terça-feira, 7 de agosto de 2012

CEBs: Uma igreja que nasce do povo, pelo Espírito de Deus

AGOSTO: MÊS VOCACIONAL - Segunda semana de agosto, vocação para a vida em família e dia dos pais.



Vocação, dom do amor de Deus
19º DOMINGO DO TEMPO COMUM
2ª semana: VOCAÇÃO PARA A VIDA EM FAMÍLIA E DIA DOS PAIS



MOTIVAÇÃO INICIAL
Irmãos e irmãs, iniciamos hoje a Semana Nacional da Família. Nesta
celebração vamos agradecer ao Senhor por todo carinho, atenção e doação dos
pais que conduzem seus filhos e filhas no caminho da justiça e da fraternidade.
Neste domingo, rezemos, de modo particular, pelas vocações à vida familiar,
onde o anúncio da Palavra se torna vida.





LITURGIA DA PALAVRA: Antes da proclamação das leituras, uma família leva em
procissão o Lecionário (ou a Bíblia), enquanto se canta. Onde for possível,  o pai
proclama a 1ª leitura, o(a) filho(a) canta ou proclama o Salmo, e a mãe proclama a
2ª leitura.
I Rs 19, 4-8
Sl 33 (34)
Ef 4, 30-5,2
Jo 6, 41-51
PISTAS HOMILÉTICAS
As leituras de hoje nos mostram que Deus não desampara seus filhos e
filhas, mas alimenta-os sustenta-os na caminhada. O Pai envia seu próprio Filho,
que oferece sua vida para que o mundo seja salvo. O encontro com Jesus é
preparado pelo próprio Pai. Este  encontro nos convida a deixar de lado nossas
lamentações e olhar além, ir ao encontro da vida. Para aqueles que n`Ele acreditam  garante a vida eterna. O caminho dos discípulos, das discípulas de Jesus não é fácil,  mas se torna possível, pois somos alimentados com o pão da vida, o próprio Cristo
Jesus. Hoje dia dos pais rezemos para que as nossas famílias se tornem
verdadeiros celeiros de vocações.

ORAÇÃO DOS FIÉIS
Pr.: Oremos, irmãos e irmãs, a Cristo nosso Senhor, que se dignou assumir nossa
humanidade, e digamos, com alegria:
Ass.: Suscitai, Senhor, em nossas famílias, santas vocações!
1. Por todas as nossas famílias, para que conheçam cada vez mais nosso Mestre,
Jesus Cristo, e pratiquem, com autenticidade, o mandamento do Amor, rezemos:
2. Por todos os pais, para que eduquem seus filhos na fé, dando testemunho de
fidelidade e doação, rezemos:                                                     

3. Pelas crianças, adolescentes e jovens, para que perseverem no caminho do bem
e da honestidade, rezemos:
4. Para que nossas famílias sejam alegres na esperança, pacientes na tribulação e
perseverantes na oração,rezemos:
5. Para que surjam, em nossas famílias, pessoas dispostas a entregarem sua vida
ao serviço do Reino, rezemos:
Pr.: Pai Santo, que vos dignastes escolher para Vosso Filho uma família na terra,
concedei-nosa graça de permanecermos na unidade da fé. Por Jesus Cristo, nosso
Senhor.

APRESENTAÇÃO DAS OFERENDAS
Uma família leva para o altar o pão e o vinho.

ORAÇAO PELAS VOCAÇÕES (Antes da Bênção Final)
No final desta Santa Missa em que rezamos  pelas Famílias, rezemos com muita
confiança a oração pelas vocações:
Jesus, mestre divino,
que chamastes apóstolos a vos seguirem,
continuai a passar
pelos nossos caminhos,
pelas nossas famílias,
pelas nossas escolas
e continuai a repetir o convite
a muitos dos nossos jovens.
Dai coragem às pessoas convidadas.
Dai força para que vos sejam fiéis
na missão de apóstolos leigos,
sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas,
para o bem do Povo de Deus
e de toda a humanidade.
Amém.
(Paulo VI)
 Fonte: Arquidiocese de Florianópolis

COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE E PEQUENAS COMUNIDADES:



por Prof. Sergio Ricardo Coutinho/ Assessor das CEBs na CNBB Sul 1
É tudo a mesma coisa?
Em fins de agosto de 2008, o Instituto Nacional de Pastoral (INP), órgão vinculado à CNBB, realizou um seminário de estudos intitulado "Igreja, Comunidade de comunidades. Experiências e avanços". Ali ofereci uma Oficina, chamada "Comunidade e CEBs", onde procurou-se problematizar e diferenciar dois termos que foram usados no Documento de Aparecida: o de pequenas comunidades e comunidades eclesiais de base.

Sabe-se que durante a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, muitos bispos gostariam de ter visto o termo "CEBs" fora do documento final, preferindo a ampla divulgação da expressão "pequenas comunidades" e que, por sinal, é um muito utilizado pelo movimento neo-catecumenal.

Nossa atividade partiu das seguintes questões: este opção por pequenas comunidades foi meramente semântica ou haveria (ainda!?) um problema de eclesiologia em relação às CEBs? Qual seria a eclesialidade de uma pequena comunidade? Um grupo que se reúne para rezar o terço numa capela, ou para reflexão bíblica, ou mesmo um círculo bíblico é uma pequena comunidade ou seria uma CEB?

Diante destas questões procurou-se trabalhar a eclesialidade das CEBs de um ponto de vista mais sociológico, entretanto, sem perder de vista a teologia. Os elementos constitutivos de uma Comunidade de fé, communitas fidelium, de uma "Comunidade dos que crêem em Cristo", que é a Igreja, e que são fundamentais para a sustentação de todo o edifício eclesial são: a Fé, a Celebração dos Sacramentos, a Comunhão e a Missão.

A referência maior de toda a fé eclesial é a Palavra de Deus, a prática/missão de Jesus e a confiança/esperança na força carismática do Espírito Santo. É deste elemento que se desenvolve o eixo do Anúncio, a proclamação da Boa-Notícia, "colocando o Evangelho na vida e a vida no Evangelho". Desse confronto mútuo nasce a dimensão da libertação de toda injustiça e a fome e sede de participação e comunhão na sociedade e na Igreja.

Uma Igreja não vive só de fé, mas principalmente das celebrações da fé. Trata-se, sempre, não tanto de realizar um rito, mas de celebrar a vida de fé vivida em comunidade, "ritualizar a vida diante de Deus e dos irmãos". Aqui é que se desenvolve nas comunidades o eixo da Ação Litúrgica. A comunhão constitui uma palavra chave de toda e qualquer compreensão do mistério cristão e da realidade teológica da Igreja.
Há uma comunhão entre todos os fiéis (koinonía) porque todos, pela fé e pelo sacramento, participam da natureza divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo; do corpo e do sangue do Senhor.
Essa comunhão está na raiz da comunidade como aquele grupo de pessoas que se encontram por causa da mensagem da fé, que nos revela a comunhão de Deus conosco e de todos os fiéis com Deus.
Desta forma, o eixo da Colegialidade proporciona aos cristãos, que atuam na comunidade, se atenderem mutuamente, fazendo com que a responsabilidade seja sempre co-responsabilidade no campo do anúncio (profecia), da organização (dimensão régia) e da celebração (sacerdotal).

Por fim, o último elemento fundamental da eclesialidade é constituído pela missão e pelo serviço aos homens no mundo. Como se acede mais facilmente ao ministério de Jesus a partir de sua missão divina, assim se compreende melhor a natureza da Igreja a partir de sua missão. E a missão básica da Igreja reside na evangelização: levar adiante a mensagem de Jesus sobre o Reino de Deus e procurá-lo dilatá-lo na história dos povos. A Igreja encontra duas realizações principais de sua missão: na profecia e na pastoral. Pela profecia, a comunidade anuncia a vida do Reino e o Reino da vida, mas também denuncia as forças do anti-reino e da anti-vida. Pela pastoral, a comunidade cristã acompanha as pessoas e os grupos humanos em sua situação concreta, anima a esperança, promove a vida e a total abertura aos outros, ao mundo e a Deus, criando comunidade de fé, esperança e amor comprometidas com a libertação integral.

Desta forma, foi possível então apresentar uma tipologia-ideal de uma Comunidade Eclesial de Base, algo que muitos estavam desejosos de ouvir como resposta a pergunta: o que é mesmo uma Comunidade de Base? Como se define? Como ela se apresenta na realidade? Antes de qualquer coisa temos que deixar claro que CEBs não são "pastorais" e muito menos um "movimento". São comunidades de base eclesial e não uma comunidade de base qualquer, como um grupo de vizinhança, de amigos de trabalho etc. Podem surgir até mesmo destes grupos, mas não podem ser reduzidos a eles.

As CEBs são fundamentalmente "estrutura de Igreja", uma forma de organizar a Igreja. São "eclesíolas", micro-igrejas, são "células eclesiais": igrejas celulares, igrejas "em um ponto pequeno", igrejas "de base". São as unidades eclesiais menores, mas unidades relativamente completas e autônomas, dotadas dos elementos constitutivos de uma Igreja, como acabamos de descrever acima.

Lembrando, também, que temos que distinguir claramente a diferença entre paróquia e matriz, que para muitos seria a mesma coisa. Paróquia aqui é entendida como "comunidade de comunidades". Para efeitos didáticos, vamos caracterizá-la chamando de os 4 "C's" das CEBs , correspondentes aos 4 elementos citados acima:

1º) Círculos Bíblicos, ou Grupos de Reflexão Bíblica , a partir do método de leitura bíblica popular ("olho na Palavra e olho na Vida"). Os membros das CEBs se apropriam da Palavra, pois lêem e comentam as Escrituras no espírito eclesial e da comunidade; pregam nas celebrações, proferem palavras de consolação e de animação nos encontros, testemunham sua fé na vida cotidiana e nos locais de trabalho;

2º) Celebração Semanal , muitas vezes sem a presença do padre (não por vontade das CEBs, mas por pura falta de sacerdotes), dirigida por uma equipe de liturgia (geralmente Celebração da Palavra com a distribuição da Eucaristia). O povo das CEBs mostra-se, aqui, altamente criativo. Assumem funções nas liturgias, montam celebrações comunitárias de distintos gêneros (penitencial, de ação de graças, de recordação dos mártires populares, via-sacras etc.), reinterpretam de forma inovadora tradições devocionais como o rosário, as ladainhas e os benditos ;

3º) Conselho Pastoral Comunitário . São homens e mulheres que, geralmente em forma colegiada, assumem a animação e a condução de toda a comunidade. Ali estão presentes a(o) catequista, a senhora do Apostolado da Oração, o(a) jovem da RCC, o pessoal da CPT, a(o) animadora(or) da comunidade e outros. Todos os assuntos são apresentados à comunidade e discutidos por todos até se chegar a um consenso. Ouvem-se todas as pessoas e fazem-se as revisões para ver se as decisões tomadas e assumidas comunitariamente foram cumpridas; e

4º) Compromisso Sócio-transformador . Fundam círculos bíblicos, implantam novas comunidades eclesiais, criam grupos de oração/reflexão/ação, fazem missões populares, organizam encontros de aprofundamento da fé confrontada com os desafios da sociedade, particularmente dos pobres, empenham-se nos grupos de ação, justiça e paz na defesa e promoção dos direitos humanos.

É o suficiente apresentar estes 4 "C's" para uma comunidade ser uma CEB? Não! Estes são elementos estruturais. Falta a dimensão carismática, que dinamiza a estrutura da instituição; aquilo que perpassam transversalmente todos eles: a mística, a espiritualidade libertadora, centrada na causa do Reino de Deus, na opção pelos pobres e na sua dimensão profética.

Por esta causa muitos/muitas foram martirizados/matirizadas. As reações dos participantes da Oficina podem ser agrupadas aqui em dois blocos de perguntas propostas para o debate:

a) Como se vive a experiência de CEBs em sua realidade e quais são as ressonâncias?

b) Quais são os obstáculos para a experiência de CEBs?

A grande maioria de nossas dioceses e paróquias está organizada a partir do modelo de CEBs. Isso aparece em muitos Planos de Pastoral e nas articulações das pastorais.

Por outro lado, as CEBs aparecem como uma pastoral entre outras existentes na paróquia, muito mais como "Igreja com CEBs" que "Igreja de CEBs".
Alguns grupos de reflexão/círculos bíblicos se afirmam como CEBs, até como uma forma estratégica de sobrevivência.

As CEBs não são formadas só por pessoas com mentalidade de CEBs, pois nelas também estão presentes pessoas ligadas a RCC e de outros grupos e movimentos.

Vários participantes revelaram dificuldades em reconhecer uma CEB, bem como constataram sua inexistência em algumas dioceses. Vários constataram a existência de uma crise nas CEBs e a necessidade de reinventar, resignificar estas comunidades.

Disputas internas nas comunidades em torno das questões ministeriais e de poder. Os "novos ministérios não são reconhecidos pela Igreja". A coordenação de CEBs se distanciou das bases, se "encastelou", mantêm o discurso antigo e não dialoga mais, acaba tendo dificuldades em entender a realidade vivida pelo povo.

A politização da comunidade nem sempre vem acompanhada de uma mística pessoal e comunitária. A Igreja institucional mudou, já não apóia tão abertamente o engajamento sócio-transformador. Perdeu-se o horizonte sobre o lugar do pobre. Esvaziamento dos círculos bíblicos, redução do papel do Conselho de Pastoral e de outras instâncias de comunhão e participação.

No entanto, nas CEBs estão presentes a visão de que a comunidade é o Povo-de-Deus a caminho. A teologia do Povo-de-Deus é um ganho do Vaticano II, e possibilita o surgimento de novos ministérios e serviços.

A democracia no Brasil, a superação da injustiça e de todas as formas de exclusão passam pelas CEBs. Num mundo fragmentado e vazio de sentido, as CEBs apontam para uma espiritualidade libertadora.
As CEBs podem, de fato, levar adiante o projeto de rede de comunidades. Neste sentido, elas são a superação da Paróquia em seu formato tradicional.

Nas CEBs, estão presentes um horizonte eucarístico, que vai muito além do culto à "hóstia consagrada"; uma adesão à causa dos pobres, que vai muito além de assistencialismos; uma experiência mística do encontro com o Deus da vida, que vai além de moralismos e do individualismo.

Rede de Comunidades


CEBs: Carisma/Finalidade

− Centralidade: Palavra de Deus
− Identidade originária: Jesus Cristo (Puebla, 641).

É a ligação com Jesus Cristo, ligação constitutiva: Por causa da palavra de Jesus Cristo. Por causa do Espírito de Jesus Cristo. Por causa do seguimento de Jesus Cristo. Jesus é o fundamento estrutural das CEBs. A realidade fundacional das CEBs é Jesus Cristo. São Paulo fala que não há outro fundamento! Sua fonte é trinitária, pois tudo deve concorrer para a glória do Pai, por meio de Jesus Cristo, impulsionados pelo Espírito. Aliás,A Santíssima Trindade é Comunidade por excelênxcia, e as CEBs querem, formar Comunidade.

As CEBs são fundamentalmente "estrutura de Igreja", uma forma de organizar a Igreja. São "eclesíolas", micro-igrejas, são "células eclesiais": igrejas celulares, igrejas "em um ponto pequeno", igrejas "de base". São as unidades eclesiais menores, unidades relativamente completas, com identidade própria, com seu jeito próprio de caminhar.

Lembrando, também, que temos que distinguir claramente a diferença entre paróquia e matriz, que para muitos seria a mesma coisa. Paróquia aqui é entendida como "comunidade de comunidades". Para efeitos didáticos, vamos caracterizá-la chamando de os 4 "C's" das CEBs , correspondentes aos 4 elementos citados acima:


1º) Círculos Bíblicos, ou Grupos de Reflexão Bíblica , a partir do método de leitura bíblica popular  ("olho na Palavra e olho na Vida").

Os membros das CEBs se apropriam da Palavra, pois lêem e comentam as Escrituras no espírito eclesial e da comunidade; pregam nas celebrações, proferem palavras de consolação e de animação nos encontros, testemunham sua fé na vida cotidiana e nos locais de trabalho; 
2º) Celebração Semanal , muitas vezes sem a presença do padre (não por vontade das CEBs, mas por pura falta de sacerdotes), dirigida por uma equipe de liturgia (geralmente Celebração da Palavra com a distribuição da Eucaristia). O povo das CEBs mostra-se, aqui, altamente criativo. Assumem funções nas liturgias, montam celebrações comunitárias de distintos gêneros (penitencial, de ação de graças, de recordação dos mártires populares, via-sacras etc.), reinterpretam de forma inovadora tradições devocionais como o rosário, as ladainhas e os benditos e as novenas;
3º) Conselho Pastoral Comunitário . São homens e mulheres que, geralmente em forma colegiada, assumem a animação e a condução de toda a comunidade. Ali estão presentes a(o) catequista, a senhora do Apostolado da Oração, o(a) jovem da RCC, o pessoal da CPT, a(o) animadora(or) da comunidade e outros. Todos os assuntos são apresentados à comunidade e discutidos por todos até se chegar a um consenso. Ouvem-se todas as pessoas e fazem-se as revisões para ver se as decisões tomadas e assumidas comunitariamente foram cumpridas; e
4º) Compromisso Sócio-transformador. Fundam círculos bíblicos, implantam novas comunidades eclesiais, criam grupos de oração/reflexão/ação, fazem missões populares, organizam encontros de aprofundamento da fé confrontada com os desafios da sociedade, particularmente dos pobres, empenham-se nos grupos de ação, justiça e paz na defesa e promoção dos direitos humanos. 


É o suficiente apresentar estes 4 "C's" para uma comunidade ser uma CEB? Não! Estes são elementos estruturais. Falta a dimensão carismática, que dinamiza a estrutura da instituição; aquilo que perpassam transversalmente todos eles: a mística, a espiritualidade libertadora, centrada na causa do Reino de Deus, na opção pelos pobres e na sua dimensão profética.

Ser Igreja - Povo de Deus: Consciência de ser Povo de Deus.
CEBs, Povo de Deus, 2000 anos de caminhada. Grande afirmação do Concílio Vaticano II. Igualdade fundamental (LG,32): Participação na dimensão profética, na dimensão sacerdotal, na dimensão real.

Há várias características da espiritualidade das CEBs:
Libertária: pois visa a mudança, a transformação da sociedade.
Martirial: é solidária, cheia de compaixão.
Dialogal: é ecumênica, coloca-se na linha do diálogo inter-religioso.
Ecológica: tem ternura pela vida; abre-se para o valor da natureza.
Poética: traz sempre a utopia do Reino anunciado por Jesus: "Podem destruir uma árvore. Matar uma flor. Mas não impedirão a primavera".









ESPIRITUALIDADE DAS CEBs


1. Espiritualidade bíblica – alicerçada na leitura “comprometida” da Palavra de Deus, a partir da realidade e ligada à vida, aos problemas, lutas e esperanças dos pobres e excluídos, inserida nas questões sociais e políticas que afetam a sua vida, na partilha da palavra, encostando a Bíblia na vida das pessoas/do povo. As palavras e a prática de Jesus que se colocou entre os excluídos do seu tempo fazendo-os sujeitos da transformação alimenta a “Espiritualidade do compromisso e de fidelidade”.

2. Espiritualidade profética – porque profundamente bíblica é
radicalmente profética, que não admite a injustiça, a opressão, a exclusão dos pequenos, das minorias, por isso corajosamente denunciadora de tudo que constitui o antireino e anunciadora do novo mundo possível, do reino da vida abundante partilhada para todos. Ao longo da história do povo de Deus sempre apareceram pessoas corajosas, fiéis a Deus e por isso apaixonadas pela vida (profetas). Tinham uma visão clara do passado, do presente e do futuro e levantavam a voz para, em nome de Deus, denunciar e apontar caminhos novos.
  
3. Espiritualidade libertadora e transformadora – porque bíblico-profética é absolutamente libertadora de todas as formas de injustiça institucionalizada, das práticas do projeto de morte do sistema neoliberal centrado no lucro máximo a qualquer preço. O povo de Deus vivia na escravidão do Egito, mas cheio de fé se organizou e saiu apressadamente para uma Terra Prometida, terra “onde corre leite e mel”. “Eu vi a aflição do povo, eu escutei os clamores...”

4. Espiritualidade integradora: Fé e Vida, leitura da Bíblia e realidade, que traz a vida para dentro da reza, da celebração da Palavra e da Eucaristia, que ilumina a vida e abre para o compromisso libertador com os excluídos, com a natureza e com o cosmo inteiro.

5. Espiritualidade ecumênica, dialogal, inter-religiosa, que respeita,
reconhece e valoriza outras formas ou expressões de fé, de religiosidade, de
culto a Deus, que acredita e aceita que Deus opera a salvação e a libertação
por outros caminhos e outras formas de expressão da fé e de fidelidade ao
Deus da vida. Uma espiritualidade acolhedora e sempre atenta e aberta às
infinitas manifestações do Espírito, “que sopra onde quer” (Jo 3,8ss).

6. Espiritualidade martirial, do testemunho de fidelidade incondicional ao
projeto do Reino, que leva ao martírio: de cultivo da memória dos mártires da caminhada que anima e encoraja em meio às ameaças e perseguições na concretização do Projeto do Reino. A espiritualidade própria das CEBs surge da Bíblia e da experiência de Deus feita pelos santos e santas, padroeiros e padroeiras, profetas e profetizas do povo que testemunharam pelo martírio sua fidelidade ao Reino.

7. Espiritualidade da comum-união, da comum-unidade e do compromisso sócio-transformador, que conduz à luta solidária pela justiça e pela cidadania de todos. Conduz à participação “democrática” e “compromisso “libertador”, na comunidade eclesial e na sociedade.

Brasília, 06 de julho de 2008
Ir. Renato

VOCÊ CONHECE A DONA MARIA?

Maria é um nome muito comum entre nós. Certamente é por causa da devoção a Maria, Mãe de Jesus de Nazaré. Brinco, até, quando pergunto o nome da pessoa e ela responde ser Maria. Eu lhe falo: que nome diferente? Nazaré era uma aldeia pequena, onde Maria e José moravam. Foi lá que eles viveram a experiência de Povo de Deus e, consequentemente, de Deus. Foi lá (em Nazaré) que o anjo visitou Maria, convidando-a a ser a Mãe do Messias prometido. No entanto, podemos imaginar Maria rezando no momento da visita. Mas será que ela estava rezando mesmo? Não poderia estar lavando roupa, limpando a casa, fazendo café ou buscando água no poço? O importante é saber que ela, de modo muito equilibrado e fecundo, sempre esteve na presença de Deus. Não somente na hora de uma oração... toda a vida dela foi oração. Tenho a certeza que meditava a Palavra de Deus, como toda judia de seu tempo. Maravilha maior, ainda, foi ela gerar a Palavra que meditava antes no coração. Ela gerou Jesus Cristo na vida, na alma, antes de gerá-lo no corpo. Mas tem uma coisa mais profunda ainda, no meu ver. Depois que Jesus nasceu e eles foram morar em Nazaré, Maria levou uma vida simples, uma vida diária como toda família pobre. O cotidiano de Maria foi marcado pelos acontecimentos mais normais possíveis, tanto que estranharam quando Jesus saiu em missão pelas estradas, dizendo: Ele não é o filho da Dona Maria e do Seu José? Nossa vida deve ser parecida com a de Maria. Vivermos diariamente junto com a família, com a vizinhança, com quem trabalhamos ou estudamos... sendo sinal de Deus... Última coisa: Maria foi mulher da comunidade e de comunidade. Assim nossa Comunidade Paroquial, formada pela maioria por mulheres. Ser sinal de Deus na via simples e atenta aos outros...

Felicidade!!!

Pe. Ronildo....

CEBs: Carisma/Finalidade

− Centralidade: Palavra de Deus
− Identidade originária: Jesus Cristo (Puebla, 641).

É a ligação com Jesus Cristo, ligação constitutiva: Por causa da palavra de Jesus Cristo. Por causa do Espírito de Jesus Cristo. Por causa do seguimento de Jesus Cristo. Jesus é o fundamento estrutural das CEBs. A realidade fundacional das CEBs é Jesus Cristo. São Paulo fala que não há outro fundamento! Sua fonte é trinitária, pois tudo deve concorrer para a glória do Pai, por meio de Jesus Cristo, impulsionados pelo Espírito. Aliás,A Santíssima Trindade é Comunidade por excelênxcia, e as CEBs querem, formar Comunidade.

As CEBs são fundamentalmente "estrutura de Igreja", uma forma de organizar a Igreja. São "eclesíolas", micro-igrejas, são "células eclesiais": igrejas celulares, igrejas "em um ponto pequeno", igrejas "de base". São as unidades eclesiais menores, unidades relativamente completas, com identidade própria, com seu jeito próprio de caminhar.

Lembrando, também, que temos que distinguir claramente a diferença entre paróquia e matriz, que para muitos seria a mesma coisa. Paróquia aqui é entendida como "comunidade de comunidades". Para efeitos didáticos, vamos caracterizá-la chamando de os 4 "C's" das CEBs , correspondentes aos 4 elementos citados acima:

1º) Círculos Bíblicos, ou Grupos de Reflexão Bíblica , a partir do método de leitura bíblica popular  ("olho na Palavra e olho na Vida").
Os membros das CEBs se apropriam da Palavra, pois lêem e comentam as Escrituras no espírito eclesial e da comunidade; pregam nas celebrações, proferem palavras de consolação e de animação nos encontros, testemunham sua fé na vida cotidiana e nos locais de trabalho;
2º) Celebração Semanal , muitas vezes sem a presença do padre (não por vontade das CEBs, mas por pura falta de sacerdotes), dirigida por uma equipe de liturgia (geralmente Celebração da Palavra com a distribuição da Eucaristia). O povo das CEBs mostra-se, aqui, altamente criativo. Assumem funções nas liturgias, montam celebrações comunitárias de distintos gêneros (penitencial, de ação de graças, de recordação dos mártires populares, via-sacras etc.), reinterpretam de forma inovadora tradições devocionais como o rosário, as ladainhas e os benditos e as novenas;
3º) Conselho Pastoral Comunitário . São homens e mulheres que, geralmente em forma colegiada, assumem a animação e a condução de toda a comunidade. Ali estão presentes a(o) catequista, a senhora do Apostolado da Oração, o(a) jovem da RCC, o pessoal da CPT, a(o) animadora(or) da comunidade e outros. Todos os assuntos são apresentados à comunidade e discutidos por todos até se chegar a um consenso. Ouvem-se todas as pessoas e fazem-se as revisões para ver se as decisões tomadas e assumidas comunitariamente foram cumpridas; e
4º) Compromisso Sócio-transformador. Fundam círculos bíblicos, implantam novas comunidades eclesiais, criam grupos de oração/reflexão/ação, fazem missões populares, organizam encontros de aprofundamento da fé confrontada com os desafios da sociedade, particularmente dos pobres, empenham-se nos grupos de ação, justiça e paz na defesa e promoção dos direitos humanos.

É o suficiente apresentar estes 4 "C's" para uma comunidade ser uma CEB? Não! Estes são elementos estruturais. Falta a dimensão carismática, que dinamiza a estrutura da instituição; aquilo que perpassam transversalmente todos eles: a mística, a espiritualidade libertadora, centrada na causa do Reino de Deus, na opção pelos pobres e na sua dimensão profética.

Ser Igreja - Povo de Deus: Consciência de ser Povo de Deus.
CEBs, Povo de Deus, 2000 anos de caminhada. Grande afirmação do Concílio Vaticano II. Igualdade fundamental (LG,32): Participação na dimensão profética, na dimensão sacerdotal, na dimensão real.

Há várias características da espiritualidade das CEBs:
Libertária: pois visa a mudança, a transformação da sociedade.
Martirial: é solidária, cheia de compaixão.
Dialogal: é ecumênica, coloca-se na linha do diálogo inter-religioso.
Ecológica: tem ternura pela vida; abre-se para o valor da natureza.
Poética: traz sempre a utopia do Reino anunciado por Jesus: "Podem destruir uma árvore. Matar uma flor. Mas não impedirão a primavera".

Conteúdo da formação das CEBs do Pe. Ronildo Aparecido da Rosa -  

OS 10 MANDAMENTOS DA ESPIRITUALIDADE DO ANIMADOR, DA ANIMADORA E DA COORDENAÇÃO DOS GRUPOS DE REFLEXÃO




Todo animador/a de grupo ou de comunidade é um mensageiro da paz e da Boa-Nova da salvação em Jesus Cristo. É um enviado por Deus, para anunciar o Evangelho ao grupo, à comunidade. Evangeliza pela palavra e pelo testemunho de vida. Para que as pessoas acreditem na sua mensagem, algumas atitudes são indispensáveis. A pessoa que exerce o ministério da animação de algum grupo de reflexão deve cultivar os seguintes mandamentos da espiritualidade dos cristãos leigos e leigas:
1. Escutar – Ter capacidade de escuta e de diálogo.
Saber relacionar-se e valorizar as pessoas na sua
diversidade, descobrindo os seus valores. Não se
sentir superior a ninguém. Ter convicções profundas, mas não se considerar dono/a da verdade.

2. Acolher e cultivar a ternura – Considerar cada
pessoa como centro de tudo. Acolher a todos sem
fazer distinção de pessoas. Cultivar o cuidado, o
carinho e a ternura no relacionamento com o grupo e com a comunidade.

3. Solidarizar-se – Estar atento/a aos problemas de
sua comunidade, do seu grupo, sem cair em atitudes paternalistas ou autoritárias. Ter uma grande sensibilidade humana e social, com um forte sentido da justiça e da verdade.

4. Resistir – Agüentar firme os momentos difíceis,
sem desistir. Fazer-se presente quando precisam dele/ a, porque sabe que sua missão não tem horário. Não pecar por omissão e nem ser covarde e medroso/a.

5. Ter paciência e esperar – Saber que a paciência
é uma das virtudes mais importantes do/a animador/a. Caminhar com o povo e colocar-se no ritmo de sua história. Saber esperar com paciência o que vai acontecer: “Deus tarda, mas não falha”. Olhar com esperança para o futuro.

6. Crer no Deus da vida – Experimentar a fé em
Deus e o amor profundo e pessoal a Cristo, como
sustento pessoal. Saber que sem fé não há missão.
Tirar da fé a paixão pela missão de evangelizar.

7. Amar na gratuidade – Ser uma presença amiga e
gratuita. Não se deixar levar por interesses pessoais. Ser capaz de amar e doar-se, sem esperar recompensa. Encontrar Deus e Jesus Cristo especialmente nos pobres, nos que sofrem, já que eles são os preferidos de Deus. Percorrer com eles os caminhos do Evangelho, amando, como Jesus, até o fim.

8. Rezar sem desanimar – Cuidar para não tornar-se como muita gente quebrada e desnorteada, por não rezar e não abastecer as forças, as utopias e sonhos, no coração de Deus. Alimentar a própria fé com a oração diária. Aprender, na oração e na escuta da Palavra de Deus, a construir o Reino, com paciência e coragem.

9. Assumir a cruz – Viver a palavra de Jesus: “Quem quiser meu ser meu discípulo, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). Saber que na vida cristã não há outro caminho possível para percorrer. Saber que a missão nasce e cresce aos pés da cruz, que a persistência e a paciência são frutos de uma cruz aceita com alegria.

10. Ser coerente – Apoiar a própria credibilidade no testemunho de vida, até as últimas conseqüências. Seguir o exemplo de Jesus, que faz o que diz: “Eu, vosso Mestre e Senhor, vos lavei os pés; também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim façais também vós” (Jo 13,14-15).


Conteúdo da formação do Pe. Ronildo Aparecido da Rosa
CEBs - Diocese de São José dos Campos                                21 de fevereiro de 2010

Coração de Jesus - Fazei o nosso Coração semelhante ao vosso!