domingo, 15 de março de 2015

Liturgia 8 de Março – Dia Internacional da Mulher

Liturgias

8 de Março – Dia Internacional da Mulher


Mulheres da via campesina Movimento pedem por  mais políticas públicas para o enfrentamento da violência<br>Fonte: Rafael Tatemoto
Chegada/ Oração de preparação:

Preparar uma recepção bonita. Receber todas as pessoas na porta da igreja. Entregar uma mensagem pelo Dia Internacional da Mulher – uma poesia, ou mesmo o texto que conta a história do dia 8 de março. Também os homens devem receber a mensagem para ler e podem ser motivados a entregarem a mesma para uma mulher naquele dia.

Acolhida na porta: lava-mãos (preparar uma mesa bonita com pétalas de flores e uma ou mais bacias com água cheirosa). Lavar as mãos das pessoas que vão chegando ao culto. Para cada pessoa dizer ao lavar: “que estas mãos que agora são purificadas com a água criada por Deus, nunca ousem se levantar contra uma mulher”.

Prelúdio: Elas estão chegando. (à frente dos bancos da igreja, em lugar bem visível instalar uma máquina de costura. Esta pode ser industrial – arrumada em cima de uma mesa. E sobre a mesa tecido lilás para ser costurado durante o culto)

Entrada: Canto Elas estão chegando (mulheres entram e em seguida fazem a acolhida, a invocação e saudação à comunidade)

Acolhida: saudar com as boas-vindas

Invocação: (Fazer esta invocação com gestos que podem ser conduzidos por uma das mulheres. Os gestos podem ser relativamente livres – pensados com antecedência, devem ser muito simples, poucos e feitos devagar, para que a comunidade possa acompanhar e repetir as frases e os gestos)

“Espírito de Deus,
Luz do mundo,
Paz da terra.
Vem sobre nós.

Preenche com a tua luz as minhas mãos,
inflama meu ser com a tua presença,
inunda a minha vida com a tua plenitude.
Tu estás aqui. Faz-nos sentir a tua presença. Amém”
(Anete Roese)

 

Saudação:

Em verdade, eu vos digo: onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua. (Mateus 26. 13)

Canto: Deus chama a gente para um momento novo

Momento de Memória e Revelação: (silêncio. Apagar as luzes.)

Máquina de Costura: Uma mulher se dirige até a máquina de costura e começa a costurar o tecido lilás. Se possível a costura deve ser realmente feita, não apenas dramatizada. Costura um pouco, em seguida pára. Se possível, uma luz especial pode iluminar esta cena)

O fio da História: enquanto a mulher continua sentada na máquina, outra começa a ler a história do dia 8 de março.
 
Canto: Elas (Elas não querem a guerra) (explicar que o hino será cantado de forma intercalada com as notícias que serão dadas na sequência)

Notícias sobre as mulheres hoje: a idéia é reunir uma série de notícias sobre a realidade da mulher hoje. Acontecimentos importantes que envolveram mulheres. Pode ser feita uma opção de denúncia de fatos que envolvem violência contra mulheres e notícias sobre a liderança recente de mulheres ao redor do mundo. Estas notícias devem ser curtas e podem ser lidas por diferentes mulheres sentadas junto à comunidade e que se levantam no momento da leitura. As notícias sobre liderança política, social, comunitária e familiar são importantes pois estarão relacionadas com a leitura do Evangelho.

Canto: Elas

Notícias intercaladas.

Canto: Elas

Notícias intercaladas

Canto: Elas

Confissão de pecados:

"Ó Deus da Aliança
Deus do arco-íris
Das montanhas e dos mares
Deus do céu
Deus da terra
Deus da sombra e da brisa.
Deus da criação
Deus da reconciliação
Deus da cor. De Ébano.
Deus das mulheres negras, dos homens negros.

Deus de Tamar, Deus de Agar
da Rainha de Sabá, de Zípora e Azenate.
Deus de Onésimo, de Sofonias e Moisés.
Nosso Deus.
Da terra escura e vermelha criaste a humanidade.

Nós te pertencemos. Nós te queremos.
Não te ocultes de nós agora.
Ouve-nos. Nós já nos esquecíamos...
O quão infinitas são as tuas criações,
os teus nomes, as tuas cores.

Quão infinita é a tua presença.
A tua revelação está entre nós.
Dá-nos sabedoria e humanidade para te re-conhecer
Arranca de nós o pecado. Afasta de nós o mal.
Graças te damos pela tua atividade criadora.
Pela tua Criatividade. Pela tua liberdade.
Fica conosco. Deus. Amém.”

 
Canto: Misericórdia, misericórdia...

 Absolvição: A confissão do nosso pecado deve ser sincera, o nosso arrependimento deve ser verdadeiro. A confissão deve nos tornar humildes diante de Deus e dos irmãos e das irmãs. Que não haja pretensão em nosso coração de sermos melhores do que ninguém, pois todos pecamos e todas necessitamos da graça misericordiosa de Deus.

Quando fariseus e escribas trouxeram para público a mulher adúltera e tentavam acusá-la, e ao mesmo tempo tentavam encontrar motivos para acusar Jesus, Jesus lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra. Sejam, portanto, sejam humildes.

Deus, em sua infinita amorosidade, perdoa a todos e todas nós que sinceramente reconhecemos os nossos pecados, nos arrependemos e nos confessamos humildemente. Amém.

Glória: Deus teve compaixão de nós. Deus amou seu mundo tanto, que enviou seu Filho para nós. Ele enviou seu Filho, um Filho que liberta as mulheres, que depois morre por nós, para a nossa salvação, e ainda deu a todos os que crêem em Jesus o poder de tornarem-se filhas e filhos de Deus, e prometeu-lhes o seu Espírito Santo. Por estas dádivas, cantemos louvores a Deus.

Liturgia da palavra: Leituras: as mulheres que seguiam a Jesus. (A sugestão é que mais uma vez mulheres façam estas leituras. Elas devem ir todas à frente e ler em sequência)

Lucas 8. 1-3

Jesus andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia e com ele iam os doze discípulos e também mulheres: Maria Madalena, Joana, Suzana e muitas outras. Segundo o evangelista Lucas também mulheres seguiam Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia. E lhe prestavam assistência com seus bens.

 
Marcos 15. 34-35; 40-41

Ali estavam Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e de José e Salomé. Estas e acompanhavam e servia a Jesus. E muitas outras mulheres subiram com ele para Jerusalém.

 Lucas 24. 1-2 e 10

Era alta madrugada quando elas foram ao túmulo. Maria Madalena, Joana, Maria mãe de Tiago e... também as demais que estavam com elas. Todas elas foram contar aos discípulos o que viram.

 Marcos 16. 1-4; 9-11

Maria Madalena viu o Senhor ressuscitado e foi a primeira a anunciar a Boa Nova.

 Atos 1.12-14

Depois da ascensão de Jesus os discípulos se reuniram para orar. Junto com as mulheres, entre elas estava Maria mãe de Jesus.
 
Mateus 26.6-13
 
Este texto nós deixamos para ler por último porque ele retrata um acontecimento que está situado no tempo da paixão de Jesus. É um texto profundo e especial para nós neste tempo de quaresma. Jesus e a mulher estão no centro do texto. Ela deixou os discípulos indignados e eles repudiaram o gesto e a atitude dela. Eles disseram palavras comuns naquele momento, coisas que também nós diríamos: mas, para que isto? De novo uma mulher atrapalhando a vida de Jesus. Já havia outras que lhe tinham atravessado o caminho pedindo cura para si, para a filha... Mas Jesus, como filho de Deus, não segue a nossa lógica simplista. Ele diz mais ou menos assim: ela está fazendo a coisa certa no momento certo, ela está fazendo o que precisa ser feito neste momento. A atitude dela é a atitude que agrada a Deus. Ela apareceu lá do nada, quando nem os discípulos ainda haviam se dado conta do que estava acontecendo com Jesus. Ela, pela sua inteligência intuitiva, sabia o que precisava ser feito e não deixou que nada a impedisse de fazê-lo. Assim Jesus faz algo que nós talvez não esperamos. Ele autoriza a mulher a fazer aquilo que os outros, a maioria, até os discípulos desautorizam. Ela o faz com a certeza de estar fazendo a coisa certa e Jesus o reconhece. Jesus autoriza a mulher a agir assim, por iniciativa, intuição, sabedoria, inteligência. E, por fim, Jesus diz uma palavra que também ficou esquecida, palavra que muitas mulheres até hoje não tiveram o privilégio de conhecer: vamos repeti-la, prestem atenção: “Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.” Para memória sua! Quer dizer: memória dela, da mulher; daquela mulher. Jesus não diz, para minha memória, mas, para memória dela. Que a ousadia desta mulher seja evangelho para todas as mulheres, e boa nova também para todos os homens. Que nunca mais ninguém duvide que a autorização para que mulheres façam coisas inesperadas, inusitadas e inteligentes vem de Deus. Que ninguém mais, feito os discípulos, as impeça de fazê-lo. Que a autorização de Jesus seja acolhida em nós, e que a memória desta e de tantas outras mulheres não mais caia no esquecimento do mundo. Amém.
 
MENSAGEM: (Ao final de todas as leituras cada uma delas pode fazer um testemunho ou mensagem curta sobre a Palavra lida)

Canto: Maria, Maria

Oração de intercessão:

Pai Nosso
 
Bênção Final:
 

"Que o Espírito da Sabedoria Viva esteja sobre vocês
Que vos mantenha atentas, sábias, vivas,
Que vos ilumine com a sua calma Luz
Que vos proteja de todo mal
e de toda a aflição.
Que vos fortaleça
E vos acompanhe
E vos preencha de coragem.
E vos cubra com toda paz e o poder mais sereno
Hoje e todos os dias. Amém"
 
 

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O FIO DA HISTÓRIA
(A história que originou o dia 8 de março – DIA INTERNACIONAL DA MULHER).
 
 
 Lá estavam elas, ao som dos teares,
Tecendo com fio de lilás
os tecidos que deveriam vestir e aquecer outros corpos
(roupas que elas mesmas jamais vestiram).
Já próximas ao limite de suas forças,
Exaustas pelas 16 horas de lida diária,
As operárias ainda encontravam ânimo
Para socorrer companheiras que se esvaiam tuberculosas;
Para saudar recém-nascidas
que saltavam para dentro da vida ali mesmo, sob os teares;
E para chorar envelhecidas jovens
que aos 30 anos agonizavam em seus postos e se despediam da vida.
Trabalhavam em condições subumanas, recebiam um ínfimo salário, as condições de salubridade eram precárias, não havia nenhuma lei que as protegesse no tempo de gravidez e de parto.

Embaladas pelo ritmo das máquinas,
E com o colo molhado de lágrimas,
As mulheres gestam sonhos de esperanças:
Salários dignos, melhores condições de saúde,
Jornada de trabalho que lhes permitisse abraçar mais longamente suas crianças,
Beijar mais ternamente seus maridos
E saborear um pouco mais a comunhão à mesa na simplicidade de seus lares.
 
Contagiadas por esse sonho,
Declararam greve e foram compartilhar seus anseios com o patrão.
Mas o patrão, indignado com tamanho absurdo,
Julgou ser este um caso de polícia.
E aquele sonho divino foi transformado
em um pesadelo infernal.

No dia 8 de março de 1857,
A fábrica de tecidos Cotton, de Nova York, foi incendiada.
As portas estavam trancadas.
O edifício foi transformado em um grande crematório.
129 mulheres morreram queimadas.
 
Mas a fumaça daquele holocausto espalhou-se por todo lugar,
Levando consigo o sonho daquelas mulheres,
Contagiando e sensibilizando pessoas em todo o mundo,
Que se encarregaram de tornar realidade aquele ideal.
 
Mártires cremadas, fios lilases,
Gestantes de um mundo melhor,
Inspiraram Clara Zetkin a propor,
Durante o 1o Congresso Internacional de Mulheres, realizado na Noruega em 1910,
A instituição do Dia Internacional da Mulher.
Desde então, a cada 8 de março,
Mulheres e homens tem reafirmado sua tarefa
De tecer uma nova história.
 
Adaptação do poema O fio da história, de Edenir Antunes Filho e Luiz Carlos Ramos



Fonte: Anete Roese

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