terça-feira, 1 de novembro de 2011

8º Encontro de Fé e Politica - Show do Zé Vicente (4)

8º Encontro de Fé e Politica - Show do Zé Vicente (3)

8º Encontro de Fé e Politica - Show do Zé Vicente (1)

Entrevista - Frei Betto: A força política dos cristãos comprometidos com o Bem-Viver



01/11/2011 | Cecília de Paiva *
"Tomem cuidado, quem tem nojo de político acaba sendo governado por eles. O que políticos querem é ficar à vontade e livres para fazer lambança".
Entrevista com Frei Betto concedida durante o 8º Encontro Nacional de Fé e Política realizado nos dias 29 e 30 de outubro, na cidade de Embu das Artes, São Paulo, com abordagem sobre as alternativas de Bem-Viver diante da presente crise política e econômica.
Que retrospectiva faz sobre o Movimento Nacional de Fé e Política acerca do que se tem hoje nas comunidades?
Há um certo recesso na Igreja em relação às pastorais populares, Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral Afro, da Mulher, Pastoral Operária, entre outras. Elas não são tão ativas quanto eram nos anos 80 e 90, pois não há tanto apoio dos bispos como havia. Isso porque há uma certa vaticanização da Igreja católica no Brasil que tem preferido incentivar o movimento carismático do que movimentos comprometidos com a linha da justiça.
O Movimento Fé e Política é ecumênico? Isso Contribui para a sua continuidade?
Contribui e muito. Claro que há um peso maior da Igreja Católica. Lamentavelmente, nas igrejas evangélicas o número de pessoas com uma fé progressista é menor. Há uma fé muito arraigada, muito centrada no moralismo e na leitura bíblica, mas sem levar ao compromisso com a mudança da sociedade. Até existe em algumas igrejas uma grande mobilização política, mas é eleitoreira. A intenção é eleger pastores a cargos públicos, prefeitos, deputados e senadores. Na verdade a força política dos cristãos deveria seguir o exemplo de Jesus que é a de lutar por uma sociedade de justiça, sem desigualdades sociais e sem miséria, exclusão, discriminação e preconceito. No caso da Igreja Católica há agentes pastorais e militantes presentes no Fé e Política que realmente procuram atuar por meio de movimentos e até partidos políticos com uma visão mais crítica do sistema político e de busca da sociedade do Bem-Viver que o 8º Encontro simboliza.
Diante disso o que o 8º Encontro Nacional de Fé e Política representa?
Muita esperança. É muito bom ver esse pessoal vindo do Brasil inteiro com dificuldade e esforço, mas comprometido e interessado em refletir a relação da fé com a política e nesse encontro o tema do Bem-Viver. Um encontro para refletir como é que podemos construir um novo projeto de sociedade fora do paradigma do capitalismo, ou seja, queremos uma sociedade não de acumulação do capital, mas de reprodução das condições coletivas de vida.
A juventude neste encontro representa essa esperança?
A esperança é muito bem representada em quem tem menos de trinta anos. É difícil ver um grande revolucionário, um grande militante e ativista que tenha iniciado seu trabalho depois dos trinta anos. Então é agora que se tem de animar essa juventude a se comprometer e a ter uma consciência crítica, engajada nos movimentos. Isso antes que venha o comodismo e a pressão da atividade consumista que só faz pensar no próprio umbigo.
Como vê as mobilizações atuais da juventude no cenário político?
Creio que toda mobilização é válida, desde que se fundamente em um projeto consistente. De todo modo encoraja a participações, desperta para a cidadania e a participações em movimentos sociais porque se encanta, perde o medo. Mas há uma dificuldade nesses movimentos recentes que é a falta de alternativas, pois não basta apenas ser contra. Tem que haver um projeto político e não cair no antipartidarismo. Porque a democracia ainda não inventou outra ferramenta de atuação melhor do que partido político. São eles que gerenciam a coisa pública e eu alerto sempre aos jovens: tomem cuidado, quem tem nojo de político acaba sendo governado por eles. O que políticos querem é ficar à vontade e livres para fazer lambança, sendo preciso incentivar cada vez mais a juventude a participar nessa busca. O caso de 12 de outubro teve aspecto positivo porque havia, além da mobilização contra a corrupção, importantes reivindicações. Entre elas, a validade da Lei da Ficha Limpa a partir das eleições municipais de 2012, o reforço pela punição de juízes pelo Conselho Nacional de Justiça e ainda outros pontos importantes para a pauta política brasileira.

E a reforma política?
A reforma política é mais do que urgente. Do jeito que está não tem como continuar, toda dominada por uma pequena elite, em que os políticos ainda adotam o voto secreto no Congresso. O que é uma vergonha já que a função é pública e o eleitor tem plenos direitos de saber em que vota o parlamentar que escolheu representá-lo. Aí começam as mentiras, dizendo que votou de uma maneira que não me agrada, mas diz que votou de acordo como eu queria, porém, mais adiante, diz a outro de seus eleitores que pensa o contrário que também votou como esse queria, agravando a falta de ética na política brasileira. Por isso a necessidade de uma reforma que realmente represente os interesses populares e não essa maneira maquiada, representativa de uma pequena elite.
E a participação do povo nesse cenário político e econômico mundial?
Hoje está havendo duas coisas muito promissoras. A primeira é a crise do capitalismo que mostra que nada é eterno. É a ruína do sistema de apropriação e destruição da natureza. E não tem saída, porque se continuar, todos vamos para a barbárie. A segunda é esse movimento "Ocupem Wall Street" trazendo um alento novo. As pessoas em mobilização. São sinais de um caminho mais progressista, positivo. A grande sabedoria é como preservar a autonomia de cada um desses movimentos e ao mesmo tempo estabelecer entre eles uma relação de complementaridade. É essa a sabedoria. E no Brasil tem-se conseguido fazer isso com certa arte. Apesar de alguns momentos de tensões, as pastorais estão presentes. Não foram cooptadas por este ou aquele movimento ou partido. O que não podemos é deixar de pensar em um projeto político a longo prazo sem uma ferramenta partidária. Isso é essencial para que essas participações, movimentos e encontros como esses tenham êxito.

* Cecília de Paiva é jornalista e mestre em Comunicação.
Fonte: Revista Missões

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

8º Encontro de Fé e Politica - Abertura do Encontro (2)

Cebinhas: História da Cebinhas

Cebinhas: História da Cebinhas: História da Cebinhas O começo da caminhada da Cebinhas... “ Pequenos grandes missionários ” A Cebinhas iniciou – se na Paróquia Coração de...

8º Encontro de Fé e Politica - Abertura do Encontro

8º Encontro de Fé e Politica - O trem das CEBs

8º Encontro de Fé e Politica - Apresentação Cultural

8º Encontro de Fé e Politica - Marcelo Barros (3)

8º Encontro de Fé e Politica - Marcelo Barros (2)

8º Encontro de Fé e Politica - Marcelo Barros


5 mil participam de Encontro Fé e Política em Embu

Sandra Pereira | Atualizado em: 30/10/2011 00:00:00
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Sandra PereiraPessoas se reúnem nó Encontro Fé e Política realizado em Embu das Artes
Embu das Artes recebeu nos dias 29 e 30 de outubro quase 5 mil pessoas de 22 Estados brasileiros durante a realização do 8º Encontro Nacional Fé e Política. Os participantes debateram temas relacionados à “sociedade do bem-viver” que congrega o desafio de unificar a atividade profissional, o consumo, o desenvolvimento humano saudável e o convívio pleno com a natureza. Vários políticos e lideranças da região prestigiaram o encontro onde foram lembrados todos os mártires da luta pela igualdade, contra violência e pela garantia de direitos individuais e coletivos.
O Movimento Nacional Fé e Política reúne grupos cristãos de diversas igrejas engajados na política à luz da fé. O Movimento tem cunho ecumênico e está aberto a todas as pessoas que consideram política a dimensão fundamental da vivência de sua fé.  Quem prestigiou o encontro pode comprovar a diversidade dos grupos participantes e o desejo de todos de contribuir com o debate para a consolidação da cidadania em todos os níveis da atividade humana.
“Um encontro com esse nível faz a gente entender mais a sociedade em que vivemos e discutir os rumos que devemos perseguir para garantir que a humanidade atinja o ideal que todos buscamos”, observou Maíra Santiago, 24 anos, natural do Rio de Janeiro, uma das participantes do encontro.
Na abertura do encontro, o padre Jaime, citou o compromisso dos cristãos de contribuir com a consolidação de um modelo social pautado na justiça e solidariedade, no qual as pessoas encontrem nos gestores públicos representantes legítimos de seus anseios. Ele agradeceu o empenho da prefeitura de Embu na realização do evento e destacou a alegria de recepcionar pessoas de todos os cantos do país. 

Memória

O 1º Encontro Fé e Política aberto a todos aconteceu no ano de 2000, em Santo André, SP, com a participação de quase 3.000 pessoas. Em 2002, o 2º Encontro foi em Poços de Caldas, MG, com 4.000 participantes. O 3º Encontro em 2003, em Goiânia, GO, reuniu 6.000 pessoas. Em Londrina, PR, no 4º Encontro de 2005 participaram 5.000 pessoas. Em 2006 o 5º Encontro de Fé e Política aconteceu em Vitória, ES com 4.000 participantes, o 6º foi realizado em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, RJ, em 2007 com a participação de 5.000 pessoas, e o 7º teve lugar em Ipatinga, MG, em 2009 e registrou a presença de 5.000 pessoas.

O Bem-viver como projeto alternativo

O 8º Encontro Nacional de Fé e Política teve como tema "Em Busca da Sociedade do Bem-viver: Sabedoria, Protagonismo e Política". "O Bem-viver é um conceito que visa recriar, diante do fracasso do neoliberalismo, um antigo conceito de certas culturas andinas como os Quetchua e Aymará", explica o sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira.
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5 mil participam de Encontro Fé e Política em Embu


5 mil participam de Encontro Fé e Política em Embu

Sandra Pereira | Atualizado em: 30/10/2011 00:00:00
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Sandra PereiraPessoas se reúnem nó Encontro Fé e Política realizado em Embu das Artes
Embu das Artes recebeu nos dias 29 e 30 de outubro quase 5 mil pessoas de 22 Estados brasileiros durante a realização do 8º Encontro Nacional Fé e Política. Os participantes debateram temas relacionados à “sociedade do bem-viver” que congrega o desafio de unificar a atividade profissional, o consumo, o desenvolvimento humano saudável e o convívio pleno com a natureza. Vários políticos e lideranças da região prestigiaram o encontro onde foram lembrados todos os mártires da luta pela igualdade, contra violência e pela garantia de direitos individuais e coletivos.
O Movimento Nacional Fé e Política reúne grupos cristãos de diversas igrejas engajados na política à luz da fé. O Movimento tem cunho ecumênico e está aberto a todas as pessoas que consideram política a dimensão fundamental da vivência de sua fé.  Quem prestigiou o encontro pode comprovar a diversidade dos grupos participantes e o desejo de todos de contribuir com o debate para a consolidação da cidadania em todos os níveis da atividade humana.
“Um encontro com esse nível faz a gente entender mais a sociedade em que vivemos e discutir os rumos que devemos perseguir para garantir que a humanidade atinja o ideal que todos buscamos”, observou Maíra Santiago, 24 anos, natural do Rio de Janeiro, uma das participantes do encontro.
Na abertura do encontro, o padre Jaime, citou o compromisso dos cristãos de contribuir com a consolidação de um modelo social pautado na justiça e solidariedade, no qual as pessoas encontrem nos gestores públicos representantes legítimos de seus anseios. Ele agradeceu o empenho da prefeitura de Embu na realização do evento e destacou a alegria de recepcionar pessoas de todos os cantos do país. 

Memória

O 1º Encontro Fé e Política aberto a todos aconteceu no ano de 2000, em Santo André, SP, com a participação de quase 3.000 pessoas. Em 2002, o 2º Encontro foi em Poços de Caldas, MG, com 4.000 participantes. O 3º Encontro em 2003, em Goiânia, GO, reuniu 6.000 pessoas. Em Londrina, PR, no 4º Encontro de 2005 participaram 5.000 pessoas. Em 2006 o 5º Encontro de Fé e Política aconteceu em Vitória, ES com 4.000 participantes, o 6º foi realizado em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, RJ, em 2007 com a participação de 5.000 pessoas, e o 7º teve lugar em Ipatinga, MG, em 2009 e registrou a presença de 5.000 pessoas.

O Bem-viver como projeto alternativo

O 8º Encontro Nacional de Fé e Política teve como tema "Em Busca da Sociedade do Bem-viver: Sabedoria, Protagonismo e Política". "O Bem-viver é um conceito que visa recriar, diante do fracasso do neoliberalismo, um antigo conceito de certas culturas andinas como os Quetchua e Aymará", explica o sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira.
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Movimento Nacional de Fé e Política em busca da sociedade do Bem-Viver



30/10/2011 | Jaime C. Patias
A cidade de Embu das Artes, na diocese de Campo Limpo, São Paulo acolheu neste fim de semana, dias 29 e 30, o 8º Encontro Nacional de Fé e Política que discutiu o tema "Em Busca da Sociedade do Bem-viver: Sabedoria, Protagonismo e Política".
"Viemos aqui para buscar uma sociedade do Bem - Viver na sabedoria e na política. Viemos para trocar ideias, levantar propostas e valorizar as pessoas que vieram dos quatro cantos do Brasil", disse, na cerimônia de abertura, padre Jaime Crowe secretário do 8º Encontro.
Teresinha Toledo falou em nome da Coordenação Nacional Fé e Política. Após agradecer a acolhida da diocese de Campo Limpo, destacou os objetivos do Encontro: "Confraternizar, refletir, trocar experiências e traçar novas pistas para a construção de uma sociedade do Bem-Viver que é o que Jesus anunciou para todos. Para que serve a utopia?", perguntou Teresinha. "Serve para caminhar", respondeu ela. "Caminheiro, não existe caminho, agente faz caminho ao caminhar", recordou.
A utopia de articular fé e política numa perspectiva libertadora tem sua história ligada à região que compreende a diocese de Campo Limpo com os movimentos populares e pastorais sociais na década de 80. Teresinha Toledo explicou ainda que o Movimento Fé e Política é "ecumênico, não confessional e apartidário, aberto a todos os que fazem da política uma dimensão fundamental da fé". Era o que se via no rosto dos 3.700 participantes provenientes de 23 estados e três países: México, Colômbia e Cuba, reunidos no Clube Caipirão, local do evento.
O Bem-viver é um conceito que visa recriar, diante do fracasso do neoliberalismo, um antigo conceito de certas culturas andinas. "Depois de cinco séculos de colonialismo e dominação europeia, os povos tradicionais do nosso continente buscaram em sua sabedoria ancestral uma proposta de vida que os ajudasse a construir uma nova ordem social e política", explicou o sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, um dos articuladores do Movimento Nacional de Fé e Política.
A programação neste sábado (29), contou com conferências e 17 plenárias temáticas coordenadas por assessores como Frei Betto, Jung Mo Sung, Paulo Vannuchi, Ivone Gebara, entre outros que discutiram o tema central em diversas perspectivas. No final da tarde uma caminhada fez memória dos 32 anos do assassinato do líder operário Santo Dias e marcou os 90 anos de vida do cardeal dom Paulo Evaristo Arns. A noite cultural ficou por conta do poeta e cantor Zé Vicente que encerrou o dia com um show.
Na manhã deste Domingo (30), o Encontro prossegiu com a partilha das reflexões e propostas levantadas nas Plenárias temáticas e uma conferência do teólogo e escritor Marcelo Barros.
Fonte: Revista Missões

Juventude e o Protagonismo Feminino 30 11 2011