terça-feira, 7 de agosto de 2012


CEBs: Carisma/Finalidade

− Centralidade: Palavra de Deus
− Identidade originária: Jesus Cristo (Puebla, 641).

É a ligação com Jesus Cristo, ligação constitutiva: Por causa da palavra de Jesus Cristo. Por causa do Espírito de Jesus Cristo. Por causa do seguimento de Jesus Cristo. Jesus é o fundamento estrutural das CEBs. A realidade fundacional das CEBs é Jesus Cristo. São Paulo fala que não há outro fundamento! Sua fonte é trinitária, pois tudo deve concorrer para a glória do Pai, por meio de Jesus Cristo, impulsionados pelo Espírito. Aliás,A Santíssima Trindade é Comunidade por excelênxcia, e as CEBs querem, formar Comunidade.

As CEBs são fundamentalmente "estrutura de Igreja", uma forma de organizar a Igreja. São "eclesíolas", micro-igrejas, são "células eclesiais": igrejas celulares, igrejas "em um ponto pequeno", igrejas "de base". São as unidades eclesiais menores, unidades relativamente completas, com identidade própria, com seu jeito próprio de caminhar.

Lembrando, também, que temos que distinguir claramente a diferença entre paróquia e matriz, que para muitos seria a mesma coisa. Paróquia aqui é entendida como "comunidade de comunidades". Para efeitos didáticos, vamos caracterizá-la chamando de os 4 "C's" das CEBs , correspondentes aos 4 elementos citados acima:

1º) Círculos Bíblicos, ou Grupos de Reflexão Bíblica , a partir do método de leitura bíblica popular  ("olho na Palavra e olho na Vida").
Os membros das CEBs se apropriam da Palavra, pois lêem e comentam as Escrituras no espírito eclesial e da comunidade; pregam nas celebrações, proferem palavras de consolação e de animação nos encontros, testemunham sua fé na vida cotidiana e nos locais de trabalho;
2º) Celebração Semanal , muitas vezes sem a presença do padre (não por vontade das CEBs, mas por pura falta de sacerdotes), dirigida por uma equipe de liturgia (geralmente Celebração da Palavra com a distribuição da Eucaristia). O povo das CEBs mostra-se, aqui, altamente criativo. Assumem funções nas liturgias, montam celebrações comunitárias de distintos gêneros (penitencial, de ação de graças, de recordação dos mártires populares, via-sacras etc.), reinterpretam de forma inovadora tradições devocionais como o rosário, as ladainhas e os benditos e as novenas;
3º) Conselho Pastoral Comunitário . São homens e mulheres que, geralmente em forma colegiada, assumem a animação e a condução de toda a comunidade. Ali estão presentes a(o) catequista, a senhora do Apostolado da Oração, o(a) jovem da RCC, o pessoal da CPT, a(o) animadora(or) da comunidade e outros. Todos os assuntos são apresentados à comunidade e discutidos por todos até se chegar a um consenso. Ouvem-se todas as pessoas e fazem-se as revisões para ver se as decisões tomadas e assumidas comunitariamente foram cumpridas; e
4º) Compromisso Sócio-transformador. Fundam círculos bíblicos, implantam novas comunidades eclesiais, criam grupos de oração/reflexão/ação, fazem missões populares, organizam encontros de aprofundamento da fé confrontada com os desafios da sociedade, particularmente dos pobres, empenham-se nos grupos de ação, justiça e paz na defesa e promoção dos direitos humanos.

É o suficiente apresentar estes 4 "C's" para uma comunidade ser uma CEB? Não! Estes são elementos estruturais. Falta a dimensão carismática, que dinamiza a estrutura da instituição; aquilo que perpassam transversalmente todos eles: a mística, a espiritualidade libertadora, centrada na causa do Reino de Deus, na opção pelos pobres e na sua dimensão profética.

Ser Igreja - Povo de Deus: Consciência de ser Povo de Deus.
CEBs, Povo de Deus, 2000 anos de caminhada. Grande afirmação do Concílio Vaticano II. Igualdade fundamental (LG,32): Participação na dimensão profética, na dimensão sacerdotal, na dimensão real.

Há várias características da espiritualidade das CEBs:
Libertária: pois visa a mudança, a transformação da sociedade.
Martirial: é solidária, cheia de compaixão.
Dialogal: é ecumênica, coloca-se na linha do diálogo inter-religioso.
Ecológica: tem ternura pela vida; abre-se para o valor da natureza.
Poética: traz sempre a utopia do Reino anunciado por Jesus: "Podem destruir uma árvore. Matar uma flor. Mas não impedirão a primavera".

Conteúdo da formação das CEBs do Pe. Ronildo Aparecido da Rosa -  

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