos Excluídos; incentivar as Escolas de Formação de Fé e Política; fortalecer as iniciativas de Economia Solidária; combater o uso de agrotóxicos, dentre outros compromissos assumidos por cada micro particularmente; realizar a campanha pela soberania e segurança alimentar e nutricional sustentável”.

Pergunta para Aprofundamento: Que tipo de Igreja temos sido ao fazer as nossas Campanhas de Fraternidade? Qual tem sido o resultado?

Fonte: Movimento Boa Nova

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (4)


4º ENCONTRO:
TER O CUIDADO DE DEUS

Texto bíblico: Gênesis 2,4-25
Chave bíblica:
1. Como Deus trabalha a argila?
2. Como se manifesta o cuidado de Deus na criação do  paraíso?
3. Qual é a baliza do ser humano no cuidado com o paraíso?
Nesta segunda narrativa da criação vemos a atitude cuidadosa de Deus no seu trabalho. Ele pega o barro da terra e vai modelando o homem. Modelar supõe cuidado, gosto, alegria, capricho e carinho.
Deus colocou o homem no meio da sua obra, para que houvesse profunda comunhão entre ele e toda a criação. Esta harmonia é completada com a criação da mulher. Faz parte do projeto de Deus a harmonização entre todas as suas criaturas. No seu projeto a natureza não é uma coisa máquina a ser dominada pelo homem como se ele fosse o “rei” da criação. O homem faz parte da criação e com ela  ele deve manter uma relação de comunhão,. Ele deve aprender com Deus a ter uma relação cuidadosa com a natureza.
Este cuidado de Deus nos leva a um envolvimento com a questão do meio ambiente não só por causa da importância do tema, mas por uma questão de fé. Para o cristão, o cuidado com o meio ambiente não é apenas uma questão ecológica, é uma exigência de fé comprometida com o projeto do Deus Criador. Ter fé é também ter o cuidado de Deus. A fé é vivida no dia a dia, em sintonia com o cuidado de Deus. A fé transformadora constitui a identidade do cristão.
A harmonia entre a humanidade e o planeta terra está em função da vida. A terra não está em nossa frente como algo distinto de nós. Temos terra e água dentro de nós. O envolvimento com a terra nos compromete e nos responsabiliza com ela. Acorda mais em nós a consciência de que somos criaturas. Na hora que cedemos à tentação de querer ser criador, “dono do mundo”, transformamos o planeta Terra num almoxarifado de nossos interesses. O foco deixa de ser a vida para ser o lucro. O Documento de Aparecida nos relembra: “Desatender as mútuas relações e o equilíbrio que o próprio Deus estabeleceu entre as realidades criadas, é um ofensa ao Criador, um atentado contra a biodiversidade e, definitivamente, contra a vida” (DAp 125).
A CF 2011 insiste conosco para termos o cuidado de Deus com o nosso planeta. Isto vai acontecendo na medida em que buscamos ter maior sensibilidade diante dele. Deixando-nos tocar pelas suas belezas e maravilhas. Sentindo seus desafios, comovendo-nos com eles e nos mobilizando para promover ações concretas para a sua reabilitação. É preciso ter mais admiração do que simples interesse pelo nosso mundo. Precisamos nos encantar com ele e alimentar a nossa espiritualidade com as mensagens e o canto que brotam da criação de Deus. Aprender com os três jovens da fornalha ardente (Dn 3,57-87) a entoar louvores a Deus, a partir das obras da criação. Com São Francisco, fazer da criação a casa do encontro com Deus e através dela encontrar a face do “bom Senhor”. Nesta CF 2011 precisamos reaprender o “Cântico das Criaturas”. “Nossa irmã a mãe terra” é a nossa casa comum e o lugar da aliança de Deus com os seres humanos e com toda a criação... “O discípulo missionário, a quem Deus confiou à criação, deve contemplá-la, cuidar dela e utilizá-la, respeitando sempre a ordem dada pelo Criador.” (DAp 125).
Ter o cuidado de Deus é ter atitudes permanentes de preocupação, de responsabilização e envolvimento com ações concretas de cuidado ambiental em nossas casas, quintais, tratamento do lixo, hortas orgânicas, ambiente de trabalho etc. É ter a cultura do cuidado. Quando não cultivamos hábitos de cuidado com o planeta Terra vivemos uma vida sem sonhos, sem esperança, e acabamos sendo dominados pelos mais fortes.

Pergunta para aprofundamento: Quais têm sido nossas ações concretas de cuidado para com a natureza? Qual tem sido a nossa motivação?

Fonte: movimento Boa Nova

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (3)


3º. ENCONTRO:
RELAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE

Texto bíblico: Mateus 7,12-20
Chave bíblica:
1.Qual é a norma da boa convivência?
2.Qual a porta está sendo mais preferida hoje? Por quê?
3.Quais têm sido os frutos do nosso desenvolvimento?

O evangelho que acabamos de refletir, colocou para a nós a “regra de ouro” não só para a convivência humana, mas também com a natureza. Não se trata de uma visão calculista, quer dizer dar para receber, mas de uma compreensão de que a caridade começa em casa. Se queremos consumir produtos orgânicos, como podemos vender  produtos intoxicados para para os outros? Será a tentação da “porta larga” de uma grande produção que vai ter pouca duração e acaba envenenando a terra? Quais os frutos de uma produção comandada por agrotóxicos? O evangelho deixou claro que é pelo fruto é que se conhece a árvore.
Se produzimos gases poluentes na quantidade atual, seu fruto é o aquecimento global que a ameaça a vida das futuras gerações e, no final,  a humanidade inteira. A CF 2011 nos convida a fazer uma revisão séria no modo como estamos nos relacionando com o meio ambiente.
A baliza para um relacionamento com o meio ambiente é a sustentabilidade. Trata-se de uma atitude de prover o melhor possível para as pessoas e para o meio ambiente, não só agora, mas para o futuro. É suprir com parcimônia as necessidades do mundo atual, para que as gerações futuras também de suprir as suas. “O destino universal dos bens exige a solidariedade com as gerações presentes e as futuras. Visto que os recursos são cada vez mais limitados, seu uso deve estar regulado segundo um princípio de justiça distributiva, respeitando o desenvolvimento sustentável” (DAp 126).
Para construirmos uma sociedade sustentável, precisamos assumir novos hábitos, buscar um desenvolvimento que tenha por norma o cuidado com o equilíbrio ecológico e funcione dentro dos limites requeridos pela natureza. É também buscar um consumo consciente. A sustentabilidade deve ser ecologicamente correta, economicamente viável e socialmente justa.
A sustentabilidade é fruto de um trabalho de base que vai despertando uma mudança de mentalidade no relacionamento com a natureza. Não é uma simples teoria que se prega. É uma mudança de comportamento que alimenta práticas que sinalizam esperanças. Ela surge de baixo para cima. Exige perseverança na luta contra as propagandas da ideologia dominante que insiste que temos que produzir muito e rápido para satisfazer as exigências do lucro. A sustentabilidade que vem de um trabalho de base acredita no ditado popular: “deixa o tacho que a fervura vem de baixo”.
Nesta CF 2011, vamos priorizar duas atitudes para melhorar nosso relacionamento com o meio ambiente:
1.    Nosso relacionamento com a terra.
Muito se tem falado sobre o nosso trato com a terra. Repetimos muito que ela é nossa mãe e que não pode ser envenenada com o uso de agrotóxicos. Já falamos do consumo consciente. No entanto, ainda há uma certa distância entre o que falamos e a nossa prática. O nosso relacionamento com a terra vai além de uma teoria. Deve ser traduzido numa prática perseverante. Somente palavras vitais, carregadas de experiências de vida, transformam uma realidade.
Precisamos multiplicar as experiências de hortas e lavouras orgânicas não só por questões econômicas, mas por respeito à vida humana e à natureza. As Campanhas da Fraternidade estão insistindo na busca de qualidade de vida. Ela supõe uma conversão ecológica. Não podemos esquecer que as Campanhas da Fraternidade são um apelo à conversão. A atual Campanha pede que não sejamos mais indiferentes diante da intoxicação das plantações e das agressões à terra mãe.
A conversão ecológica só será possível se for motivada pelos valores humanos e cristãos da gratuidade, cooperação, compaixão, misericórdia, solidariedade, comunidade e respeito à diversidade. A vivência destes valores leva a uma luta por um projeto de desenvolvimento onde a vida esteja acima do capital, onde a economia esteja a serviço do social e a tecnologia não aumente nem o desemprego nem cause poluição da natureza.
2.    Tratamento com os resíduos ou lixo.
Toda atividade humana gera lixo de diferentes espécies, com conseqüências maiores ou menores para o meio ambiente.
Deveríamos ser mais cuidadosos em não criar tanto lixo deixando-o espalhado pelos terreiros, ruas, praças etc. Evitar o uso de material plástico, sobretudo sacolas plásticas de supermercados, que levam muito tempo para se decompor na terra.
O lixo de material inorgânico pode ser reciclado para a geração de novos produtos. Além do mais a reciclagem tem se tornado grande frente de emprego e geração de renda. Temos que nos reeducar para coleta seletiva do lixo.

O lixo de material orgânico pode ser transformado em composto orgânico, através da compostagem.
Pergunta para aprofundamento: Qual tem sido a nossa responsabilidade com o meio ambiente? Temos pensado em quem vai nascer depois que nós morrermos?


Fonte: Movimento Boa Nova

Formação Campanha da Fraternidade 2011 (2)


2º Encontro

PERDA DO RUMO E DO PRUMO DE DEUS

Texto bíblico: Amós 8,4-8
Chave bíblica:
1.  A denúncia de Amós se dirige a quem? Por quê?
2. Com que idéia os ricos freqüentavam o santuário e as festas religiosas?
3. Qual é a aplicação das denúncias de Amós para hoje?
O profeta Amós denuncia que o povo de seu tempo tinha perdido o rumo e prumo do projeto de Deus. Sua denúncia era feita em cima do acúmulo dos ricos gananciosos em favor de sua própria curtição. Viviam na desonestidade, às custas de violências e opressões (3,10-12).
Na leitura que fizemos acima, Amós bate de frente contra o comércio que visava apenas o lucro, sem levar em conta a vida dos pobres. Chega a dizer que os ricos daquela época freqüentavam o santuário e não faltavam às festas religiosas. No entanto, no momento em que estavam rezando, ficavam planejando o que iriam fazer para aumentar mais os seus lucros. Para Amós esta situação estava ficando insustentável. Estava na hora de correr o fio de prumo do projeto de Deus, para que o sopro de seu Espírito fecunde verdadeiramente a vida, como nos sugere a figura acima.
A CF 2011 está nos convidando, de uma maneira bem concreta, a correr o fio de prumo do projeto de Deus em nossa situação de hoje, de modo especial no que se refere ao aquecimento global. O que está acontecendo não dá prumo com o projeto original de Deus para o nosso planeta. Amós nos convida a passar o fio de prumo do projeto de Deus nas motivações, nos “por quês” de nosso atual desenvolvimento.
Nosso modelo de desenvolvimento arranjou outro fio de prumo e outra linha para alinhar seus planos de construção de uma economia de mercado. Esses instrumentos orientam a construção pelo prumo do lucro e pela linha do consumo. Este modelo de economia é regido pelas engrenagens da extração em todos os campos, sem consciência ambiental; pela produção a qualquer custo; e por um comércio que só quer alimentar o consumismo insaciável. A economia de mercado não prioriza um projeto humano e ecológico, mas sim o lucro.
Este tipo de economia está fazendo surgir “barrigas”, quer dizer, ameaças de destruição da vida do planeta terra. Para este tipo de economia,  desenvolvimento é o mesmo que crescimento da riqueza, por isso ele não é sustentável e se torna uma ameaça à humanidade. Ele está promovendo o aquecimento global, responsável pelas variações climáticas, diminuição da biodiversidade, poluição do ar, das águas, do solo e redução da camada de ozônio.
A CF 2011 nos convida a continuar a linha profética da CF 2010, passando o fio de prumo e a linha do projeto de Deus para desmanchar as “barrigas” deixadas pela economia de mercado e retomar a construção do projeto de Deus que é de uma economia solidária. Ela nos chama a atenção para dois desvios sérios:
1.    Desvalorização do humano. Numa sociedade em que o lucro tem a última palavra, o ser humano se torna apenas um meio para que seus objetivos sejam atingidos. As pessoas são tratadas como “recursos humanos”, ou seja, algo à disposição das empresas que delas lançam mão, aproveitando-as para produzir e vender e as descartam quando não são mais úteis para seus esquemas de gestão. A pessoa humana perde sua dignidade, deixa de ser vista em sua totalidade e seus direitos podem até ser desrespeitados e violados se isso for lucrativo.
Ou seja, o ser humano não é visto como um valor por si  mesmo, mas sim pelo que faz  ou produz; não se realiza como pessoa, pois é apenas um meio para  se alcançar um fim; não se relaciona, é usado. E o pior é que muitas pessoas que agem assim afirmam ter fé num Deus Pai e Criador!
A conclusão da desvalorização do ser humano é que ele passa a ser visto apenas como consumidor em potencial e reduzido à função do mercado; é orientado para a competição, conseqüência da concorrência do mercado, sem abertura para a cooperação e a solidariedade nas relações. O foco é a satisfação pessoal.
2.    Desvalorização da natureza. Este é o outro grande desvio da atual  sociedade de produção e consumo. A natureza deixa de ser o lugar da vida para tornar-se um recurso a ser explorado até esgotar-se. O resultado disto é que perdemos os valores básicos no relacionamento com a natureza. Vamos esquecendo e até desprezando, como coisa do passado, o relacionamento integrado dos povos tradicionais com o meio ambiente. Naquele tipo de relacionamento as pessoas retiravam da natureza aquilo que precisavam para a satisfação de suas necessidades básicas sem agredir nem degradar o meio ambiente, pois ele voltava a recuperar-se. Sabiam reconhecer os sinais da natureza: tempo de chuva, tempo de seca, o que pode ser cultivado em determinados lugares e não pode em outros.
As culturas tradicionais estão perdendo sua identidade. O próprio IBAMA pensa assim quando diz: “A relação entre as populações tradicionais e o meio ambiente é positiva quando há possibilidade de manter o progresso humano, de maneira permanente até um futuro longínquo”. Nesta visão o progresso entendido como aumento da produção é colocado acima dos valores culturais e da convivência com o meio ambiente a partir de suas raízes. O progresso passa a determinar a cultura, a técnica determina o humano em vez de estar a serviço dele.

  Pergunta para aprofundamento: Qual têm sido o rumo e o prumo de nossas ações pessoais, comunitárias e sociais? Por quê?

Fonte: Movimento Boa Nova

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Formação Campanha da Fraternidade 2011




 1º ENCONTRO:

AQUECIMENTO GLOBAL



1º ENCONTRO:
AQUECIMENTO GLOBAL

Texto bíblico: Salmo 104 (103)
Chave bíblica:
1. Como o salmista celebra a grandeza de Deus?
2. Como os seres humanos, plantas e animais coexistem no planeta?
3. Qual o papel do Espírito de Deus no mundo?
O salmo que acabamos de refletir e rezar canta a grandeza de Deus, testemunhada no ciclo da natureza. Ele nos apresentou Deus envolvido na imensidão do universo. O salmista celebra a harmonia que existe entre as plantas, animais e os seres humanos; reconhece o mistério da natureza, descobrindo nele o mistério de Deus.
A natureza é mesmo um livro aberto para reconhecermos a grandeza e sabedoria de Deus. A criação de Deus é admirável. É tão bem feita que ela mesma tem o seu controle e sua defesa naturais. Somente quando o ser humano quer dar uma de “criador” é que as coisas se complicam.
A CF 2011 está chamando a nossa atenção para uma grave crise que ameaça o nosso planeta. Desde que começou girar em torno do sol, a Terra passou por muitas mudanças até chegar ao equilíbrio entre o frio do inverno e o calor do verão. É essa variação que permitiu a grande diversidade de formas de vida na face da Terra, com inúmeras espécies adaptadas a cada sistema ecológico.  Mas hoje a Terra está dando sinais de que poderá tornar-se inabitável para nós e para muitas outras espécies de plantas e animais. Há quem calcula que, se as coisas continuarem assim, antes de 2100 a população humana será muito pequena e só conseguirá sobreviver nas regiões polares, tão quente estará a Terra. Aos poucos, estão aumentando em todo o mundo as  secas (e os incêndios florestais), as tempestades (e as enchentes), os furacões e a temperatura média. Essas mudanças no clima mostram que alguma coisa estranha está acontecendo e que precisa ser melhor compreendida para ser corrigida.
A CF 2011 nos convida a pensar com seriedade: por que elas estão acontecendo? Quais as conseqüências dessas mudanças para o planeta Terra e para a vida humana? Quais as exigências da fé cristã diante do aquecimento global? Qual a boa notícia que nós, discípulos e discípulas de Jesus, temos para dar ao mundo ameaçado de se tornar um grande deserto?
O primeiro passo é tomar consciência de que a interferência humana no ciclo da natureza tem grande responsabilidade no aquecimento global. Os seres humanos, diferentemente dos outros seres vivos, não se contentam em consumir os produtos da natureza: nós a transformamos antes de consumir e por isso produzimos lixo. Tiramos o minério, fazemos aço e com ele construimos automóveis, geladeiras e edifícios que depois de velhos são jogados fora. Já os outros animais não produzem lixo, e sim esterco... Um dos piores lixo que existe é quase invisível: são os gases resultantes da queima de carvão mineral e petróleo. Embora uma parte seja absorvida pelas algas marinhas e pelas florestas, outra parte vai para a estratosfera e é uma das causas do “efeito estufa” que está aumentando a temperatura da Terra. Essa queima de combustíveis fósseis em grande escala começou com a indústria (há cerca de trezentos anos atrás) e só fez aumentar até agora. Mas como diminuí-la, se aumenta o número de pessoas que usam o automóvel, viajam de avião e consomem mercadorias transportadas por caminhão? Enquanto a economia de mercado nos oferecer mercadorias apetitosas e capazes de satisfazerem nosso desejo de consumo a preço acessível, quem vai recusar? E assim a espécie humana está tomada pelo sistema produtivista e consumista que, a menos que seja corrigido agora, só terá fim quando se esgotarem os recursos naturais do Planeta...
Essa consciência de que é preciso tomar medidas drásticas para reduzir o “efeito estufa” levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a criar em 1985 o painel Intergovernamental sobre mudança climática (IPCC), com a finalidade de medir melhor a emissão de gases e de outros fatores do “efeito estufa”. Mas até agora nem os países desenvolvidos nem os que estão em fase de desenvolvimento (como o Brasil) chegaram a um acordo quanto à contribuição de cada um para diminuir o aquecimento global.  A sede do lucro dos bancos, do comércio e da indústria fala mais alto. E para se ter lucro é preciso produzir e consumir cada vez mais. Hoje sabemos que o desenvolvimento só será sustentável quando estiver focado primeiramente na vida (humana e do Planeta) e não no lucro.
O Brasil já está sofrendo o efeito dessas mudanças climáticas. Um exemplo é a região Amazônica, onde ocorreu uma grande seca em 2005. Ela é a região de maior potencial hídrico do mundo, mas seu desmatamento poderá transformá-la em uma savana. Isso diminuiria muito a quantidade de chuvas no centro-oeste e sudeste e o estado de São Paulo poderia tornar-se deserto. Ela já foi devastada em 17%. De acordo com os cientistas, se a sua destruição chegar a 30%, o restante da floresta poderá se deteriorar inteiramente. Outro risco é a caatinga do nordeste ser transformada numa vegetação ainda mais árida, com uma grande quebra das safras de alimentos. As mudanças climáticas aumentam a migração causada pelo êxodo rural, provocando o inchaço das cidades e aumentando os problemas sociais.
A Campanha da Fraternidade já vem se empenhando há vários anos nesta questão ambiental. Muitas experiências estão acontecendo na recomposição do meio ambiente. Sobre isso voltaremos a falar mais adiante.

Pergunta para aprofundamento: Estamos nos conscientizando do aquecimento global? Estamos vendo somente seus efeitos ou também as suas causas?

Fonte: Movimento Boa Nova